Felipe Massa

Felipe Massa, piloto da equipe Sauber de Fórmula 1, falou com exclusividade ao SuperLicença.
SuperLicença - O que você espera desta temporada, após seu início e com as mudanças no regulamento para 2005? Felipe Massa - Acho que poderá ser uma boa temporada. Fomos bem nos testes de inverno, mas não levei sorte na Austrália, por causa da chuva na classificação. Tivemos problemas na Malásia, mas reagimos no Bahrein. Ainda temos muito trabalho pela frente e adversários que estão em crescimento, como Toyota e Red Bull. Mas ainda acredito que o resultado deste domingo poderá ser repetido ao longo do ano e que voltarei a pontuar com certa regularidade.
SL - Apesar da Sauber ter um moderno túnel de vento, e após os testes realizados lá e na pista, o desempenho da equipe no início da temporada não está sendo o esperado e a equipe está andando atrás da Toyota e Red Bull, por exemplo. A que você atribui isso? FM - A Fórmula 1 é assim mesmo. As coisas podem mudar rapidamente. Por isso que é fundamental trabalhar incansavelmente, porque é exatamente isso o que os outros estão fazendo. No caso da Toyota, a equipe aparentemente conseguiu rapidamente evoluir um carro que não parecia tão bom num primeiro momento. A Red Bull surpreendeu a todos, mas temos potencial para ir atrás deles.
SL - Em que você acredita que lhe ajudou ficar um ano como piloto de testes da Ferrari ao invés de continuar competindo pela Sauber? FM - Aprendi muito dentro da Ferrari, a melhor equipe da Fórmula 1 e dona de uma estrutura invejável. Vivi de perto o dia-a-dia de uma equipe grande e acompanhei bem de perto o trabalho de pilotos do nível do Michael Schumacher e do Rubens Barrichello. Foi uma excelente escola, não tenho dúvida. Tanto que acredito que tenha evoluído bastante desde então. Continuei com minhas características, principalmente a velocidade, e me tornei mais eficiente.
SL - O que mais impressionou você na Ferrari? FM - A organização. Tudo funciona muito bem. Além da estrutura, com pistas de testes próprias em Mugello e Fiorano, o material humano também é excelente.
SL - Ter uma ligação tão forte com a Ferrari não pode dificultar as negociações com outras equipes? FM - Meu contrato é com a Sauber e vai até o final deste campeonato. Minha maior ligação, na verdade, é com o filho do Jean Todt, já que o Nicolas é meu empresário.
SL - A Sauber costuma trabalhar a construção do chassi em função do motor Ferrari? Se sim, como isso é feito?
FM - O chassi é desenhado de acordo com o motor que será usado. Para que o motor possa ser instalado sem problemas, o chassi é produzido levando em contas características como peso e dimensões. Você não pega qualquer motor e coloca no carro, porque ele precisa conter as medidas que a construção do chassi considerou.
SL - Ainda há engenheiros da Ferrari trabalhando com a Sauber, por causa dos motores? FM - Sim, há vários deles, presentes tanto nos testes quanto nas corridas.
SL - Como funciona o trabalho de um piloto no desenvolvimento dos pneus? Qual o contato de vocês com o fabricante? FM - Toda vez que vamos testar um novo pneu, seja com construção ou composto diferentes, andamos inicialmente com o modelo padrão para aquela pista. Depois, apresentamos um relatório com todas as informações que coletamos, coisas como tração, aderência, desgaste, etc. Todo esse contato é feito diretamente com o pessoal da Michelin, no caso da Sauber. Durante os finais de semana de corrida, temos reuniões periódicas com os técnicos da Michelin, para decidir a escolha dos pneus para a classificação e a prova.
SL - O que você faz momentos antes de uma corrida? Como é sua concentração? FM - Não tenho qualquer ritual de preparação. Na verdade, o desfile dos pilotos, nossa última atividade antes da corrida, termina cerca de duas horas antes da largada. Procuro almoçar levemente logo depois e acabo ficando pelos boxes ou no motor-home. O tempo acaba passando naturalmente; quando vejo, já é hora de sentar no carro.
SL - Como é seu relacionamento com seu novo companheiro de equipe? FM- Temos um relacionamento normal, cordial e sem muita intimidade. O (Jacques) Villeneuve tem a personalidade dele, prefere ficar um pouco mais isolado.
SL - Na sua opinião, dos três companheiros que você teve até hoje na Fórmula 1, qual reúne as melhores características como piloto? FM - Acho que é o Giancarlo Fisichella. Ele me parece um piloto mais completo, já que é rápido e constante. Mas o Nick Heidfeld também é muito bom e a diferença dele em relação ao Fisichella é bastante pequena.
SL - Qual a sua pista preferida? Por quê? FM - Gosto de pistas com curvas velozes. Por isso, as que mais aprecio são Spa e Suzuka. São as pistas onde você melhor aproveita a sensação de pilotar um Fórmula 1.
SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo? FM - Coisas normais. Fico em casa, vou ao cinema, freqüento a academia para cuidar da preparação física, gosto de ir a restaurantes. Mas o problema é que o tempo livre é raro durante o campeonato, porque estou sempre treinando ou correndo e, portanto, passo a maior parte do ano viajando.
SL - Do que você mais sente falta no Brasil? FM - De tudo. Da família, dos amigos, do clima, da comida... E, principalmente, daquela atmosfera bem mais descontraída que só existe aí no Brasil.
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