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Gil de Ferran






Gil de Ferran, piloto da equipe Penske da IRL e bi-campeão da CART, é considerado um dos melhores pilotos brasileiros em atividade.


Muito atencioso, o piloto falou com exclusividade ao SuperLicença.




SuperLicença - Você sofreu um acidente forte e por causa dele ficou de fora da última corrida do campeonato e, conseqüentemente, da luta pelo título e de conseguir um feito inédito no automobilismo: ser campeão da IRL logo após o bicampeonato da CART. Como você definiria em palavras, após tantos anos de experiência e glórias vividas na carreira, essa situação difícil e como você trabalhou a mente para encarar tudo isso?

Gil de Ferran - Acho que a palavra decepção é a que melhor defini tudo o que senti por ficar fora desta final. Foi um campeonato muito disputado, estive sempre brigando pela liderança, a equipe fez um trabalho fantástico, então foi muito triste não poder correr no Texas. Mas tinha de aceitar a decisão do Dr. Henry Bock (médico da IRL).

SL - Qual o balanço que você faria dessa temporada de estréia na IRL, analisando seu desempenho e o da equipe Penske como um todo?
GF - Foi uma temporada muito boa, onde aprendi bastante sobre o carro da IRL. Ganhei duas corridas, conquistei quatro poles e nossa equipe esteve o tempo todo brigando por vitórias. Com certeza, isso nos deixa motivados para a temporada que vem.

SL - O fato de Sam Hornish Jr. ter sido campeão na última etapa sem você ter tido a chance de brigar com ele pelo título lhe dá mais vontade de andar forte na próxima temporada e vencer?
GF - O Sam Hornish e a equipe Panther fizeram um grande trabalho este ano, mas não é o fato de ele ter sido campeão que me fará andar mais forte. Tenho corrido assim todos anos e vou continuar pilotando da mesma forma, buscando vitórias e ajudando a equipe Penske a conquistar os melhores resultados.

SL - Qual título foi o melhor: o de campeão ou o de bicampeão da CART?
GF - Para mim, não existe uma diferença entre o primeiro e o segundo título. O meu grande prazer é conseguir aquilo que estou buscando, ou seja, a vitória. É uma satisfação pessoal muito grande. Eu, particularmente, não consigo fazer uma distinção entre os dois títulos.

SL - Qual foi a corrida onde você passou mais raiva em toda a sua carreira, a que te fez "perder a cabeça"?
GF - Não sei dizer. Já passei por inúmeras emoções ao longo da minha carreira e não consigo me lembrar em qual prova senti mais raiva.

SL - Como é o clima entre os pilotos da IRL? É mais ameno ou mais pesado que entre os pilotos da CART?
GF - Evito fazer comparações entre as duas categorias. Corrida é sempre corrida. O que eu sinto é que depois de dada a largada, não existe diferença: todos correm pela melhor posição possível e são adversários na pista.

SL - Como é seu relacionamento com seu companheiro de equipe?
GF - Meu relacionamento com o Hélio (Castroneves) é ótimo. Estamos correndo juntos há três anos, sempre disputando o campeonato e vitórias. Nunca tivemos nenhum problema em virtude disso e a gente se dá muito bem. Eu já o conhecia antes de sermos companheiros de equipe, mas não me considerava seu amigo. No entanto, hoje posso dizer que somos bons amigos.

SL - Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou quando mudou para a IRL?
GF - A maior dificuldade foi a falta de conhecimento e experiência com a categoria. Cada carro tem suas peculiaridades e aprender e compreender isso foi o mais difícil.

SL - A expectativa é de que outras equipes mudem da CART para a IRL no próximo ano. O que você pensa sobre isso?
GF - Em primeiro lugar, há muita especulação e pouco fato. Mas o que eu sempre digo é que seria muito melhor no futuro ter apenas uma categoria com Indy Cars. Não sei que formato seria, sob qual bandeira eles correriam, mas com certeza um único campeonato beneficiaria a todos.

SL - Você sente falta de correr em circuitos mistos?
GF - Nunca fiz segredo de que sinto falta dos mistos. Minha paixão pelo automobilismo começou neste tipo de pista, mas não é algo que me faz perder o sono ou que eu fique pensando todo o dia. Hoje, estou concentrado em fazer o meu trabalho, da melhor forma possível e ajudar o Roger (Penske) e toda a equipe.

SL - Se você fosse indicar um piloto com estilo parecido com o seu, quem seria?
GF - Não saberia responder. Cada piloto tem um estilo próprio e fica difícil indicar alguém.

SL - Qual piloto você considera mais difícil de ultrapassar? E o mais fácil?
GF - Os pilotos de ponta são muito competitivos e qualquer um deles é muito difícil de ultrapassar.

SL - Para você faz diferença ultrapassar seu companheiro de equipe ou um outro piloto?
GF - No fundo, quando você está correndo a ultrapassagem de sucesso é a que funciona e não aquela em que você acaba no muro. Por isso, independe de quem seja o ultrapassado, seu companheiro ou qualquer outro piloto. O que faz a diferença é a ultrapassagem dar certo.

SL - O que você faz momentos antes de uma corrida? Como é sua concentração?
GF - Não faço nada de especial, mas uns 30 minutos antes da prova, prefiro ficar sozinho e reservar este tempo para repensar tudo o que fiz durante o final de semana, tudo o que deu certo e errado, como está sendo a minha pilotagem. Enfim, é um momento para repensar e refletir. Isso me traz mais confiança, me acalma e me deixa preparado.

SL - O que passa pela sua cabeça quando você está em uma corrida e acontece um acidente sério com outro piloto?
GF - Nunca é uma situação agradável, principalmente quando você sente que foi algo sério. É muito triste. O que eu tento, no entanto, é me concentrar novamente e continuar na pista para conseguir a melhor classificação possível. Mas, com certeza, é um momento muito chato.

SL - Qual a sua pista favorita?
GF - Na Europa, gosto muito de Silverstone (Inglaterra) e Spa (Bélgica). Nos Estados Unidos, as preferidas são Indianápolis, porque é uma pista muito complicada, e Road America, em Elkhart Lake.

SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo?
GF - Gosto de ficar em casa, curtir os meus filhos e os amigos.

SL - Você sente falta de disputar uma corrida no Brasil?
GF - Sinto. Em 1996, quando disputei a primeira etapa da CART no Brasil, foi um momento muito especial. Eu não corria no Brasil há cerca de nove anos e me lembro bem da emoção que senti. Na largada, senti algo muito diferente. Eu que sempre tento me manter calmo emocionalmente, tento me controlar ao máximo, fiquei surpreso com a minha sensação. Gostaria muito de poder voltar a correr no Brasil.

SL - Do que você sente falta do Brasil?
GF - Depois de ter vivido tanto tempo na Europa e nos EUA, posso dizer que o Brasil é um país muito espontâneo. As pessoas são muito espontâneas e agradáveis. Sinto falta disso e, é óbvio, dos amigos e da família.

 

 
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