Sandro Tannuri
Durante a 4ª etapa da StockCar, em Londrina, conheci e conversei bastante com o piloto Sandro Tannuri, que foi muito simpático.Conversamos (antes e depois da prova) sobre sua carreira, sobre a própria corrida a ser realizada, o carro e também sobre o lado emocional do piloto.
Antes da Corrida:
SuperLicença - Parabéns pelo aniversário e qual é a sua expectativa de correr hoje? Sandro Tannuri - Não é muito boa, pelas condições que nos encontramos. Não estou largando de uma boa posição e não tenho muita experiência aqui em Londrina, principalmente em condições de chuva, onde se exige muito mais habilidade e experiência por parte do piloto.
SL - Vc acha que a experiência levou Ingo Hoffmann a ser o poleposition ontem e será determinante na prova de hoje? ST - Com certeza. O Ingo (Hoffmann) é, como todos sabem, o piloto mais experiente da categoria. Ele se adapta muito fácil a qualquer situação e ele se aproveitou disso para obter o melhor resultado.
Depois da Corrida:
SL - Sandro, pode-se dizer que você teve uma corrida um tanto quanto conturbada? ST - Talvez. Vinha ganhando posições quando rodei na subida da reta, estava brigando por posição quanto precisei frear na entrada da curva e, por uma infelicidade, ainda havia um pouco de água empoçada naquele local, mas estou satisfeito, pois pontuei novamente. É a segunda vez que pontuo essa temporada.
SL - E quais as expectativas para o decorrer da temporada? ST - São as melhores possíveis. Como lhe disse, pontuei novamente, e a cada dia estou mais adaptado ao carro V8. Espero fazer boas provas daqui para frente e pontuar conseqüentemente.
SL - Como você começou no automobilismo? ST - Bem, eu comecei com 26 anos, correndo de Speed Fusca 1600 e, obtendo bons resultados, hoje cheguei à Stock (Car).
SL - O que passa pela sua cabeça quando você está na pista? ST - Bem... Eu sempre procuro almejar o próximo passo, pois não posso errar. Exemplo: se estou saindo da reta, procuro me concentrar na curva que vem em seguida, em seu ponto de freada, e seu traçado; e assim consecutivamente.
SL - E seu acidente em Tarumã, foi o pior momento da sua carreira? ST - Sem dúvida! Foi uma fatalidade, fiquei muito tempo sem correr por causa desse acidente, mas, graças a Deus, estou bem e de volta às pistas.
SL - Um acidente desses deixa, além de traumas físicos, algum trauma psiclógico? ST - Com certeza! Eu mesmo ainda tenho isso bastante presente dentro de mim. Há momentos que eu sei que poderia ser mais veloz, mas ainda tenho um certo receio, bem... Isso "faiz parti" né... (risos). Isso é coisa que só o tempo que poderá apagar.
SL - Essa é a pior parte desse esporte? Poderíamos até dizer "os ossos do ofício"? ST - Ah com certeza! Mas é algo em que você não pode pensar muito.
SL - Você, como piloto, analisa de que forma a atitude exercida pela Ferrari no último domingo, ao manipular o resultado? ST - Bem, é difícil dizer algo quando se trata da maior equipe de automobilismo do mundo. É um investimento de mais de 350 milhões, a maior tecnologia já aplicada em competições, pra eles o que vale é o resultado e não o que os outros irão dizer. Eles simplesmente optaram por ter o resultado que, pra eles, era o mais conveniente e satisfatório.
SL - Então você não toma uma posição nem contra e nem a favor dessa decisão? ST - Não. Eu prefiro ter uma posição neutra.
SL - Uma declaração de Sandro que particularmente achei fascinante foi que, ao ser questionado sobre o início de sua carreira, fiz o seguinte destaque: você começou de uma forma talvez meio que diferente dos outros pilotos, que geralmente começam bem cedo. Você começou com 26 anos. Isso serve de estimulo para quem sonha com essa carreira? ST - Pra Deus tudo é possível, basta você acreditar que pode, pois enquanto você tiver força para apertar os pedais, os braços para poder manusear o volante e olhos para se ver a pista, nunca vai ser tarde para poder pilotar.
|