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Xandinho Negrão









Xandinho Negrão, atual campeão da Fórmula 3 Sul-Americana, falou com esclusividade ao SuperLicença. O piloto disputa a GP2 em 2005








SuperLicença - Como foi o início da sua carreira?

Xandinho Negrão - Comecei aos 10 anos, quando ganhei um kart de presente da minha mãe. No começo, automobilismo para mim era apenas diversão, eu não participava de campeonatos, somente treinava. Minhas primeiras competições foram em 1998, aos 12, 13 anos.

SL - Qual foi a melhor corrida da sua carreira?
XN - Foram as de Curitiba no ano passado, pela Fórmula 3 e pelo Brasileiro de Endurance. Na F-3, meu carro era inferior e mesmo assim consegui ganhar. No Endurance, conseguimos superar dificuldades e assumimos a liderança no final. Foi um dia que deu tudo certo. Eu estava inspirado naquela prova.

SL - Qual foi o pior momento que você já passou na pista?
XN - Acho que foi em Tarumã no ano passado, na Fórmula 3. Chovia bastante e eu era o líder, quando rodei e precisei abandonar. Me senti mal naquele dia porque era uma corrida que eu tinha todas as condições de ganhar.

SL - O que você faz momentos antes de uma corrida? Como é sua concentração?
XN - Gosto de ficar calmo e quieto num canto, mas isso antes da prova é praticamente impossível porque os boxes são sempre muito agitados. Mas sempre dou uma alongada, faço uma massagem. Isso para mim já serve como um relaxamento. Quanto entro no carro, uns cinco minutos antes de ir para a pista, procuro me focar e me concentrar ao máximo. Na volta de apresentação, sempre faço uma prece pedindo proteção.

SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo?
XN - Adoro ir a praia, fazenda. Gosto muito de praticar esportes ao ar livre e dormir bem. Amo natureza.

SL - Qual seu maior ídolo?
XN - Meu pai.

SL - Como é carregar um sobrenome tão tradicional no automobilismo brasileiro? Você sente, ou já sentiu, alguma pressão por causa disso?
XN - Senti um pouco de pressão no começo de carreira, mas já passou. Sempre lidei bem com isso, não era algo que me atrapalhava. Pelo menos por enquanto, correspondi às expectativas das pessoas que cobravam bons resultados meus por causa da experiência da minha família no automobilismo. Como agora vou para a Europa, partirei totalmente do zero. Serei apenas mais um piloto tentando buscar meu espaço.

SL - Como você analisa a temporada passada, quando foi campeão da F3?
XN - O começo da temporada foi muito bom, como a equipe imaginava. Ganhei quatro corridas. Depois tivemos uma fase de instabilidade e ficamos quatro provas sem vencer, mas nos recuperamos e conseguimos ganhar seis vezes seguidas. Não esperava passar por aquele sufoco para fechar o campeonato. Sempre fui contra a mudança do motor nesta fase. Eu era o único que tinha muito a perder, não apenas pela possibilidade de quebra, mas também pela queda de performance. Meu motor era o mais fraco deste lote. Por isso, nas corridas finais em Interlagos pilotei constantemente de olho no título e sempre virando de dois a três segundos por volta mais lento que os outros.

SL - Você sentiu alguma pressão em 2003 por ter ocupando o lugar do Nelsinho Piquet, que dominou o campeonato anterior?
XN - Não. Todos falaram, criaram expectativas, mas eu sabia que vivia uma realidade diferente da que o Nelsinho experimentou em 2002. A própria equipe mudou e o nível da categoria aumentou em 2003. Vários recordes foram batidos naquela temporada, já que o investimento financeiro na F-3 cresceu. Lembro de uma prova em Paraná, na Argentina, que o Nelsinho largou na pole bem à frente dos demais. No ano seguinte, fiz um tempo 0s4 melhor que o dele em 2002 e saí apenas em terceiro, 0s6 atrás do pole. A diferença de um campeonato para outro foi grande.

SL - Como você vê a situação que a Fórmula 3 Sul-Americana se encontra no momento?
XN - É um momento difícil. Ou a categoria cresce com a chegada dos novos motores ou se complica. A Fórmula 3 é um campeonato muito forte, de bastante tradição, por isso acho que a categoria tem tudo para evoluir. É preciso considerar que a falta de dinheiro no mundo todo não atrapalha apenas o automobilismo, é uma crise generalizada. A Fórmula 3 vive um momento de transição, mas tem chances de superar essas dificuldades.

SL - Como foi disputar o Campeonato Brasileiro de Endurance com seu pai e seu tio?
XN - Foi ótimo, já que só em provas longas podemos nos revezar e ter esta "corrida em equipe e família". O Endurance serviu para me dar o condicionamento físico e concentração que certamente vou usar na GP2, que tem corridas de 180 km. Guiar o Audi DTM foi fantástico. O carro é muito rápido e gostoso de se pilotar.

SL - Como está sua expectativa para estrear na GP2?
XN - Pretendo correr na GP2 durante três anos. O primeiro será de experiência, aprendizado, conhecimento de pista. No segundo, vou tentar conseguir resultados melhores. A terceira temporada será a definitiva para eventualmente me destacar e chegar onde quero, que é a Fórmula 1. Minha meta inicial é conhecer as pistas e me adaptar ao carro, que tem 600 cavalos contra os 230 da Fórmula 3.

SL - Qual seu objetivo de carreira para o futuro?
XN - Pretendo chegar à Fórmula 1, mas sei que o caminho é longo e complicado. Para se alcançar este objetivo, apenas o talento do piloto não basta. A política é sempre muito grande.

 

 
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Giedo van der Garde, campeão da World Series by Renault em 2008


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