Tony Kanaan

Tony Kanaan, primeiro brasileiro a ser campeão da IRL IndyCar Series, falou com exclusividade ao site SuperLicença.
SuperLicença - Como você se sente ao ser o primeiro brasileiro a conquistar o título de campeão da IndyCar Series? Tony Kanaan - É maravilhoso, uma sensação do dever cumprido. A realização profissional é muito grande e, cada dia que passa, assimilo o campeonato que conquistei. Simplesmente, o máximo.
SL - Em 2003, você perdeu o título na última corrida e em 2004 foi campeão com uma etapa de antecedência. O que mudou neste 1 ano, tanto em você quanto na equipe? TK - Sempre falei no ano passado que para ter ganho o campeonato, deveríamos ter ganho mais corridas. Esse ano, conquistei 3 vitórias importantes e todos os meus 14 resultados consecutivos entre os cinco primeiros, nas 15 etapas que disputamos. Com certeza, a Honda também fez toda a diferença esse ano, fornecendo um motor impecável, com muito potência e confiabilidade. Nada mudou em relação à equipe, ou mesmo, em mim. Acho que esse ano nós conhecíamos mais, e isso sempre ajuda.
SL - O que foi mais difícil, se é que existiu alguma coisa, neste ano para conquistar o título de campeão da IndyCar Series? TK - Conquistar um título dessa magnitude nunca é fácil. Você sempre tem que manter a própria motivação e a do time também. Conseguimos fazer isso muito bem. As dificuldades são enormes, pois a categoria é muito disputada e andamos muito perto um dos outros. Acho que me manter fora dos acidentes e dos problemas mecânicos são sempre os pontos chaves.
SL - Qual o balanço que você faria desta temporada na IndyCar Series, analisando seu desempenho e o da equipe Andretti Green como um todo? TK - Foi excelente, a equipe conseguiu resultados muito expressivos e estou muito orgulhoso de todo mundo. Até agora, foram 8 vitórias do nosso time e o Dan Wheldon ganhando no Japão foi muito legal para nós. Todos estão de Parabéns, pois todo mundo deu mais de 100% de si próprio para cada conquista. Minha análise pessoal é que foi o ano que menos cometi erros. Realmente, foram muito poucos, especialmente se você considerar que as chances que temos de cometê-los são enormes. Foi uma temporada maravilhosa.
SL - Apesar de ter quatro pilotos, o clima na Andretti Green é de amizade e companheirismo, ao contrário de equipes que contam com apenas dois pilotos. Qual o segredo para esta união e a boa convivência entre vocês? TK - Na verdade, quando me juntei ao time, o Dario já estava lá há muitos anos e ele sempre foi, e é, um grande amigo pessoal. Acho que nós dois conseguimos construir uma união muito grande entre todos os integrantes. O Bryan Herta é um piloto muito experiente e ajudou muito no processo também. O Dan, como o mais novo, percebeu que aquele espírito de equipe iria ajudá-lo muito, pois era uma chance que muito poucos pilotos têm de estar guiando numa equipe do Michael Andretti, e ele abraçou essa oportunidade com toda a força. Somos muito leais um com os outros, porém, nunca deixamos de disputar lado a lado todas as corridas.Todo os pilotos entenderam que essa união seria benéfica para todos e ai está o resultado. Ganhamos o campeonato e o Dan tem muitas chances de chegar em segundo lugar.
SL - Você sofreu vários acidentes graves em sua carreira. Como você definiria, em palavras, essa situação difícil e como você trabalhou a mente para reverter tudo isso e transformar os problemas em sucesso? TK - Isso faz parte da carreira de um piloto. A primeira capotada de Kart na minha vida deveria ter 10 ou 11 anos. Os acidentes sempre aconteceram e lido com eles de uma maneira natural, como qualquer coisa que acontece errado no dia a dia do trabalho de uma pessoa, só que no caso do piloto, o risco está sempre ali. Toda vez que tive um acidente de carro, a minha vontade de voltar a guiar era impressionantemente grande. O tempo de recuperação parece 10 vezes mais longo do que realmente é e isso te deixa um pouco ansioso, porém nunca tive nenhum problema de adaptação ao carro após um acidente.
SL - Como está sua expectativa para voltar a correr em circuitos mistos no próximo ano? TK - Estou muito ansioso de verdade. Eu cresci guiando em circuitos mistos e poder voltar a guiar neles vai ser o máximo, especialmente porque as 3 pistas que vamos correr são muito boas e desafiadoras. Não vejo a hora de poder começar a testar nos circuitos mistos.
SL - Você é o piloto da IndyCar Series que tem o contrato mais longo, até 2008. Isso prova que você está totalmente envolvido com a categoria? Há alguma outra categoria que lhe atraia, que gostaria de correr? TK - Hoje tenho um compromisso com o meu time até 2008 e estou muito feliz aonde estou. Quero muito ganhar a corrida de Indianápolis e vou fazer todo o possível para realizar esse sonho. Não tenho outras aspirações no momento.
SL - O que você faz momentos antes de uma corrida? Como é sua concentração? TK - Geralmente vou para o motorhome que tenho na pista e fico lá quieto assistindo televisão e conversando com a minha mulher. Tento ficar o mais quieto possível.
SL - Qual a sua pista favorita? TK - Interlagos, porque foi a minha primeira pista que corri e porque está no meu país.
SL - Você sente falta de disputar uma corrida no Brasil? TK - Sem dúvida nenhuma, você poder correr com o calor da torcida a seu lado, é muito bom. Infelizmente, a curto prazo não vejo a possibilidade, a não ser a corrida de Kart da Granja Viana, que vou fazer no final de ano. Sinto muita falta.
SL - Você já dirigiu um Stock Car. Você considera a possibilidade de correr na categoria quando deixar o monoposto? TK - É capaz que no final do ano eu experimente um carro de Stock, tenho acompanhado pela televisão as corridas e estou muito impressionado. A categoria se profissionalizou de uma maneira muito legal. Os patrocinadores estão contentes e o público é muito bom. Muitos pilotos jovens estão se juntando à categoria e isso também contribuiu para o melhor nível das corridas. Com certeza, é uma excelente opção para o futuro.
SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo? TK - Tenho um dia a dia normal como todo mundo. Tenho um escritório em Miami, e vou lá, basicamente, todos os dias. A minha mais nova paixão estão sendo as bicicletas. Tenho pedalado muito, todos os dia na verdade. É um esporte que me dá muito prazer e tenho me dedicado muito. Sair com a minha mulher é sempre prioridade. Fazemos bastante coisas juntos: cinema, jantar fora, casa de amigos e tudo mais. Agora, no final do ano, vou ao Brasil e minha rotina muda um pouco, pois parece que lá estou de férias o tempo todo. É o máximo.
|