Mario Haberfeld

Mario Haberfeld, piloto da equipe Conquest Racing da CART, falou com exclusividade ao site SuperLicença. SuperLicença - Como foi o início da sua carreira? Mario Haberfeld - O início da minha carreira foi como o da maioria dos pilotos, no Kart. Comecei a correr profissionalmente nesta categoria em 1991. Freqüentava os boxes desde pequeno com o meu pai, que é grande amigo do (Nelson) Piquet . A paixão pelo automobilismo foi crescendo e aos 15 anos eu descobri que correr profissionalmente era o que eu mais queria da vida.
SL - Qual o balanço que você faz da temporada passada? MH - A temporada passada na F-3000 foi um pouco melhor que as anteriores. Tive como engenheiro o Andy Miller, que me ajudou a conquistar o campeonato de F-3 inglesa. Foi muito bom trabalhar com ele de novo e conseguimos alguns bons resultados, mas muito aquém do que eu sabia que poderia conseguir. Não acho que a F-3000 seja uma boa categoria, já que está muito desacreditada, além da dificuldade que se tem para adaptar o carro para o jeito de guiar de cada piloto. É tida como uma categoria de acesso para a F-1, mas pouquíssimos pilotos tem este acesso, é tida como categoria de aprendizado, mas a gente quase não pode treinar... Sinceramente, não trago boas recordações daqueles anos...
SL - E do início desta temporada? MH - Estou muito feliz na CART, o clima é agradável, as pessoas se ajudam... Tudo bem diferente da Europa. Acho que começamos a temporada de uma maneira bem positiva, onde o nosso trabalho tem dado bons frutos.
SL - Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou quando mudou para a CART? MH - A maior dificuldade foi com os engenheiros. Comecei com o Andy Miller, mas ele não conhecia o carro, nem a categoria, e como a Conquest também é uma equipe nova, a situação se tornou insustentável e ele foi embora... Depois veio o Todd Maloy, para a primeira corrida em St. Pete, onde acabamos em quarto lugar com sabor de vitória. Logo depois, ele foi trabalhar para o Paul Tracy e eu fiquei sozinho de novo. Na corrida do México, estava sem engenheiro e agora estou com o Andy Borme e estou muito satisfeito em trabalhar com ele, a gente se entende e se respeita muito. Quanto ao carro, é bem mais rápido e prazeroso de guiar que a F-3000 e a cada corrida pego mais o jeito. As outras mudanças foram todas positivas...
SL - Você se sente um pouco em desvantagem com relação aos outros pilotos pelo fato de estar correndo em uma equipe que também está estreando na CART este ano? MH - Claro que existe uma desvantagem em relação a isso, mas confesso que me surpreendi com o trabalho que estamos fazendo, analisando o nosso baixo orçamento e a pouco experiência minha e da equipe. Acho que juntos estamos construindo um time muito forte e constante.
SL - Você não tem companheiro na equipe Conquest, apesar de treinar sempre junto com o Tiago Monteiro. É mais difícil correr sozinho, sem este tipo de ajuda? MH - Na verdade, eu e o Tiago somos companheiros de equipe sim. Nós nos reunimos na mesma sala após os treinos e dividimos todas as nossas experiências, o acerto do carro, etc... Acredito que temos nos ajudado muito e que se estivéssemos sozinhos seria mais difícil e menos produtivo.
SL - Como foi sua primeira experiência em um circuito oval? MH - Eu não achei prazeroso guiar em circuito oval. Eu gosto de desafios, sou muito técnico. Milwaukee foi um pouco melhor, já que você não faz as voltas cravadas, então tem um certo desafio. Agora, quando você está acelerando tudo e girando a 300Km/h, sinceramente não vejo muito sentido...
SL - No último final de semana, alguns veículos de imprensa noticiaram que a CART pode acabar em 2005. O que você pensa sobre isso? MH - Realmente a CART enfrentou e ainda enfrentará uma série de problemas que estão sendo superados a cada dia. Sinceramente, eu não acredito que a CART irá acabar. Acho inclusive que, depois dessa fase crítica, a categoria vai se fortalecer e no que depender de mim, farei de tudo para ajudar no que for possível.
SL - Você está estreando em uma categoria junto com outros oito pilotos. Isso torna sua adaptação mais fácil? MH - Acho que foi uma boa hora para chegar na CART. O grande número de pilotos estreantes torna a categoria mais competitiva para todos que estão começando, e acho que poderemos crescer junto com a categoria, que conta com bons novos pilotos e também com experientes pilotos antigos, que acreditam na categoria. A chegada dos rookies deu cara nova a CART e sangue novo é sempre bom!
SL - Os pilotos brasileiros estão tendo um grande desempenho este ano nos Estados Unidos, tanto na IRL quanto na CART. Isso dá mais motivação para você correr na categoria? MH - Nunca me senti tão motivado.
SL - Qual foi o momento mais especial de toda a sua carreira? MH - Foi, sem dúvida, ter vencido o campeonato de F-3 inglesa. Eu estava a 54 pontos atrás do líder Enrique Bernoldi e, na metade do campeonato, virei o jogo e venci o campeonato. Isso sem falar na honra que foi poder trabalhar e aprender com o mestre Jackie Stewart. Naquele ano, também pilotei pela primeira vez um carro de Fórmula 1 como piloto de teste da Stewart, hoje Jaguar.
SL - E o pior? MH - O meu acidente em Barcelona em 2000. Foi um período muito difícil na minha carreira, que nem gosto muito de relembrar...
SL - Você ainda pensa em correr pela Fórmula 1? MH - Claro que o sonho existe, mas não é mais um objetivo, uma fixação... Hoje em dia, só iria mesmo que fosse uma proposta irrecusável, em uma equipe de ponta. Estou focado no meu trabalho e satisfeito por estar na CART, que me acolheu de uma maneira incrível.
SL - O que você faz momentos antes de uma corrida? Como é sua concentração? MH - Nos dias de corrida, fico mais quieto do que normalmente sou. Fico apenas mentalizando a pista, cada detalhe... E procuro não ocupar a minha cabeça com nenhum outro problema. Almoço no escritório do caminhão apenas com o meu engenheiro e algumas outras pessoas da equipe. Antes de entrar no carro, dou um beijo na minha mulher e recebo incentivo de toda a equipe. Depois, é só entrar no carro, abaixar a viseira do capacete e só pensar na corrida.
SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo? MH - Gosto de fazer esportes, correr a pé, andar de bicicleta... Outra coisa que me dá prazer é estar em contato com a natureza. Sempre que posso visito aquários, zoológicos. Outra coisa que adoro é ir ao cinema e também jantar em restaurantes japoneses, sempre na companhia dos bons amigos que fizemos aqui em Miami.
SL - Do que você sente falta do Brasil? MH - Sinto falta da minha família e dos meus amigos. O clima aqui em Miami é muito bom, encontro todas as comidas brasileiras por aqui... Sinceramente, não tenho do que reclamar.
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