Jaime Câmara

Jaime Câmara, piloto da equipe Andretti Green na Indy Pro Series, falou com exclusividade ao SuperLicença.
SuperLicença - Como foi o início da sua carreira? Jaime Câmara - Eu cresci indo para os autódromos porque meu pai correu de superkart e Fórmula 200. Quando eu tinha 12 anos, ganhei um Kart do tio Dalton Regis, que faleceu logo depois.
SL - O que fez que você tomar a decisão de ir para a Pro Series? O fato do campeão de 2004 ser brasileiro teve alguma influência? JC - Eu tinha mais vontade de correr na Formula Indy do que na Fórmula 1. A realidade é que a Fórmula 1 era muito difícil, pois quando eu decidi tentar correr fora, já tinha 24 anos e nenhum plano de carreira formado para ir para a Europa. Nos EUA, já tinha uma noção de como ir e para qual equipe. Depois do teste que eu fiz na Sam Schmidt, em outubro de 2004, tive a certeza que era aqui que eu queria correr, pilotar no oval e ter uma experiência que só posso explicar depois que você pilotar. Os carros ficam a 30 centímetros de distância do seu, é uma sensação incrível. Eu conheço o Thiago (Medeiros), que foi o campeão em 2004, mas não tomei minha decisão de correr aqui porque ele foi campeão, e sim, devido à meta na minha carreira que é chegar na Indy, e o melhor caminho para chegar lá é a Indy Pro Series.
SL - Como foi sua primeira experiência em um circuito oval? JC - A primeira vez que eu andei num oval foi em Kentucky, em outubro de 2004. A velocidade me impressionou muito e também a precisão que você tem que virar o volante no oval. Os engenheiros me ajudaram na pista para eu entender como achar a melhor linha. No primeiro teste, eu tinha muito downforce no carro para ter mais estabilidade e não ter nenhuma surpresa, até porque era um carro novo para mim e eu ainda não sabia quais eram as reações dele num oval. Mas no fim dos treinos, não via a hora de fechar meu contrato para poder pilotar o carro de novo.
SL - Você está em uma nova categoria, em um novo país, com pistas novas. O que foi mais difícil na sua adaptação no ano passado? JC - Como eu venho aos EUA desde criança e conhecia bem Miami, que é aonde eu moro hoje, não foi difícil para me adaptar a morar aqui. Sobre as pistas, como a categoria treina muito pouco e em poucas pistas, o primeiro ano foi para conhecê-las e as reações do carro. A maior dificuldade que eu tive no primeiro ano foi o tráfego nos ovais, pois é difícil andar todo mundo junto. A cada corrida que passava, eu aprendia mais alguma coisa e me adaptava mais ao carro.
SL - Você venceu duas provas e largou três vezes na pole na categoria, todas em circuitos ovais, inclusive em Indianápolis. Em Nashville, você liderou todas as voltas da corrida. A quê você deve essa rápida adaptação a um tipo de pista totalmente diferente do que você estava acostumado? JC - 2005 foi o primeiro ano que a categoria correu em circuitos mistos, e a minha equipe podia treinar no circuito oval ou nos mistos porque não daria tempo de fazer uma pré-temporada nos ovais e nos mistos. A equipe preferiu treinar nos ovais porque eu não tinha experiência. Isso foi muito bom porque eu consegui me adaptar rápido nos circuitos ovais, entendendo mais do carro e sempre escutando muito o que o Tony (Kanaan) me falava para tentar ganhar o máximo aprendizado. O que aconteceu foi que nós desenvolvemos muito o carro nos circuitos ovais, e eu consegui entender melhor como pilotar nesse tipo de circuito, sabendo qual era a linha para andar.
SL - No ano passado, a sua equipe, a Sam Schmidt, contou com três pilotos. Como isso ajudou e/ou atrapalhou você? JC - Me ajudou um pouco porque teve algumas provas que o Travis (Gregg) era mais rápido, então conseguia saber aonde melhorar. Não me atrapalhou em nada, mesmo nas provas que eu era mais rápido e eles tentavam o meu acerto.
SL - Este ano, você corre pela Andretti Green, equipe que conquistou os dois últimos títulos na IndyCar e que, em 2005 na Pro Series, obteve 3 vitórias em 6 etapas disputadas. Com uma equipe com este retrospecto, seu objetivo este ano, provavelmente, é o título. O que você acredita que vai ser mais difícil nesta disputa? JC - A categoria é muito competitiva, então, eu não subestimo nada. Eu e a equipe vamos dar o melhor de nós para lutar pela vitória em todas as corridas e, conseqüentemente, o título. Esse ano, a suspensão dianteira mudou para dual shock, então nós vamos ter que adaptar os acertos para o novo sistema. Eu testei recentemente no Texas e achei o carro mais estável sobre as ondulações, mas ainda temos muito trabalho na pré-temporada.
SL - O fato de nenhum campeão da Pro Series ter uma vaga garantida este ano na IndyCar o preocupa? JC - Me preocupa o fato de nenhum campeão da IPS ter vaga garantida na Formula Indy, mas cada piloto tem a sua forma de trabalhar nos bastidores para conseguir atingir seus objetivos, e eu sempre consegui trabalhar muito bem essa parte, por isso que hoje faço parte da Andretti Green Racing.
SL - Quais são os seus planos para o futuro? Você pretende correr somente na IndyCar ou a Champ Car também é uma opção? JC - A Fórmula Indy é meu objetivo. Se no futuro acontecer alguma coisa que mude os meus planos, ai vou começar a pensar em outras categorias.
SL - Do que você sente mais falta no Brasil? JC - Da minha família.
SL - O que você faz momentos antes de uma corrida? Como é sua concentração? JC - Antes das corridas, estou sempre reunido com os engenheiros da equipe para discutir a nossa estratégia e também converso muito com o Tony. Ele consegue tirar muitas dúvidas que eu tenho, por isso fico mais focado no carro para a corrida.
SL - O que você costuma fazer quando não está correndo? JC - Quando não estou correndo, e nem treinando, eu malho muito. Eu pedalo 2 vezes por semana, faço Muay Thay 2 vezes por semana, corro de 2 a 3 vezes por semana e vou a academia para levantar peso de segunda a sábado. No lazer, vou à praia e saio muito pra jantar com minha esposa e os amigos.
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