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Marcos Gomes








Marcos Gomes, piloto da equipe RS Competições da Fórmula Renault Brasileira, falou com exclusividade ao site SuperLicença.









SuperLicença - Como foi o início da sua carreira?
Marcos Gomes - Eu sempre gostei muito de corrida. Meu pai corre a uns 40 anos, quando nasci minha mãe já me levava pros autódromos, e eu fui crescendo lá naquele ambiente gostando muito. Sempre quis começar a correr. Quando eu tinha 10 anos, meu pai me deu um kart para eu treinar só, porque ele achava muito cedo para eu começar a correr, mas aí eu ia mal na escola e ele nunca deixava eu começar realmente. Quando eu tinha 13 anos, eu comecei a correr. Fiz a primeira corrida, ganhei, fiz a segunda, ganhei. Daí veio o boletim da escola e ele me mandou parar de correr de novo. Daí foi assim, sempre ia mal na escola, nunca consegui fazer grande coisa, só um ano que eu fui campeão daí repeti de ano e tive que parar, sempre fui meio atrasado nesse negócio de escola. No ano passado, que eu entrei na Fórmula Renault, já foi outra etapa, muito mais sério, tive que deixar a escola de lado e resolvi ser piloto mesmo, meu pai viu que eu levava jeito. Foi uma temporada muito boa, a equipe era nova, era meu primeiro ano, a gente conseguiu ganhar duas corridas e ficar em quarto no campeonato, brigamos pelo título até as últimas etapas. Foi bom.

SL - Qual o balanço que você faz da temporada passada?
MG - Foi muito boa. Eu iniciei ela bem, na primeira etapa, mesmo a equipe sendo nova e eu sendo novo, a gente chutou lá um acerto. Depois a gente começou a ter muito trabalho, tínhamos muita dificuldade de andar entre os dez primeiros, a gente chegava uma corrida sim outra não, por minha falta de experiência e falta de experiência da equipe também. Mas quando começaram as provas de rua eu fui bem, me adaptei muito bem aos circuitos de rua, comecei a ir bem de novo. Daí fui pra Europa, fiz um treino de Fórmula Renault, voltei, ganhei uma corrida. Tava ganhando a corrida de Florianópolis e cometi um erro, um erro que eu aprendi bastante porque eu poderia ter sido campeão se eu não cometesse. E depois na corrida de Interlagos eu cheguei em segundo, mas o Robert Kubica não pontuava, então eu ganhei a corrida. Eu acho que foi bom, foi um aprendizado bom, tive erros que me custaram o campeonato, mas para aprender foi excelente.

SL - E do início desta temporada?
MG - No início desta temporada eu mudei de equipe, uma equipe um pouco mais experiente. Na corrida de Interlagos, eu acho que tinha chances de brigar pela vitória, mas tinha um problema no câmbio e cai pra último na largada. Depois vim recuperando, tava muito rápido o carro e cheguei em terceiro. Na segunda corrida, em Curitiba, fui bem também. Larguei em nono e tava liderando, perdi a liderança no finalzinho, mas cheguei em segundo, assumi a liderança do campeonato. De Brasília pra cá a gente entrou num caminho errado. Nós fomos muito mal em Brasília, larguei atrás, cheguei atrás. No Rio também tava largando muito mal e depois a gente acertou um pouquinho e vamos ver se a gente acerta.

SL - Qual foi, para você, a melhor e a pior corrida da temporada passada?
MG - Acho que a melhor corrida foi em Vitória. Eu larguei em quarto, não tinha um carro rápido e mesmo assim consegui segurar todo mundo que passava por mim. Se tinha um piloto muito mais rápido que eu e me passava, na outra curva já conseguia dar o troco. Cheguei a raspar no muro umas três vezes, mas foi uma corrida onde eu aprendi bastante. E a pior acho que foi a de Florianópolis, que eu tava liderando folgado, desconcentrei, passei reto e joguei o campeonato fora.

SL - Qual o momento mais importante para você em uma corrida?
MG - O momento? Eu acho que é a largada. A largada é muito importante, você pode perder a corrida nela e se também às vezes tá todo mundo muito igual, ninguém consegue passar ninguém, você consegue passar na largada e ganha a corrida. Então eu gosto muito da largada e acho a largada muito importante.

SL - Você já pensou alguma vez em correr de Stock Car?
MG - Ah, penso no final da minha carreira quando estiver mais velho mas agora, como meu irmão faz, já correr novo não, porque acho que estou indo bem de fórmula, fórmula tem muito mais carreira. Mas eu vou tentar ao máximo dedicar minha vida a isso, se não conseguir, eu volto e corro de Stock Car com um grande prazer também.

SL - Qual seu maior ídolo?
MG - Maior ídolo? Eu nunca tive um ídolo. Acho que o melhor piloto que já existiu na Fórmula 1 foi o Ayrton Senna, admiro muito o Juan Pablo Montoya, mas acho que ídolo, assim falando, acho que é meu pai mesmo. Por eu ter acompanhado ele e seguir tudo que ele tá seguindo.

SL - Como é ser de uma família tão tradicional no automobilismo brasileiro? Você sente alguma pressão por causa disso?
MG - Eu senti quando comecei a correr de Kart. Quando eu ia mal, às vezes comentavam. Mas eu acho que tá indo bem até agora, então não em muita pressão não. Mas é ótimo, meu pai me dá muito conselho, meu irmão. A gente conversa de automobilismo do café da manhã até a hora de dormir. Então é muito legal, a gente troca bastantes idéias.

SL - Você sente que a cobrança do seu pai é diferente dos pais dos outros pilotos pelo fato dele ser piloto?
MG - Meu pai, diferente de muitos pais, não cobra nada, não cobra resultados. Ele tá investindo em mim então ele tem que exigir de mim pelo menos um trabalho sério. Ele me aconselha muito, pressão ele não põe não. Ele entende muito a cabeça, né? Tem que deixar minha cabeça muito boa para eu poder pensar na hora H, no acerto de um carro ou numa estratégia, por exemplo.

SL - No início do ano você pretendia correr na F3 Espanhola, mas foi convencido pelo seu pai a ficar mais um ano no Brasil para adquirir experiência. Você acredita que esta decisão foi certa?
MG - Eu fui fazer um teste lá, me convidaram para fazer um teste na Fórmula 3 Espanhola. Eu fui muito bem no teste então eu fiquei bastante animado para correr lá, ir para a Europa, que é o centro do automobilismo mundial. Mas meu pai viu que não era hora ainda, que tinha mais um ano aqui, pelo menos, para aprender mais e chegar lá bem já, porque chegar lá com pouca experiência e se queimar um pouco daí as coisas ficam mais difíceis. Então achei a idéia boa e fiquei mais um ano aqui.

SL - Na sua opinião, a Fórmula Renault Brasileira está em paridade tecnológica com as categorias similares européias, já que é de lá que sairão os principais adversários de vocês no exterior?
MG - Acho que sim, a Fórmula Renault, você vê, na Europa não é tão disputada como é aqui, aqui é muito mais disputado que é na Europa. Em termos de organização é muito boa também e o nível de pilotos aqui também é muito bom, tem muita gente boa na categoria. Eu estou no meu segundo ano e estou aprendendo muito ainda. Então acho que se iguala às de fora em muita coisa.

SL - Quais são seus planos para o futuro?
MG - Pretendo fazer ou a Fórmula 3 Sul-Americana aqui no Brasil, que eu já tenho uma proposta muito boa, ou ir pra fora e tentar fazer a Fórmula Super Renault (Renault V6) ou a Fórmula 3 Espanhola mesmo.

SL - Quem você considera seus maiores rivais na disputa pelo título este ano?
MG - Olha, no começo do ano eu apontava o Allam Khodair como meu principal rival, achei que eu e ele íamos brigar em todas as corridas em primeiro e segundo e não foi bem assim. Tem muita gente nova aí surgindo, equipes conseguindo acertar muito bem esse carro. A nossa equipe tá faltando ainda isso, a gente tem que acertar, dar um pulo pra frente.

 

 
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Giorgio Pantano, atual líder da Fórmula GP2


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