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Alx Danielsson









Alx Danielsson, campeão da World Series by Renault pela equipe Comtec, falou com exclusividade ao SuperLicença.






SuperLicença - Como foi o início da sua carreira?
Alx Danielsson - Vindo de um lugar com tradição em esqui, eu comecei muito tarde no automobilismo. Minha infância toda envolveu esqui e eu era um dos melhores na Suécia. Eu comecei andando com meus amigos de kart, um pequeno de 85cc. Viciei imediatamente e não tinha mais como abandonar depois. Minha primeira temporada adequada de kart foi em 1998. Depois de me graduar no esqui, em 2000, eu fiz uma cirurgia nos joelhos. Isto foi no mesmo ano que venci o Campeonato da Fórmula Ford Sueca. Depois disto, ficou muito mais fácil escolher que carreira iria seguir. No inverno de 2002, comecei minha carreira internacional, quando fiz o Campeonato de Inverno da Fórmula Ford Inglesa, que venci no ano seguinte. Eu nunca tive dinheiro para assinar com grandes equipes, mas consegui vencer em todas as categorias que competi até então. A primeira e única vez com uma grande e bem conhecida equipe foi com a DAMS em 2005. Este foi o pior ano da minha vida, com um segundo lugar como meu melhor resultado.

SL - Quem é seu ídolo no automobilismo?
AD - Existem muitos pilotos bons. Eu não diria que tenho um ídolo. Eu gosto muito de apreciar o duro trabalho e a dedicação do meu compatriota sueco Kenny Brack, que está completamente envolvido assim como eu. Ele venceu as 500 Milhas de Indianápolis em 1999.

SL - Qual é sua pista favorita?
AD - Assim como muitos pilotos, eu tenho que dizer que é Spa-Francorchamps. O layout de subidas e descidas, a longa reta veloz, as curvas rápidas e o fato dela representar um grande desafio, não apenas com uma grande curva por volta, mas com três. Incrível! Eu também gosto de Dubai, Donington, Imola, Magny-Cours, Barcelona, Mônaco e por último, mas não menos, Monza, pelas ultrapassagens.

SL - O que você gosta de fazer quando não está competindo?
AD - Orçamento, orçamento, orçamento, orçamento, orçamento, preparação física. Cerca de 98,5% (sim) do meu tempo eu gasto em trabalho de orçamento/compromissos de patrocinador/administração. Eu me tornei um homem de vendas, provavelmente muito melhor do que como piloto.

SL - Você teve um ótimo final de temporada, quando venceu 4 das 6 últimas corridas. Fale sobre o desempenho da Comtec no final da temporada e sobre como foi esta recuperação.
AD - Basicamente encontramos um set-up base nos testes da pré-temporada. Lembre-se, a Comtec era uma nova equipe nesta categoria. NINGUÉM na equipe tinha nenhuma experiência, seja ela qual for, na WSR, exceto eu, pela minha meia temporada em 2005 com a DAMS. Começamos do zero. Sempre tivemos um carro que poderia produzir uma volta rápida durante um dia de testes, o que levava tempo para descobrir era como lidar com os pneus para conseguir uma volta durante a janela certa na classificação e como fazer os pneus chegarem na temperatura da corrida rapidamente, sem gastá-los muito. Depois de algumas provas, o "pacote todo" estava melhorando. Nós trabalhamos muito, mas muito com horas de dúvidas e quebrando a cabeça. Meu engenheiro Roly (Vincini) é nada menos que um gênio, e ele estava tão comprometido quanto eu, isto foi o que nos levou a vencer. Se você não faz tudo perfeito em um campeonato cheio de campeões, um dos outros 29 competidores irá fazer e você vai perder. Uma coisa a mais contribuiu para nosso sucesso, o fato de eu não ter tido um único problema técnico, graças ao fantástico trabalho dos mecânicos no meu carro.

SL - Como foi ser campeão com uma equipe estreante?
AD - Inacreditável... Não existe outra palavra. O Jonathan Lewis (dono da Comtec) reuniu uma equipe incrível e eles retribuíram em seu primeiro ano. Acho que as outras equipes grandes ainda estão chocadas.

SL - Qual foi o melhor momento na temporada?
AD - A vitória dupla em Donington Park. Nós estávamos tão sem sorte com as circunstâncias, mas este fim de semana foi mágico. A equipe é inglesa e foi ótimo, porque eles tinham todos os amigos e patrocinadores lá.

SL - E o pior?
AD - Spa. Meu Deus! O (Sebastian) Vettel escapou na minha frente quando eu estava em terceiro na primeira corrida, na Eau Rouge, e um de seus pneus traseiros ricocheteou no Armco e destruiu meu carro. A equipe fez um enorme esforço toda a noite para construir um novo carro a partir do zero, com um novo tubo e tudo mais. Eles começaram às 18h e terminaram na hora do almoço, para colocar o carro no pré-grid a tempo. A única coisa faltando era o rádio. Este carro deu apenas 9 voltas em sua curta vida. Ele estava andando muito bem até este ponto, embora estivesse puxando para a direita quando freava, mas Spa é um circuito de direita e eu estava em segundo, logo atrás do Garcia. Meu pneu traseiro direito explodiu na Blanchemont na volta 9 – a curva mais rápida de todo nosso calendário (270 km/h) –, eu saí rodando direto no muro. Mais tarde, no hospital (no sábado, dia 29 de julho), revendo a temporada, eu não conseguia acreditar. Nós já estávamos na metade e eu tinha apenas com 16 pontos, estava machucado e com uma conta de 160.000 euros em batida (além do seguro). Eu não conseguia acreditar. Nós corremos no fim de semana das 24 Horas de Spa, então era um fim de semana de sexta e sábado (de provas da WS). Eu tinha um compromisso de patrocinador com a Mercedes em Hockenheim no domingo (durante a corrida da F-1), onde eu deveria ser o anfitrião. Então eu peguei todos os remédios que deveria tomar no hospital, respirei fundo e dirigi do hospital de Spa até Hockenheim. Eles mostraram minha batida nos telões da pista entre as corridas do dia seguinte. Depois, eu fui direto para Nurburgring e desmoronei durante 5 dias, recarregando minhas baterias. Sete dias depois da batida, eu conquistei meu primeiro pódio do ano, terminando em segundo em Nurburgring. Minha primeira volta ao carro foi dois dias antes, para os treinos, onde eu fiquei em primeiro. Eu devo ter algum mal funcionamento no DNA.

SL - Você teve medo de perder o título por causa da apelação da Draco, já que Borja Garcia e a equipe Cram venceram suas apelações?
AD - Para ser honesto, não. O que a Draco fez no carro do Pastor (Maldonado) foi uma trapaça muito séria. Com o Garcia era apenas um detalhe sem importância.

SL - Você fez um teste muito bom na GP2 com a iSport, mas seu tempo foi anulado porque o carro estava abaixo do peso. Como você se sentiu em relação a isso?
AD - Não foi grande coisa. Era minha primeira vez em um carro da GP2, eu estava lá principalmente pela experiência no carro. Foi apenas 1 Kg, então eu acho que eles foram muito rígidos...

SL - Como foi sua adaptação em um carro da GP2? O quanto ele é diferente de um carro da WSR?

AD - Eles são muito parecidos. Os freios e o modo de frear são idênticos. A maior diferença é a potência máxima do motor e a pouca tração dos pneus traseiros (do GP2) nas curvas de média. Depois de um tempo, eu entendi porque todo mundo parece guiá-lo como se eles tivessem sido roubados, é apenas o modo de pilotar o carro. Isto o torna muito divertido de guiar, já que você entra com tudo no acelerador e desliza que nem um carro de rali nas curvas. Ao mesmo tempo, é um pouco desapontante, já que ele não parece ser tão guiável como um carro de F-1, pelo que os pilotos que já guiaram ambos falaram.

SL - Como você está se sentindo em relação ao teste que fará em um Fórmula 1 pela equipe Renault?
AD - Estou muito empolgado com isto. Será minha primeira vez em um F-1. Por que não começar por cima? Eu fui convidado para o lançamento do R27 alguns dias atrás, para me encontrar com parte da equipe, e começo a sentir que o dia (do teste) será anunciado em breve.

SL - Quais os seus planos para esta temporada?
AD - Eu estava na disputa por alguns bons lugares de piloto de teste na F-1 e ainda estamos conversando com umas equipes da categoria. Deverei disputar este ano um campeonato e as negociações estão em andamento. Sinto não poder falar muito no momento. Deveremos ter algo oficial durante a primeira semana de fevereiro.

 

 
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