O projeto Ferrari para a Fórmula Indy Por Jackson Lincoln Lopes*
Para encontrar a origem dessa história misteriosa, temos que voltar no tempo, mais precisamente no ano de 1986. O presidente da Ferrari, Enzo Ferrari, entrou em conflito com os dirigentes da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que controla a Fórmula 1. O nome mais apontado no conflito era o de um jovem empresário, Bernie Ecclestone. Era um período conturbado para a equipe de Maranello, que não obtinha bons resultados dentro das pistas e, fora dela, tentava algumas manobras para ter um melhor desempeho. Em 11 de novembro daquele ano, durante o anúncio da contratação de John Barnard para a equipe italiana, começaram os rumores de um projeto de um novo carro.
Apesar das relações entre FIA (Ecclestone) e Ferrari (Enzo) não serem as melhores, a Fórmula 1 precisava da Ferrari, pois era a mais rica e mais famosa equipe de corridas do mundo. A Ferrari, já há sete anos sem vencer um campeonato de pilotos, pretendia novos ares. Enzo, que não era uma pessoa das mais calmas, perdeu a paciência e mandou seus engenheiros construirem um novo carro. Em mais de um ano de desavenças dos dois poderosos chefões, começaram a surgir as ameaças e entrou em cena uma nova máquina. Nascia um novo carro, nascia a tão polêmica Ferrari 637, carro este que disputaria as 500 milhas de Indianapolis, prova válida pelo campeonato da Fórmula Indy.
Em 1987, no Salão do Automóvel de Gênova, na Itália, o público podia ver o novo carro da Fórmula Indy. O F637 tinha um motor V8 turbinado de 32 valvulas (4 por cilíndro). O projetista do carro em 1987, era Gustav Brunner. No Salão e no mundo, muitos ficaram eufóricos, e outros muitos ficaram preocupados, com o rumo tomado por Enzo Ferrari, pois as constantes ameaças de uma possível migração da Ferrari para a Fórmula Indy já eram realidade.
No entanto, apesar da Ferrari vir de maus resultados, a fánatica torcida de Maranello queria bons resultados da Ferrari na Europa, e não na América, como Enzo estava disposto. O ano de 1987 começou e lá estava a equipe Ferrari nas corridas européias. O projeto, na realidade, era para correr na América em 1988.
Em 1988, Enzo Ferrari faleceu, e o projeto de participar da Fórmula Indy foi enviado para a Alfa Romeo, que estreou na Indy em 1989 e encerrou sua atividades em 1990.
Os motores Alfa Romeo foram utilizados pela equipe Morales Motorsports, com os pilotos Roberto Guerreiro e Scott Brayton. Em 1990, a equipe Patrick utilizou os motores italianos para o piloto Roberto Guerreiro. Eles eram colocados em um chassi Lola e utilizavam os pneus Firestone ou Goodyear.
O tão polêmico sonho ou projeto de Enzo para desafiar a FIA saiu do papel, mas ficou apenas no museu da Ferrari.
Algumas perguntas ficam no ar: - Era apenas uma ameaça ou a Ferrari poderia mesmo se retirar da Fórmula 1? - Como seria a Fórmula 1 sem a Ferrari? E a Ferrari sem a Fórmula 1? - A Ferrari dominaria a Fórmula Indy? - Como os americanos veriam uma nova Indy dominada por uma equipe não americana? - Caso fosse para a Indy, iria para disputar as 500 milhas de Indianapolis ou o campeonato todo?
Talvez só Enzo Ferrari possa responder essas perguntas.
*Jackson Lincoln Lopes é um grande fã da Fórmula Mundial e criou o site www.formulamundial.com para ajudar a divulgar a categoria aqui no Brasil. Esta matéria foi escrita para o seu site e gentilmente cedida ao SuperLicença.
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