Tiago Monteiro

Tiago Monteiro, piloto da equipe Carlin Motorsport da World Series by Nissan, falou com exclusividade ao site SuperLicença.
SuperLicença - Como foi o início da sua carreira? Tiago Monteiro - Comecei no automobilismo por acaso, aos 20 anos! Não estava destinado a isso, mas sim a minha outra paixão… A gestão hoteleira, que estudei na Suíça durante 3 anos. Mas o meu pai (antigo corredor, amador) me transmitiu o 'bichinho' e um dia, quando ele estava treinando, me deixou experimentar o seu Porsche Carrera Cup. Foi uma revelação! Fiquei apaixonado pela a adrenalina e a sensação da pilotagem. Bem que nessa altura não acho que se possa chamar pilotagem o que eu fazia…
SL - Qual a melhor pista que você já correu? TM - Spa Francorpchamps, Macau e Laguna Seca são as minhas pistas preferidas!
SL - Qual foi a sua melhor corrida? TM - A minha vitória na F3, no campeonato Internacional em Spa em 2000 ou 2001. Quando ganhei a corrida, à frente do (Antonio) Pizzonia, (Anthony) Davidson e (Tomas) Schekter! Também a minha primeira corrida na CART em 2003, quando liderei durante várias voltas. E, finalmente, eu acho que cada vitória é sempre um enorme prazer!
SL - Qual o balanço que você faz da temporada passada? TM - Um balanço muito positivo. Não eram as melhores condições, mas é assim que se aprende mais. Ganhei muita maturidade na pista e fora, e o apoio do Emerson (Fittipaldi) foi indispensável!
SL - Como surgiu a oportunidade de ir trabalhar ao lado de um piloto como Emerson Fittipaldi, bicampeão de F1 e campeão da F-Indy? TM - Quando Chris Pook (presidente da CART até 2003) me levou a Miami para conhecer varias equipas, ele também me apresentou ao Emo. Começou então a relação e 3 meses depois, ele tinha equipe. E eu era piloto dele!
SL - Quais as maiores diferenças entre competir em uma categoria européia e uma norte-americana? TM - O ambiente e a maneira de trabalhar. Tudo é mais relax nos EUA, mas sempre muito profissional. O ambiente entre os pilotos também é muito melhor. É uma grande família e todos estão lá para se divertirem e trabalhar. Me senti muito bem.
SL - Em 2002, você testou pela equipe Renault. Como foi este teste? Qual a sensação de poder guiar um F1? TM - O teste correu muito bem. Uma experiência inesquecível! 70 pessoas e 5 caminhões trabalhando para 2 carros e os meus tempos estavam a menos de 1 segundo do (Fernando) Alonso. Um F1 é um mundo à parte. O carro é muito muito potente mesmo, a travagem incrível e o poder de fazer curvas impressionante. Provavelmente a maior diferença com um CART é o poder de fazer curvas tão rápido (Um pouco mais de apoio aerodinâmico e menos peso).
SL - Quais são as suas primeiras impressões com relação a World Series by Nissan? TM - O Formula WS Nissan é um grande Formula 3. Ou seja, tem um chassis incrível, mas falta um pouco de potência. O carro é muito agradável de pilotar e tem um potencial enorme. Mas 420 cavalos não chegam para o chassis.
SL - Você já disputou a F-3000 e agora disputa a World Series. Muitos comparam estas duas categorias como rivais. O que você pensa a respeito disto? Quais as maiores diferenças entre elas? TM - São rivais porque as duas são o último patamar antes de chegar à F1. Mais nada. Porque na Fórmula 3000, o carro não é agradável de pilotar. Temos que esquecer a base mesmo da pilotagem para se adaptar a um carro muito estranho. O fato de correr com a Fórmula 1 obriga a não ter treinos livres e, por isso, um rookie não pode mostrar o que vale, já que tem que aprender as pistas primeiro. Na WSN, o carro dá um grande prazer de pilotar, o campeonato é aberto e temos treinos para conhecer as pistas e o carro. Um rookie pode ganhar provas, como eu o fiz em Zolder.
SL - Você começou o ano vencendo as duas etapas da segunda rodada dupla e assumindo a liderança do campeonato. Qual a sensação? Quais as expectativas para o restante desta temporada? TM - Foi maravilhoso! E um pouco inesperado ganhar tão cedo. Pensava que íamos precisar de mais tempo para eu me adaptar ao carro e à equipe. Ainda mais numa pista onde não tínhamos treinado… Para o resto do ano, as expectativas são tentar ganhar mais provas, sabendo que o nível é mesmo muito alto entre os 8-10 primeiros.
SL - Saindo um pouco do assunto automobilismo, você acompanhou os jogos da Euro 2004? O que você achou do desempenho do brasileiro Luiz Felipe Scolari como técnico da seleção portuguesa? TM - Acho que soube gerir o erro que cometeu no primeiro jogo, contra a Grécia, e alterou a estrutura da equipe para os outros jogos. Na final, voltou um pouco à estratégia de base e não funcionou. Mas no geral fez um ótimo trabalho!
SL - Quais são seus planos para o futuro? TM - Muita coisa pode acontecer, e vai também depender dos resultados do campeonato e dos testes com a Minardi. Mas tenho contactos em varias categorias e o que quero é correr para ganhar!
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