Tudo igual na IndyCar (27/03/07)
Só não vou dizer que a temporada começou com chave de ouro porque a corrida em Homestead foi muito chata. Não sei se faltou de verdade emoção (que não apareceu nem nas últimas 10 voltas) ou se eu já estava cansada de ter que esperar mais de 1 hora para a prova começar. É o preço que se paga para correr em oval.
A prova foi uma amostra do que vai ser o ano todo: Ganassi e Penske brigando novamente, assim como em 2006. Resta saber se no final da temporada Dan Wheldon vai conseguir superar Sam Hornish Jr. (aposto novamente nos dois para a briga pelo título).
Depois que os carros da IndyCar passaram a ter mesmo motor e mesmo chassi, a categoria ficou mais do que previsível. Era de se esperar que Ganassi e Penske, duas equipes com tradição de vitórias, se sobressaíssem com relação às demais. Uma pena, porque com a disputa quase monopolizada, o campeonato perde a graça.
E foi isso o que vimos em Homestead. Wheldon foi superior a todos os outros, incluindo seu companheiro de equipe e as trapalhadas da Ganassi no pit stop, algo que já está virando rotina na vida do inglês. Em 2006, ele perdeu o título justamente por causa disso. Mas no sábado ele conseguiu dar a volta (quase literalmente) por cima.
Os brasileiros fizeram o que podiam com o equipamento que tinham em mãos. E nisso incluo Hélio Castroneves, que apesar de correr na Penske, não tinha um carro à altura da equipe. Vitor Meira deu mais uma vez um show, mostrando que, mesmo com um carro inferior, só não consegue ser melhor que as duas equipes citadas mais acima. Será que esse ano pinta a primeira vitória dele? Tomara.
Apesar de preferir a Fórmula Mundial (algo que não escondo de ninguém), não gosto de falar mal da IndyCar, mas a categoria acabou virando algo que muitos de seus fãs falam ao criticar a própria F-Mundial: uma categoria de cartas marcadas antes mesmo da sua primeira bandeira verde. O que vimos nos últimos três anos (e porque não quatro, já que em 2004 Wheldon já dava mostras de que vinha para vencer) foi um piloto dominando toda a temporada. E se em 2006 ele não venceu, foi por culpa da sua equipe. Ele é o meu favorito para este ano e os motivos são óbvios. Quem assistiu o GP de Homestad, sabe do que estou falando.
Mas tomara também que eu erre, apesar de achar difícil. Não fiz uma coluna de previsões antes do início da temporada porque não havia muito o que prever. O resultado final parece já estar determinado e parece que só mesmo Sam Hornish Jr. para mudar a história. Como em 2006.
P.S.: Fico por aqui com o pensamento em Pablo Perez, estreante na Indy Pro Series, que sofreu um sério acidente no sábado. Cheguei a ver boatos de que o piloto teria perdido um dos pés, mas, felizmente, isso não se confirmou. Espero que ele se recupere totalmente e volte a fazer o que mais gosta.
P.S.2: Apesar de não gostar das comparações, não dá para não deixar registrado o pouco caso da IndyCar com os campeões da Indy Pro Series. Nunca vi uma categoria de base que não consegue fornecer pilotos para a principal. Acho que deveria ser adotado um sistema como o da Fórmula Mundial com a Atlantic. Ter que ver Wade Cunningham pela terceira vez na Indy Pro é lamentável...
Flávia Mayrink
Flávia Mayrink, 31 anos, mora no Rio de Janeiro. Começou escrevendo no site IndyBrasil, um dos poucos que cobria exclusivamente a Cart. Criou em 2002 o site SuperLicença com sua irmã Graciela, onde também é responsável pela IRL IndyCar Series. A coluna é publicada toda terça-feira após as corridas da categoria.
irl@superlicenca.com.br