"Quem pensaria nisso?" (29/05/07)
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Acho que não há nada que sintetize melhor as 500 Milhas de Indianápolis deste ano do que esta frase do próprio vencedor, que virou título desta coluna. Afinal, quem, antes de começar a corrida, apostaria em Dario Franchitti como vencedor? Pelo visto nem ele próprio.Mas Indy é Indy e qualquer coisa pode acontecer lá. Ainda mais por se tratar de uma prova tão longa, tão cheia de imprevistos, ou de coisas bem previsíveis, como a chuva. Domingo, ela teve um papel muito importante, afinal, de certa forma, foi ela que decidiu quem iria ganhar. Se ela não tivesse parado após a primeira interrupção, teria sido Tony Kanaan. Mas ela resolveu dar uma trégua, e a vitória ficou com o escocês.
Na minha opinião, existem outros pilotos na IndyCar que merecem mais uma vitória nas 500 Milhas do que Franchitti, mas sei lá... Parece que ultimamente, sempre que a corrida é interrompida pela chuva ganha alguém que pode não ser o melhor, mas que contou com um bom carro, uma boa consistência e, claro, uma boa dose de sorte.
Sorte foi o que mais esteve ao lado de Franchitti. Primeiro porque, após um furo no pneu e uma parada não programada nos boxes, sua estratégia teve que ser mudada. E foi justamente isso que o colocou na frente na hora exata. Mais algumas voltas antes da chuva vir e já era, ele teria que parar novamente. E sorte também pela prova ter sido recomeçada.
Mas também não dá para dizer que Franchitti venceu a prova apenas por sorte. Se ele não tivesse um carro tão bom quanto o da Andretti Green, não haveria sorte no mundo que o ajudasse. A equipe dominou a prova toda (para surpresa de muitos, inclusive minha, mas é assim quando se tem 5 carros na pista), mas não há dúvidas de que o mais forte dela na prova domingo foi Tony, mas na IndyCar, nem sempre ganha o mais forte. E a sexta vitória verde-e-amarela vai ter que esperar, pelo menos, mais 1 ano.
De decepção das 500 Milhas, fica a equipe Ganassi, que liderou praticamente todos os treinos, conta com bons pilotos e, mesmo assim, não conseguiu ameaçar os líderes em nenhum momento. Scott Dixon, também contando com estratégia diferente, terminou em segundo, mas isso foi, novamente ela, sorte.
Sorte que não sorriu para Dan Wheldon. O inglês andou atrás a prova toda e ainda encontrou Marco Andretti no meio do caminho. O acidente tem um total culpado, e não é nenhum dos dois pilotos, mas sim o spotter do norte-americano, que não o avisou da presença do inglês. Revendo as imagens, dá pra notar claramente que Andretti não fazia a menor idéia que tinha um carro ali do lado. Felizmente, nada de grave aconteceu.
E, para encerrar, claro, não dá para não reclamar da Band. O que foi aquilo? A gente fica o ano todo esperando por esta corrida para eles não passarem ela toda? Não sei se foi o caso do resto do Brasil, mas no Rio de Janeiro eles transmitiram o mesmo jogo da Globo. Será que eles acharam que iriam concorrer com a outra emissora? Acho que as 500 Milhas seria uma concorrência muito maior. Ok, até interromper eles transmitiram tudo, mas só porque tinha um brasileiro em primeiro e havia o risco de já ser encerrada a prova. Porque no site da emissora, a previsão era para encerramento às 15h30 (outra coisa que não entendi, já que o jogo só começa às 16h00). E depois nem mostraram o final... Não dá para um dia só não passar Raul Gil? Ou passar mais tarde? Sinceramente, total desrespeito. Afinal, 500 Milhas de Indianápolis é apenas uma vez por ano.
Flávia Mayrink
Flávia Mayrink, 31 anos, mora no Rio de Janeiro. Começou escrevendo no site IndyBrasil, um dos poucos que cobria exclusivamente a Cart. Criou em 2002 o site SuperLicença com sua irmã Graciela, onde também é responsável pela IRL IndyCar Series. A coluna é publicada toda terça-feira após as corridas da categoria.
irl@superlicenca.com.br