Felipe Giaffone
 Felipe Giaffone, da equipe Mo Nunn, venceu a última etapa da IRL, em Kentucky. O brasileiro está em quarto lugar na disputa pelo campeonato e se aproximou ainda mais dos líderes. Muito simpático, o piloto falou com exclusividade ao SuperLicença. SuperLicença - Várias vezes este ano você esteve perto da vitória, mas ela sempre escapava no final. Isso tornou Kentucky especial? Felipe Giaffone - Kentucky foi especial porque tudo deu certo até o fim. Desde o início da temporada temos andado bem, brigando pelas primeiras posições. Então era só esperar o momento certo que a vitória iria acontecer naturalmente. Não estamos naquele tipo de situação em que o time vai mal o ano inteiro e, por sorte, ganha uma corrida. Temos sido constantemente rápidos. É claro, às vezes eu me perguntava: quando essa vitória vai chegar? Por isso foi um alívio ver aquela bandeirada final.
SL - No final, Sam Hornish Jr estava pressionando muito. Você chegou a achar que não conseguiria segurá-lo? FG - Eu sabia que seria eu ou ele, que um poderia ultrapassar o outro até na última volta. O Hornish é muito forte nas corridas, mesmo que não tenha largado bem. Em Richmond, ele passou o Gil (de Ferran) no finalzinho. Mas consegui segurar o cara, é isso que importa.
SL - Como é carregar um sobrenome tão tradicional no automobilismo brasileiro? Você sente alguma pressão por causa disso? FG - Quando eu corria no Brasil, sofria mais pressão por causa do peso do sobrenome Giaffone. Principalmente no kart. Depois que vim para os Estados Unidos, há 7 anos, isso aliviou. Aqui, o nome Giaffone não significa nada. Prefiro assim.
SL – O que foi melhor para você: ser o Rookie of The Year (novato do ano) em 2000 ou ter chegado em segundo lugar nas 500 milhas de Indianápolis? FG - Gostei mais da corrida de Indianápolis, mas não pelo fato de ter ficado em terceiro lugar, mas sim por ter feito uma boa prova e por quase ter chegado à vitória.
SL - Você acha que o fato da sua equipe correr em duas categorias atrapalha ou ajuda? Você sente que a dedicação é maior em uma das duas? FG - Não atrapalha, já que são praticamente dois times independentes. A equipe do meu carro trabalha só na IRL. Mas eu preferia que tivéssemos dois carros na IRL, como aconteceu em Indianápolis, com a participação especial do Tony (Kanaan). Dá pra trocar informações, crescer mais como equipe. A dedicação maior do Morris Nunn ainda é pela CART. Tanto é que, quando o calendário das duas categorias coincide, ele vai para a CART. Mas ele colocou um cara muito bom, o Peter (Parrot, team manager), para cuidar do braço da IRL na Hollywood Mo Nunn. O Peter ajuda muito.
SL - A equipe irá continuar nas duas categorias ou se dedicará exclusivamente à uma delas? FG - Ainda não se sabe. É provável que tenhamos dois carros na IRL, mas a decisão de deixar a CART vai ser tomada em função dos interesses dos patrocinadores do time lá - basicamente a Pioneer. Que pertence à Honda...
SL - A Mo Nunn está tendo um excelente desempenho na IRL, mas não está conseguindo o mesmo resultado na CART, onde o piloto Tony Kanaan já abandonou várias provas com problemas no carro. Você acha que isso se deve à diferença do equipamento ou a qual outro motivo? FG - O problema da Mo Nunn na CART é basicamente o equipamento. Eles foram bem prejudicados com a falência na Reynard e a necessidade de trocar o chassi para Lola no meio da temporada. Infelizmente, eles não estão no melhor ano. Ninguém é culpado. Tem temporadas em que a coisa não vai bem mesmo. Mas talvez eles ainda melhorem nas próximas oito corridas. Devem melhorar..
SL - A CART está perdendo fãs nos Estados Unidos para a IRL por estar se "internacionalizando". A IRL vai correr no Japão no próximo ano. Você acha que ela pode estar seguindo o mesmo caminho da CART? FG - Não. A IRL vai ter algumas provas fora, deve entrar a Alemanha no calendário de 2004, mas o foco vai ser sempre os Estados Unidos e os circuitos ovais. Alguns circuitos mistos devem ser adotados, mas a IRL quer o mercado americano
SL - O que você acha da ida da Honda e da Toyota para a IRL na próxima temporada? FG - Os fabricantes de motores são talvez os participantes mais importantes da categoria. Eles investem muito dinheiro, influem na contratação dos pilotos... A vinda dessas empresas só confirma que a IRL está dando mais retorno que a CART mesmo. Isso só vai dar mais competitividade e prestígio para a IRL.
SL - Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou quando mudou para a IRL? FG - No primeiro ano eu cheguei com o mesmo olhar preconceituoso da maior parte das pessoas: de que a IRL tinha pilotos e carros velhos. Eu me surpreendi positivamente. As equipes eram, sim, menores que as da CART. Mas o nível de profissionalismo e competitividade era muito alto. As pessoas demoraram para perceber, mas é evidente que eu entrei para a IRL numa fase ótima, em que a categoria está crescendo. E a CART, eu acredito, caminha para morrer.
SL - Você sente muita falta de correr em circuitos mistos? FG - Sim. Para falar a verdade, cada vez mais. No começo eu não ligava. Mas depois que soube dessa possibilidade, fiquei bem ansioso para que eles estréiem logo.
SL - Você pensa em correr pela CART ou está satisfeito na IRL? FG - Vou ficar na IRL. Não há motivo algum para eu ir pra CART. A não ser que tudo se inverta e o patrocinador queira me mandar pra lá. Mas a IRL deve ser a categoria mais forte dos próximos anos.
SL - Os pilotos brasileiros estão tendo um grande desempenho este ano nos Estados Unidos, tanto na IRL quanto na CART. Você sente alguma forma de preconceito ou até mesmo um pouco de inveja vinda dos outros pilotos? FG - O que acontece é que todos perguntam o que a gente tem que eles não têm. Costumo responder que o kartismo é bem mais desenvolvido no Brasil do que nos EUA. Mas a organização da IRL é bem profissional e não favorece os americanos de forma alguma. Eles querem competição de alto nível, com muitas ultrapassagens, e isso acontece. Ganha o melhor, que tem o melhor carro. A IRL quer crescer com qualidade.
SL - Qual piloto você considera mais difícil de ultrapassar? E o mais fácil? FG - Não existe piloto mais fácil ou difícil de ultrapassar. As corridas são diferentes. É claro que o Gil, o Helinho (Castroneves) e o Hornish são difíceis de serem ultrapassados, mas tudo depende do carro que eu tenho e os que eles têm na corrida.
SL - O que você faz momentos antes de uma corrida? Como é sua concentração? FG - Às vezes, durmo ou descanso no motorhome. Como pouco. E fico quieto, sem querer me dispersar, esperando o início da prova.
SL - O que passa pela sua cabeça quando você está em uma corrida e acontece um acidente sério com outro piloto? FG - É sempre muito ruim, tento tirar da cabeça imediatamente. É a pior parte do automobilismo
SL - Qual a sua pista favorita? FG - Adoro Indianápolis, por ser única. E Kansas. Richmond eu gosto pelo tamanho. E agora, claro, adoro Kentucky...
SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo? FG - Faço academia, fico na oficina, passeio com minha esposa. No Brasil, corro bastante de kart. Quando dá, gosto de uns esportes mais radicais, tipo barefooting, salto de pára-quedas, bungy-jump.
SL - Do que você sente mais falta no Brasil? FG - Dos amigos e da família.
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