Bia Figueiredo

Bia Figueiredo, piloto da Cesário Fórmula, é a primeira mulher a disputar o Campeonato de Fórmula Renault Brasileira.
SuperLicença - Como foi o início da sua carreira? Bia Figueiredo - Eu comecei a correr aos oito anos, mas desde os seis eu queria correr. Foi quando meu pai me levou para ver uma corrida de kart em Interlagos, e eu me apaixonei!
SL - O que a levou a ser piloto? BF - Desde pequena eu já gostava de carrinhos e sempre acompanhava as corridas de Fórmula 1, o Senna... E eu tinha uma vontade dentro de mim que era de ser uma piloto. E assim foi....
SL - Foi difícil convencer seus pais a deixar você seguir esta carreira? Como é o apoio deles? BF - Meu pai me apoiou desde o começo, achava um barato eu, uma pirralinha, querer ser uma piloto e, com sete anos, ele me levou para fazer a escolinha de kart. Minha mãe, quando soube que eu estava fazendo a escolinha, ficou apavorada, mas ela viu que era a minha grande paixão fazer aquilo e, com o tempo, ela se acostumou e hoje me apóia muito.
SL - Qual a maior dificuldade que você enfrentou? BF - A maior dificuldade foi financeira. Teve um momento em que o meu pai já não podia mais ser meu patrocinador e eu tive que me virar, correndo com muito pouco dinheiro, até arranjar um patrocínio, que foi a Medley.
SL - Qual foi o momento mais importante da sua carreira? BF - Não teve um momento exato, mas um que marcou muito foi a minha primeira vitória na categoria TOP do kart, a Graduados "A", onde nenhuma mulher havia vencido até então, e me deu muita inspiração para conseguir mais vitórias. Outro momento foi o meu vice-campeonato Brasileiro, que infelizmente eu não ganhei por problemas mecânicos.
SL - O que você faz momentos antes de uma corrida? Como é sua concentração? BF - Eu costumo ficar quieta, pensativa, e, às vezes, fico falando com os engenheiros. Depois eu me alongo, tomo um Gatorade e vou para a corrida.
SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo? BF - Eu gosto de fazer muitas coisas, mas principalmente de ficar com minha família e meus amigos. Sou uma pessoa caseira, mas vou muito ao cinema e teatro.
SL - Qual seu maior ídolo? BF - Apesar de ser um piloto que eu não acompanhei de perto, eu era pequena quando ele morreu, o Ayrton sem duvida é o meu grande ídolo. Vejo algumas corridas gravadas dele e fico pasma com a sua habilidade e raça.
SL - Como foi a sua corrida de estréia na Fórmula Renault? BF - Infelizmente, a Fórmula Renault não permite muitos treinos, o que torna minha adaptação mais demorada. A minha primeira corrida foi tranqüila, consegui terminar a prova. Fiz as minhas besteiras de estreante, passei bastante gente e aprendi muito.
SL - Qual sua expectativa para esta temporada? BF - No momento, a única coisa que eu tenho em mente é me adaptar ao Renault e ficar competitiva. A categoria tem muitos pilotos bons, e fica difícil prever resultados. Mas gostaria de terminar entre os cinco primeiros.
SL - Na sua opinião, quais serão os maiores obstáculos que você irá enfrentar este ano? BF - Acredito que eu não vá ter muitos obstáculos, só quero aprender e ficar competitiva.
SL - Como foi sua adaptação para um monoposto? Em que os testes que você fez pela equipe Cesário da Fórmula 3 ajudaram? BF - Mesmo com o Fórmula 3, eu demorei um pouco até virar voltas rápidas. Os treinos me ajudaram muitos, conheci muitas pistas e aprendi bastante sobre um formula, mas o Fórmula 3 é uma coisa e o Fórmula Renault é outra, muito diferentes.
SL - Qual seu objetivo de carreira para o futuro? BF - Eu penso muito no presente, o meu futuro só vai depender dos meu resultados. Tenho muita estrada para percorrer até o meu grande objetivo: a Fórmula 1.
SL - Você já sofreu algum tipo de preconceito pelo fato de ser uma mulher em um esporte praticamente dominado por homens? BF - No começo da minha carreira sim, mas eu virei uma piloto de ponta e comecei a bater neles também. aí as coisas começaram a dar certo, eles se acostumaram comigo e ficou tudo certo.
SL - É difícil para você conviver em um meio só de homens? BF - Não é nada, eu adoro! Sou a única no meio de 30 pilotos. Então sou meio que os centro das atenções. Sou amiga da maioria deles, nos damos super bem.
SL - O que você diria para as meninas que estão começando agora e sonham em seguir carreira no automobilismo? BF - Humm, é difícil falar alguma coisa, já passei por cada uma... Tem que ser muito forte e lutar muito. Primeiro para conseguir o respeito e depois os resultados, o que não é nada fácil. Mas se acreditar, você consegue!
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