Ricardo Sperafico

Ricardo Sperafico, vice-campeão de Fórmula 3000 Internacional pela equipe Coloni Motorsport, falou com exclusividade ao site SuperLicença.
SuperLicença - Como foi o início da sua carreira? Ricardo Sperafico - Tudo começou aos 8 anos de idade, quando meu pai Dilso nos levou para treinar pela primeira vez em Guaira. Não sabíamos muito bem do que se tratava, não tínhamos muito gosto para o kart, mas depois do primeiro momento não podia mais esquecer aquelas voltas no kartódromo. Toda essa história começou porque meu pai já era piloto desde 73 e gostava muito, então não restou muito a não ser colocar eu e o Rodrigo, meu irmão, para dar continuidade a essa paixão pelo automobilismo.
SL - Qual foi o momento mais especial da sua carreira? RS - Já tive muitos momentos especiais em minha carreira, mas um ano especial foi em 2000, na F3000 Italiana na qual consagrei-me campeão. Foi um ano bastante difícil, mas com muitas emoções. Venci a segunda corrida em Mugello, na pista da Ferrari, depois na Inglaterra, onde comecei o automobilismo. Novamente na Itália, no dia do meu aniversario, e depois na ultima corrida, com 3 pontos de diferença, consegui a pole e a vitória.
SL - Como você analisa a temporada de 2003, quando conquistou o vice-campeonato de Fórmula 3000 Internacional? RS - Acredito que foi um ano bastante positivo. Tive muitos problemas mecânicos, o que atrapalhou muito a disputa pelo campeonato, mas obtive vitórias e sei que poderia ter obtido mais.
SL - Muitas pessoas falam que a F3000 é uma categoria que não serve para o seu propósito, que é ser base para a Fórmula 1. Por ter estado presente nela por três anos, qual seria sua avaliação sobre a F3000? RS - Não existe categoria melhor do que a 3000 para se aprender sempre mais, especialmente alguém que quer entrar na F1. Você estar junto com a categoria em todas as corridas da Europa, tendo um contato direto com as equipes, e conhecer as pistas, não é toda categoria que tem esse privilégio. É lógico que também existem seus problemas, como toda categoria passa, mas acredito que como melhor referência a 3000 não deixa a desejar.
SL - Você disputou 2 anos da F3000 pela Petrobras Junior (2001 e 2002) e 1 pela Coloni Motorsport (2003). Você sentiu alguma diferença entre as equipes? RS - Para mim foram duas equipes completamente diferentes. A equipe Petrobras tinha tudo pra ganhar. O primeiro ano foi um ano de experiência. Já o segundo, a equipe não se achou com os carros novos e não tiveram a capacidade de tentar contornar os maus resultados. Já a Coloni é uma equipe que trabalha com o coração, com a emoção. Foi muito bom trabalhar com eles, foram dois mundos diferentes.
SL - Ano passado você disputou a última rodada dupla da World Series, em São Paulo. Quais as maiores diferenças entre um carro da F3000 e um da WS? RS - O F3000 é um carro muito robusto, potente e muito agressivo. O estilo de pilotagem é muito diferente da WS. Com menos potência, efeito solo, o carro da WS é bem mais sensível e mais rápido em curvas de alta velocidade. Também desafia muito o piloto, mas não encontrei muitas dificuldades para me habituar ao carro.
SL - Como é o seu relacionamento com seu irmão gêmeo Rodrigo? RS - Com o Rodrigo estamos sempre trabalhando em equipe. Quando ele está em outra equipe, a gente procura sempre ajudar um ao outro, trocando informações sobre os carros. Não existe rivalidade entre nós.
SL - Você disputou este ano pela primeira vez as 500 Milhas da Granja Viana. Como foi esta experiência? RS - As 500 milhas foi uma experiência incrível. Muita disputa, organização excelente, e a ótima qualidade de pilotos nacionais e internacionais. Espero estar no próximo ano participando e disputando pela vitória.
SL - E como foi disputar e vencer a "Corrida das Estrelas" na Colômbia? RS - Outra corrida maravilhosa, um momento muito especial na minha carreira. Acredito que todos os pilotos que estavam lá também gostaram. O show da corrida foi o público, uma coisa sensacional, nunca vi igual.
SL - O que você costuma fazer quando não está correndo? RS - Gosto de estar sempre em atividade, praticando esportes, e estar no Brasil, com a família, curtindo umas férias com os amigos.
SL - Qual sua expectativa para a próxima temporada? RS - No momento não sei o que vou correr, mas sei que não quero ficar parado. Estou em negociações, mas nada certo para 2004.
SL - E seus planos para o futuro? RS - Meus planos sempre foram correr com equipes capazes de me dar um carro competitivo e me estabilizar como profissional.
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