Dixon's Glen (10/07/07)
Depois da corrida de domingo e do domínio total de Scott Dixon em Watkins Glen, eu realmente acho que a disputa do título deste ano deve ficar entre ele e Dario Franchitti. Apesar de não ser fã de nenhum dos dois, pelo retrospecto de 2007 e pelo o quê eles vêm fazendo na pista, ninguém mais merece ser campeão.
Dixon confirmou de vez seu nome como o piloto forte nos mistos, especialmente em Watkins Glen, onde só dá ele. O tipo de pista que geralmente faz a alegria dos brasileiros, domingo só serviu para tristezas e lamentações. Para todos os três. Mas isso é algo para ser comentado mais para o final da coluna, pois acho que o mais importante em uma corrida é o show na pista e o talento e esforço do piloto e equipe que venceu.
O resultado foi bom para que Dixon pudesse diminuir um pouco a vantagem em cima de Dario Franchitti. O escocês ainda garante a liderança depois de Nashville desde que largue na corrida. Mas, após ela, tudo pode acontecer. Entre os dois, por enquanto minha torcida é neutra. Vou esperar ainda mais umas duas provas para ver de qual lado me posiciono.
Watkins Glen também acabou com a velha história de que Sam Hornish Jr. não anda em misto. Não só anda como se recupera e termina em segundo lugar, à frente de pilotos considerados especialistas neste tipo de pista. Entre eles, nossos representantes.
A falta de sorte esteve descaradamente do lado de Hélio Castroneves e Vitor Meira, que perderam a liderança, respectivamente, por uma batida e uma pane seca. Acabaram com as duas últimas posições do grid. Já Tony Kanaan conseguiu um quarto lugar, mas seu bom trabalho na pista foi ofuscado pela confusão fora dela.
A gente sempre tende a tomar partido dos nossos compatriotas, mas, neste caso, acho que não houve um certo. De alguma forma, todos estavam errados e todos perderam a razão, se e quando a tinham. O problema todo começou na pista, em uma ultrapassagem que Hornish forçou, mas Tony não aliviou. Continuou na entrada dos boxes, onde desta vez foi Tony que forçou, e Hornish teve que aliviar. E quando acabou a corrida então...
Bom, quando acabou a corrida, os dois exageraram. Hornish não tinha que ir tirar satisfação com Tony aquela hora. Foi o mesmo erro de Danica Patrick em cima de Dan Wheldon em Milwaukee. Só que lá o inglês soube manter a calma e domingo foi o único que conseguiu tirar Tony da briga. Não vou julgar ninguém porque não sei o que foi dito (acredito que nada muito agradável, muito pelo contrário). Sei também que falar é fácil, difícil é agir, e que deve ter sido praticamente impossível para Tony se controlar e ficar quieto. Concordo completamente que o pai de Hornish exagerou e não tinha nada que empurrar o brasileiro, não importa o que ele estava falando. Mas Tony perdeu completamente a razão, se a tinha, quando deu um tapa em Hornish. No final das contas, o piloto norte-americano foi quem realmente não encostou a mão em ninguém. Punição para todos é mais do que justa, inclusive para as equipes, que tiveram seus mecânicos envolvidos na confusão. Lamentável.
Acho lamentável também a mídia que explora esse tipo de coisa. Ok, barracos, brigas e confusões atraem a atenção do público, mas e o automobilismo? E a vitória de Dixon, e o trabalho da Ganassi? Parece que ninguém se importa com isso. Talvez por essas e outras que o tipo de comentário que eu mais vi nos últimos dois dias foi "essa briga foi a coisa mais emocionante que aconteceu na IRL este ano". Ok, a IndyCar pode não estar nos seus melhores dias, mas definitivamente acho que essas pessoas não acompanham a mesma categoria que eu.
De bonito nessa zona toda, só mesmo a atitude de Marco Andretti, talvez a pessoa mais jovem que estava lá. Gostei de ver a postura dele de segurar o pai e não se envolver em uma briga que não era dele. Antes disso, ele também foi tentar acalmar Tony Kanaan, mas não teve o mesmo sucesso. Se todos agissem assim, talvez só existissem brigas onde elas devem acontecer: dentro da pista, mas de maneira limpa, claro.
Flávia Mayrink
Flávia Mayrink, 31 anos, mora no Rio de Janeiro. Começou escrevendo no site IndyBrasil, um dos poucos que cobria exclusivamente a Cart. Criou em 2002 o site SuperLicença com sua irmã Graciela, onde também é responsável pela IRL IndyCar Series. A coluna é publicada toda terça-feira após as corridas da categoria.
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