Luis Carreira Jr.

Luis Carreira Jr., piloto da equipe Philips Motorsport, da Stock Car, e campeão da Stock Car Light em 2003, falou com exclusividade ao site SuperLicença.
SuperLicença - Como foi o início da sua carreira? Luis Carreira Jr. - Bom, eu comecei no kart aos 9 anos de idade, onde permaneci até meus 14 anos. E ali eu disputei Campeonato Brasileiro, Sul-Americano, Paulista. Peguei bastante experiência. E dos 14 anos pra frente, ao invés de ir para as categorias de Fórmula, eu comecei a ir pras de Turismo. Andei de Corsa, andei de Pick-up, Clio. Então eu comecei, nessas categorias de Turismo, para um dia tentar chegar na Stock Car.
SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo? LCJ - Ah, eu gosto de correr, de nadar. Acho que meu principal hobby é natação.
SL - Você sempre sonhou em correr de Turismo, diferente dos outros pilotos, que sonham em chegar à Fórmula 1. Alguma vez você já teve a oportunidade de guiar um Fórmula? O que você achou? LCJ - Já, já andei de Fórmula 3. Não gostei. Eu sempre gostei muito de Turismo. Sempre foram as categorias que me cativaram, como turismo alemão, sempre gostei de um outro tipo de automobilismo, que é carro de Turismo. Diferente aí da maioria que quer Fórmula 1. Eu nunca pensei assim.
SL - Como é a sensação de poder correr ao lado de seus ídolos? LCJ - É muito legal. Há 11 anos atrás eu tinha o Ingo (Hoffmann), o Chico (Serra) como meus ídolos, de pedir autógrafo pro cara, ter pôster no quarto, essas coisas. E hoje, poxa, tô do lado do cara, competindo ao lado dele. Isso é muito legal. E mais legal ainda vai ser quando eu começar a dar pau neles (risos).
SL - Qual a influência que seu pai tem em sua carreira? LCJ - Total. Eu acho que, além de incentivador e, durante muito tempo, meu patrocinador, ele é um bom piloto. Isso é 100%, eu acho que se eu estou aqui, eu devo grande parte disso a ele. O automobilismo é um esporte que vai muito de tradição. Eu acho que não existe uma criança de 7 anos de idade que fala 'eu quer ser piloto e vou lá e vou pagar, e vou bancar'. Então, de uma certa forma, a gente sempre tem influência de alguém. E esse alguém é meu pai.
SL - Você possui uma equipe na Copa Clio e agora uma na Stock Car Light junto com ele. Como é o trabalho de vocês? Como é ser chefe de equipe e piloto ao mesmo tempo? LCJ - Olha, é bom, é legal. Eu acho que a gente tem as duas diferenças porque quando eu tô dentro do carro pra passar informação, eu procuro ser o mais ético possível, não tem aquela coisa de chegar e gritar com mecânico, até porque, se um piloto gritar comigo, eu não vou gostar, como eu sou chefe de equipe. Quando ele parar no box e gritar comigo eu vou encarar como uma falta de respeito porque ninguém quer que as coisas vão mal. Todo mundo está trabalhando para um melhor resultado e nem sempre a gente consegue isso. E o fato de ser chefe de equipe me ajuda nisso. Porque quando eu estou dentro do carro, por mais errada que as coisas estejam, eu nunca ultrapasso o limite de educação. Porque eu sou chefe de equipe e eu sei o que é ser desrespeitado por um piloto. Então isso me ajuda muito, até porque já tive muitos problemas de finais de semana ruins, não só na Stock como em outras categorias, de tudo dar errado e eu descer do carro e chegar pra galera e falar: 'e aí gente, o que nós vamos fazer?'. E de chefe de equipe para piloto é a mesma coisa, inversa. Eu procuro passar a experiência de piloto para os meus pilotos, eu procuro passar onde eu estou errando, onde não estou. É legal estar dos dois lados. E meu pai é um cara muito legal, um cara muito calmo, sensato, alto astral, um cara muito engraçado. Ele não se estressa, não fica nervoso. Meu pai é um cara que saca muito de automobilismo. Ele tem muito tempo de casa.
SL - Qual o balanço que você faz da temporada passada, quando você conquistou o título da Stock Car Light? LCJ - Foi show. Ano passado foi muito bom porque eu tinha saído de um Clio, que é um carro lento, para um carro de uma categoria muito disputada. A Clio tinha grandes pilotos, mas era um carro de pouca potência, então eu acho foi bom passar por ela, porque é uma categoria onde os carros andam muito perto. E na Stock Light é tudo diferente, o câmbio é diferente, tem potência pra caramba e eu me adaptei rápido. Consegui tirar a diferença rápido. E o campeonato foi muito legal, eu aprendi muito. Eu aprendi a guiar um carro de corrida de verdade, que é um carro mais rápido, tração traseira. E agora na Stock eu tô assim: me situando ainda, na categoria, em relação ao carro. Tudo é muito novo para mim. Pode parecer que a Light é muito parecida com a V8, mas não é. O mundo é muito diferente, a equipe é diferente, eu tô me entrosando ainda com a equipe, com o carro, na categoria. Acho que é um período de maturação até conseguir uma pole, uma vitória. Mas agora está tudo muito light ainda.
SL - Qual foi a melhor e a pior corrida de 2003? LCJ - Foi a minha primeira vitória de Stock Light. Era uma coisa muito nova, eu achava que ainda não dominava o carro e chegou aqui eu sentei, fui o mais rápido, fiz a pole, a hora que eu vi eu ganhei a corrida, não tava entendendo nada do que tava acontecendo porque, para mim, tudo era muito novo e, de repente, eu consegui ser o melhor. Melhor que os caras que já andavam, tinha o (Diogo) Pachenki, o (Wellington) Justino, caras que era bem mais feras e, de repente, eu cheguei, detonei e falei 'caramba!'. Então essa foi a melhor. E a pior do ano passado? Não tive corrida pior... Mesmo as que eu quebrei foram boas porque eu vinha bem, estava bem e por uma infelicidade, uma quebra... Mas nunca teve um final de semana péssimo. Quebrou, mas quebrou quando tava em primeiro, segundo.
SL - Em 2002 você foi campeão da Copa Clio. O que de experiência você trouxe da categoria para a Stock Car? LCJ - A Clio te dá todos os quesitos de um piloto. O que eu estou querendo dizer com isso: na Clio, você tem duas voltas para se classificar, você tem que chegar lá e virar rápido, igual na Stock, então você se acostuma com a situação. Na Clio, os tempos são muito parecidos, do primeiro ao vigésimo tem 1 seg, 1,5 seg, igual aqui. Então você se acostuma com essa diferença, de tomar dois décimos e cair pra oitavo. Tem muita briga, você anda junto o tempo todo, se toca o tempo todo, tem toda uma situação de disputa.
SL - Quais as principais diferenças entre a Copa Clio e a Stock Car? E entre a Stock Car e a Light? LCJ - Entre a Clio e a Stock? Ah, é totalmente diferente. Se eu for falar a diferença vou falar tudo porque o motor é diferente, o carro é diferente, na Stock é tubular, você fica lá atrás, o carro é quente, é mais potente. Não tem nada uma coisa a ver com a outra. E da Stock para a Light, na V8 o motor é um pouco mais potente, você fica com um carro mais forte de guiar. A Light, ano passado, era 6 cilindros, pneu duro, era um carro muito arisco de guiar e o da V8 já é mais calminho e você tem trinta pilotos brigando, então tem um grau de dificuldade.
SL - Em 2001, você competiu no Rally dos Sertões, onde foi a revelação do ano. Quais as principais diferenças entre o Rali e o Turismo? LCJ - Nossa, rali você nunca sabe o que vai acontecer. Cada curva que você vai virando é uma coisa nova, de repente pode entrar um boi no meio do caminho, pode ter um mata-burro, um barranco. E o automobilismo é uma coisa mais técnica. Você sempre sabe o que vai acontecer: você freia, você contorna, você acelera. Você vai tentando melhorar isso e acertando o carro. Rali não, é uma loucura. Você vai andando e nunca sabe que ângulo que é a curva, se tem rampa, se não tem. Eu diria que rali é bom você nunca fazer, porque se você faz não quer parar de fazer. Eu fui convidado para fazer o Rally dos Sertões e pensei 'rali? Imagina, sujeira, poeira...'. Meu negócio era pista, mas fui. Quando eu cheguei do rali já queria comprar uma caminhonete, só correr de rali. Achei muito legal. É uma experiência que eu recomendo para qualquer pessoa. Além de ser uma lição de vida fazer o Sertões. Você conhece um Brasil totalmente diferente, gente passando fome, uma pobreza. Acho que fazer o rali, pelo menos a cada três anos, todo mundo devia fazer, para dar mais valor a tudo.
SL - Quais as expectativas para este ano, quando você estréia na Stock Car? LCJ - Olha, esse ano a expectativa é de conquistar um pódio. É um trabalho que a gente vai fazendo e vai evoluindo cada vez mais. A gente vai se situando, acertando o carro, acertando a equipe, e o resultado vem vindo. Cada vez a gente vem melhorando mais. A gente ainda não estacionou no nosso patamar e falar: 'puxa, agora tá bom'. Nós estamos vindo em um grau de 100% de evolução. Eu não sei onde isso vai parar, de repente a gente pode chegar a ganhar corrida, disputar um título, mas, agora, estamos muito no começo para falar: 'eu quero isso, isso e isso'. Agora é dar tempo ao tempo e esperar essa fase de aprendizado.
SL - O que o fato de você não precisar pagar o motor e os pneus, como prêmio pela vitória na Light, está ajudando? LCJ - Tá ajudando em alguns reais, alguns mil reais. Eu acho que esse prêmio, independente do valor em si, acho legal o incentivo que eles dão pro cara que correu de Light ir pra V8. Com essa ausência de pagamento de pneu, o valor é lógico que ajuda, mas eu acho que a intenção, a proposta de pegarem o campeão e premiarem ele pra V8 é um incentivo pra um dia outros caras, como eu, virem pra V8. Isso é legal. Não é simplesmente pegarem o campeão e falar: 'parabéns, agora vai pra onde você quiser'. Você tem um benefício de ir pra V8. Você vê que os promotores da categoria se importam também com quem está na Light, querem ver eles na V8 e isso é legal.
SL - Quais são seus planos para o futuro? Você pretende continuar na Stock Car ou em alguma categoria de Turismo no exterior? LCJ - Continuar o ano que vem na V8, ver o que a gente vai conseguir fazer e ir pra fora um dia. Eu pretendo correr fora um dia. Eu acho que o automobilismo está na América e na Europa, são os dois caminhos. Ambos têm muita categoria de Turismo, que é o que eu gosto.
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