Cristiano da Matta

Cristiano da Matta, piloto da equipe RuSPORT e campeão da Fórmula Mundial em 2002, falou com exclusividade ao SuperLicença.
SuperLicença - Como foi o início da sua carreira? Cristiano da Matta - Comecei como todos os pilotos de nossa época, no kart. A equipe era eu, minha família e um mecânico.
SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo? CDM - Gosto muito de esporte. Pratico ciclismo e moutain bike todos os dias que estou em casa. Também gosto de competir principalmente no moutain bike. Adoro música. Ouvir música me deixa mais tranquilo. Toco guitarra também. Sou guitarrista de uma banda de bar que se chama Blue Balls.
SL - Do que você sente falta do Brasil? CDM - Moro fora do Brasil desde 1995. Não sinto mais aquela saudade que dói, como sentia no começo. Acho que eu acostumei. Sinto muita saudade da minha família, da minha namorada e dos amigos.
SL - Qual a sua pista favorita? CDM - Gosto de Elkhard Lake. Tem todo tipo de curva, subida, descida, a pista é longa também. Gosto de circuitos longos.
SL - O que você faz momentos antes de uma corrida? Como é sua concentração? CDM - Tenho um procedimento que sigo antes de toda corrida. Não é nada especial, mas é uma seqüência em que eu me preparo fisicamente. Horário de comer, preparar o capacete e etc. Quando começo a seqüência, automaticamente começo a me focar na corrida, na largada e nas maiores dificuldades que poderei encontrar.
SL - Você foi um dos três pilotos que mudaram de equipe recentemente. Como você vê estas mudanças para o campeonato? CDM - Pra mim foi muito bom. Sair da Dale Coyne e ir pra RuSPORT é ótimo.
SL - Quais foram os maiores problemas que você enfrentou na Dale Coyne? CDM - O Dale Coyne tem um orcamento limitadíssimo. Todas as dificuldades são resultado do orçamento pequeno, que faz com que ele chegue ao extremo de contratar mecânicos só para o final de semana de corrida. Fiz 4 corridas com eles e, nas 4 corridas, pessoas diferentes trocavam os pneus e reabasteciam o carro. E isso é só um detalhe. Ele sabe como fazer as coisas bem feitas, mas não tem o dinheiro necessário.
SL - Como você analisa sua experiência na equipe Toyota na Fórmula 1? CDM - Foi uma experiência estranha. Até hoje não sei se gostei ou não. 2003 eu gostei e acho que andei bem. 2004 a equipe deu um passo gigante pra trás e o carro era um desastre de ruim. Não me lembro de ter me divertido muito em 2004.
SL - Você se arrepende de alguma coisa em sua carreira? CDM - Talvez de ter ido pra F1. Poderia ter continuado na Champ Car guiando pra Newman/Haas. Fui pra F1 e acabei tendo que voltar pra Champ Car. Quando voltei tive que recomeçar de uma equipe fraca e fazer tudo que eu já tinha feito antes, de sair de uma equipe fraca pra conseguir um vaga em uma equipe melhor. Agora, na RuSPORT, eu acho que finalmente estou de volta a um time que me dará condições pra brigar.
SL - Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou na sua carreira? CDM - Não vou falar nada de patrocínio, porque todo mundo fala isso. Acho que foi difícil sair de casa com 21 anos e ir morar na Inglaterra. Eu lembro de ser uma fase que eu não gostei. Uma mudança grande demais pra quem nunca tinha saído do Brasil nem de férias. Tudo muito diferente do que eu pensava.
SL - No final do ano passado, você testou pela primeira vez um carro da Stock Car. Você considera a possibilidade de competir na categoria no futuro? CDM
- Eu gosto muito da Stock. É uma categoria muito competitiva e as corridas são muito disputadas. Tenho muita vontade de correr na Stock, no começo do ano cheguei bem perto de um acordo pra fazer a temporada 2006. Acabei voltando pra Champ Car porque tinha nas mãos a proposta da Coyne, que estava me pressionando pra fechar logo. Na Stock, estavam faltando alguns detalhes que poderiam demorar um tempo ou até mesmo não dar certo. Acabei optando pelo Dale Coyne meio que por falta de tempo. Agora que apareceu a RuSPORT, acho que a decisão foi certa.
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