Tinha que ser na última curva (11/09/07)
Fiquei um bom tempo sentada em frente ao computador pensando em como começar esta coluna. Ainda estou aqui, morrendo de pena de Scott Dixon não por ele ter perdido o título domingo, mas sim da forma que foi. Expressões como “isso é automobilismo”, “acontece”, me soam muito superficiais nesta situação, e ninguém imagina a frustração que ele deve ter sentido e provavelmente ainda está até agora.
Eu havia decidido torcer para Dixon após o GP de Sonoma, onde Dario Franchitti praticamente jogou o título fora, aliado a uma estratégia não muito agradável de sua equipe. Claro que agora nada importa mais, ele foi campeão, mas o escocês poderia ter chegado em Chicago mais folgado do que chegou. Já aconteceu, mas Franchitti tinha tudo para perder, enquanto Dixon tinha tudo para ganhar. Na verdade, analisando friamente, foi o que aconteceu na última volta: Franchitti não venceu, Dixon é que perdeu.
No final das contas, o resultado foi justo. Franchitti fez uma temporada muito boa, apesar de algumas trapalhadas no meio do caminho. Nada que me conforme, pois não acho que ele seja piloto para vencer campeonato e as 500 Milhas, ainda mais as duas coisas na mesma temporada. Mas conseguiu. Melhor para ele, pior para a categoria.
Melhor porque não dá para imaginar o que uma nova perda de um título poderia causar na carreira dele. Sei lá, essas coisas deixam marcas... Até porque seria outro título que ele perderia onde o resultado em apenas uma corrida teria feito toda a diferença. No caso de 2007, com certeza Sonoma.
E pior para a IndyCar pois tudo indica que Franchitti não continua lá em 2008. Até o fato do escocês não querer anunciar por enquanto o que fará na próxima temporada já demonstra que ele deve mesmo ir para a NASCAR. Só não confirmou isso agora para poder aproveitar o status do título. E a categoria ficará sem seu campeão.
Para encerrar, lamento por Sam Hornish Jr. não ter sido beneficiado também pela direção de prova, assim como Dixon e Franchitti, na bandeira amarela de Vitor Meira, pois o norte-americano é quem realmente merecia vencer em Chicago. E fico esperando para que nossos representantes voltem em 2008 com força total, em busca do título, para que, quem sabe, no próximo ano eu tenha um piloto pelo qual realmente torcer na última prova.
Flávia Mayrink
Flávia Mayrink, 31 anos, mora no Rio de Janeiro. Começou escrevendo no site IndyBrasil, um dos poucos que cobria exclusivamente a Cart. Criou em 2002 o site SuperLicença com sua irmã Graciela, onde também é responsável pela IRL IndyCar Series. A coluna é publicada toda terça-feira após as corridas da categoria.
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