Débora Rodrigues

Débora Rodrigues, piloto da equipe RM/Volkswagen da Fórmula Truck, falou com exclusividade ao site SuperLicença.
SuperLicença - Como foi o início da sua carreira? Débora Rodrigues - Tudo começou quando fui fazer uma matéria com a Fórmula Truck, e fiquei apaixonada pela categoria. Meu pai foi caminhoneiro e durante a minha vida toda convivi com este meio. Posso dizer que tenho diesel nas veias! Depois, entrei em 1999 na Truck como competidora oficial e estou aqui até hoje.
SL - Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou quando decidiu ser piloto? DR - Primeiro, foi a desconfiança geral das pessoas do meio, que achavam que estava entrando na Truck apenas como jogada de marketing. Tive, inclusive, que lutar na justiça pelo direito de correr na categoria.
SL - Você já enfrentou, ou enfrenta, muito preconceito por ser mulher em um esporte dominado pelos homens? DR - Não tenha dúvida. Muitos homens se sentem inferiorizados quando eu largo na frente deles, por exemplo. Já houve casos de pilotos comentarem que, se largassem atrás de mim, não deixariam eu completar a primeira curva, o que acabou quase acontecendo quando o Pedro Muffato me jogou contra o muro depois de ter conquistado o quinto lugar do grid...
SL - O que você acha da entrada da Danuza Moura na categoria? Você sente como se estivesse abrindo portas para outras mulheres seguirem o mesmo caminho? DR - Fiquei muito feliz com a entrada dela! Ela veio conversar comigo e quero ajudá-la para permanecer na categoria, que certamente tem espaço para mais mulheres além de mim e ela.
SL - É muito difícil conciliar a vida de piloto, esposa e mãe? DR - Com certeza é um desafio extra para mim. Mas no fundo a gente acaba achando tempo para tudo e conciliando todas estas atividades. Afinal, sou apaixonada pela Formula Truck e para mim não é nenhum sacrifício fazer treinos, viajar para andar com o caminhão etc.
SL - Como é correr contra o seu marido? DR - É uma situação um tanto inusitada. Afinal, quando entro no caminhão, quero ser a mais rápida da pista, mas também sei reconhecer que o Renato possui muito mais técnica e talento do que eu, o que não é demérito nenhum pra mim, pois ele é o recordista de vitórias da Formula Truck. A gente brinca que ele é o Schumacher da RM/Volkswagen... risos! Mas lógico que torço por ele, e tem o lado bom porque ele me ensina muitas coisas em cada etapa.
SL - Qual o balanço que você faz desta temporada? DR - Acho que está sendo positivo. Consegui pontos em Guaporé e em Interlagos, onde cheguei em sétimo lugar. São resultados muito bons para mim, e espero apenas conseguir chegar em um pódio até o final desta temporada
SL - Qual foi o momento mais especial de toda a sua carreira? E o pior? DR - Talvez o melhor e o pior tenha sido na mesma corrida, em Brasília, no ano passado. Afinal, estava na minha prova mais competitiva da carreira, em segundo lugar, com o Renato em primeiro. Faríamos uma inédita dobradinha de marido e mulher, mas acabei saindo da pista após uma briga com o Roberval Andrade. Foi ótimo porque pude mostrar a todos que posso andar na frente. Mas foi ruim porque acabei sem o resultado final.
SL - Você pensa, ou já pensou, em correr na Stock Car? DR - A Stock Car é, sem dúvida, uma categoria muito competitiva e que cresce muito no Brasil. Qualquer piloto profissional adoraria estar presente nela, mas quero por enquanto continuar desenvolvendo meu trabalho na Truck.
SL - O que você faz momentos antes de uma corrida? Como é sua concentração? DR - Concentração é fundamental no automobilismo e eu procuro ficar num ambiente descontraído, sem me preocupar com as tensões antes da corrida.
SL - O que você gosta de fazer quando não está correndo? DR - Muitas coisas. Gosto de conviver com a minha família, com meus amigos, gosto de viajar, cuidar da casa e agora do meu novo negócio, um pet shop em São Paulo, já que eu sou apaixonada por animais de estimação.
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