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Ricardo Mauricio




Ricardo Mauricio, piloto da equipe L&M Racing da Stock Car V8, falou com exclusividade ao SuperLicença.




SuperLicença - Como foi o início da sua carreira?

Ricardo Mauricio - O inicio da minha carreira foi em 1989 no Kart. Eu tinha 10 anos, acompanhava sempre as corridas, até que um dia eu, meu irmão e meu primo ganhamos um curso de pilotagem de meu pai, mas apenas eu me interesse realmente pelo esporte e estou aqui. Foi brilhante, logo depois ganhei um kart e nunca mais quis parar, nem pensava no caso de parar. Graças a Deus estou no automobilismo até hoje, mesmo com tantas dificuldades que os pilotos brasileiros têm em continuar a carreira.

SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo?
RM - Muitas coisas, esportes em geral, gosto de acampar, sair com os amigos, a maioria são pilotos pra variar (risos). Estamos sempre juntos. Gosto de viajar e muitas outras coisas. não tenho um hobby preferido, eu gosto de quase tudo.

SL - Você tem algum tipo de superstição antes de entrar na pista?
RM - Não. Já tive no passado, mas vi que isso não muda nada, quando é pra ser será.

SL - Qual sua pista preferida aqui no Brasil e no exterior?
RM - No Brasil gosto muito de Interlagos e Curitiba. Não conheço o Rio ainda, mas parece ser um circuito muito seletivo. No exterior são duas as que gosto mais: Spa e Macau, totalmente diferente uma da outra, mas pra mim são as melhores. Gostaria muito de conhecer Suzuka, parece ser um circuito e tanto.

SL - Você acredita que a F-3000 foi um campeonato válido para o automobilismo?
RM - Com certeza todos os campeonatos internacionais são validos, sempre muito fortes e competitivos. Isso faz com que a gente cresça e aprenda a cada dia. Devido à dificuldade dos pilotos em arrumar patrocínio, acabou a categoria, mas isso eu também acho que foi devido à falta de atenção com os organizadores do evento. Só porque nós corríamos com a Formula 1 não tínhamos direito a quase nada, não tinha treino no fim de semana da corrida, isso era um absurdo. Íamos direto pra classificação e corrida, e isso fez com que os pilotos perdessem o interesse e os patrocinadores também, porque, com isso não podíamos acertar melhor os nossos carros. Então era meio que uma loteria. O que a gente achava que ia dar certo na classificação, ia desse jeito, e também nós conseguíamos aproveitar os pneus zero logo apos a abertura do box nas três primeiras voltas. Isso devido a borracha dos pneus da Fórmula 1, que nos ajudavam bastante. Depois disso, a pista piorava meio segundo ou mais e não conseguíamos aproveitar os outros dois jogos de pneus que ainda restavam. Então no começo da classificação era tudo ou nada.

SL - Você chegou a testar um carro da IRL, pela Cheever Racing, e agradou bastante a equipe. O que não deu certo para que você competisse nos Estados Unidos?
RM - Foi uma experiência e tanto! Adorei a categoria, mas acabou não dando certo porque na época tinha, e ainda continua, o interesse da Red Bull em incentivar os pilotos americanos. Quando eu fiz o treino foi em 2002. Tinha dois carros correndo, mas no ano seguinte a categoria começou a encarecer muito e a Red Bull cortou um carro, então, mesmo eu tendo andado pela primeira vez e ter sido mais rápido que o piloto oficial na equipe Red Bull aquele ano, o Budy Rice, eles continuaram com ele por ele ser americano.

SL - Como foi entrar na F-3 Espanhola com o Campeonato já começado e dominar toda a temporada, conquistando o título da categoria?
RM - Foi ótimo. Eu acabei voltando uma categoria na minha carreira: depois da F-3000 voltei pra F-3, por falta de patrocínio. Isso foi depois do teste na IRL, mas foi ótimo. Ela é uma categoria muito forte em comparação às outras F-3 da Europa, muito bom em termos de custos e uma premiação para os pilotos muito boa também. Fiz muitas amizades lá, foi um ano brilhante. Na verdade tive dificuldades no começo a me readaptar com o carro, depois de quatro temporadas na F-3000. Os carros são totalmente diferentes no estilo de guiada, e com isso foi difícil no reencontro com o F-3, mas tudo foi bem trabalhado. Eu acabei chamando um engenheiro espanhol pra trabalhar comigo muito bom, e conseguimos chegar em um acerto do carro muito bom, o que nos levou ao título, com muito esforço e empenho de toda a equipe e muito trabalho.

SL - Você sempre conseguiu bons resultados nas categorias onde passou e nos testes que realizou. Como é o seu processo de adaptação a um novo carro?
RM - Eu tento mudar o meu foco em todas as vezes que ando em carros diferentes, sempre vejo como funciona em cada carro o estilo de pilotagem e tento mudar o meu estilo da melhor forma possível. Tento sempre esquecer o jeito que eu piloto os outros carros e me concentro ao máximo naquele carro, naquele dia. É assim que eu penso e acho que de uma forma ou de outra acaba dando certo. já andei em diversos tipos de carros: kart, F-Ford, F-Chevrolet, F-3, F-3000, IRL, etc, Porsche, Stock Car e outros tipos que venho testando pela revista Racing

SL - Você já testou carros de turismo na Europa. Sentiu muita diferença entre os pilotos de lá e os da Stock brasileira?
RM - Já testei Porsche GT3. Não vejo diferença nenhuma. São todos pilotos muito bons, rápidos, técnicos, arrojados, mais isso cada um sabe o seu jeito de fazer. Lógico que o estilo de guiar cada um tem o seu, mas na hora do cronômetro todos são extremamente rápidos, por isso estão em categorias principais no automobilismo e são reconhecidos internacionalmente. Pilotos que onde forem correr irão se destacar com certeza.

SL - Como foi a mudança de monoposto para turismo? Você encontrou muitas dificuldades?
RM - Foi tranqüila. Tentei aprender o máximo possível nessa transição. Foi um crescimento muito bom na minha carreira. Lógico que todos nós temos alguma dificuldade em adaptação em carros diferentes que nunca andamos anteriormente, mas com calma e muito trabalho tudo acaba dando certo.

SL - Você é um piloto rápido nas pistas, mas vem enfrentando problemas com patrocínio. Como está sendo lidar com isto?
RM - É muito difícil essa parte, não só eu como muitos pilotos encontram essa dificuldade. Eu também acredito em patrocinador fiel. Os patrocínios que estão por aí vêm vindo ao decorrer dos anos junto com os pilotos que iniciaram com eles, isso eu acho muito legal. Mais quem sabe eu consiga reverter esse meu ponto fraco. Gostaria muito também de poder trabalhar com alguém do meu lado em busca de patrocínio, mas não é sempre que as coisas acabam acontecendo como poderiam ser ou quase foram. Até as coisas não estarem assinadas, nunca se sabe o que vai acontecer no dia seguinte.

SL - Qual o seu objetivo para o futuro? Pretende continuar na Stock Car Brasileira ou tentar alguma categoria no exterior?
RM - Por enquanto eu não estou pensando em sair da Stock Car não, estou muito feliz em poder guiar com pilotos deste nível em uma categoria tão competitiva e um campeonato tão acirrado. Lógico que por aí tem várias categorias também, mais estou feliz onde estou. Gosto sempre de pensar no momento, no meu trabalho agora, em desenvolver meu carro junto com a minha equipe e com isso as coisas acontecem naturalmente. Novas categorias e novas propostas, tudo é valido e temos que considerar todas com muito carinho. É o nosso futuro que esta em jogo. Mas quem sabe o Brasil não abra as portas para a Nascar, como o Cacá Bueno está fazendo. Tudo isso vem ao decorrer de um trabalho em família de toda a Stock Car, uma família que só tende a crescer a cada ano. Por isso que estamos sendo respeitados e reconhecidos em categorias internacionais.

 

 
ENTREVISTA EXCLUSIVA

Giorgio Pantano, atual líder da Fórmula GP2


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