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O brasileiro Thiago Medeiros, campeão da Indy Pro Series em 2004, disputou em 2006 a Silver Crown. O piloto falou, com exclusividade ao SuperLicença, sobre esta experiência e seus planos para o futuro.

SuperLicença – Como foi sua primeira temporada na Silver Crown?

Thiago Medeiros no carro de dois lugares da IndyCar Series
Thiago Medeiros - Como tudo começou foi de uma maneira estranha, muito estranha. Era verão no Brasil e eu decidi vir pra cá no inverno e não tinha nada pra andar aqui no começo do ano... Comecei a visitar todas as equipes que eu conhecia aqui em Indianápolis, até arrumar um emprego guiando o carro da IRL de 2 lugares (conhecidos como two seater) em algumas promoções antes de algumas provas.

Uma das equipes que visitei foi a PDM e foi a primeira vez que vi o Silver Crown. Quando conversei com o Paul, sobre a IRL, que era o que eu tinha em mente, ele não ligou muito. Mas se mostrou muito empolgado em fazer um segundo carro de Silver Crown e começou a contar sobre a categoria, me mostrou os detalhes do carro, onde isso podia me levar, porque foi dali que saíram muitos dos grandes nomes que hoje estão na NASCAR (Tony Stewart, Carl Edwards, JJ Yeley, Kasey Kahne, Ryan Newman e outros).

Logo depois, ele comentou que iria testar em Miami e me perguntou se eu não queria acompanhá-los. Como não tinha nada a perder, mudei os planos, comprei uma passagem pra Miami e fui. Na pior das hipóteses, iria assistir o treino em Miami e fugir do frio daqui. Ele até tinha interesse em me colocar para andar no carro depois que testasse o piloto oficial, que era o Aaron Pierce. Depois dele ter andado e ter tido problema naquele dia com a transmissão, arrumaram um carro emprestado de outra equipe. Acabei dando umas 20 voltas em Homestead e o único risco que eu tinha era de arcar com o prejuízo, se batesse.

Depois de ter andado e gostado muito, fiquei pensativo e, após um tempo, voltei a conversar com a PDM e negociar como seriam as coisas durante o ano. Durante o ano meu companheiro de equipe me ajudou muito para eu ter uma rápida adaptação. Acho que sem ele com certeza seria muito mais complicado... Todas as dúvidas que eu tinha, ia lá com o Aaron e conversava muito. Na verdade, ele foi minha telemetria, já que isso não tem na categoria. O importante era me adaptar melhor ao carro.

Não disputei a temporada completa, já que não corri as etapas na terra. Por não ter experiência e porque não tive a oportunidade de testar também, fiz apenas 7 provas. Nelas consegui ter os melhores resultados: em Iowa um 4º lugar e um 5º lugar em Kansas City. Foi difícil e se não fossem algumas quebras que tivemos durante o ano, poderia ter sido melhor, mas em geral foi muito bom. Guiar um carro com 800 hp, sem asa nenhuma, que chega a 212 mph (mais de 340Km/h!) é muito divertido.

Thiago Medeiros, Willy Herrmannn e Aaron Pierce
As corridas são todas com disputas muito próximas, o carro muda muito durante a prova. Você larga com 250 litros pra correr uma prova de 160 km e o peso é todo atrás. Mesmo assim, chega bem perto de faltar combustível! O melhor é que tem muitas e muitas ultrapassagens, posso dizer com certeza que é a categoria mais divertida que já andei.
Essa foi a primeira categoria em que andei em um carro de competição que não era um monoposto. Foi um desafio e tanto, que me proporcionou aquilo que eu queria: ser notado e reconhecido por algumas equipes da NASCAR também.

SL – Quais os seus planos para 2007? Você vai continuar na Silver Crown?

TM - Estou vendo muitas coisas aqui pelos EUA, ainda não tenho nada certo. A única certeza que tenho que eu devo competir de alguma coisa em 2007. Vontade de ficar eu tenho, mas ainda não achei uma vaga. Principalmente porque agora no começo do ano tem mais provas de terra e até agora não arrumei uma oportunidade de testar para saber como é. Não vou me meter em uma coisa que não sei fazer, porque no asfalto já é muito difícil. Na terra, com muito menos aderência, andando de lado o tempo todo e sem testar? Antes de saber como eu posso ir, não vou não.

Vejo que se isso acontecer, não vão me promover a lugar nenhum. É tudo muito diferente, é a cultura deles. Ele começam no Midget, depois passam pelo Sprint Car até chegar no Silver Crown. Imagine só, é a mesma coisa que pegar um americano, que tem toda essa cultura de oval, para colocar em um circuito misto e esperar que ele ande bem. Nunca! Tudo tem seu tempo e muita adaptação.

O que tenho procurado é uma oportunidade igual a de dois outros pilotos que correram comigo. Estar, por exemplo, em um Driver's Program e ter chance de progredir andando bem. Por não ter a experiência de correr na terra, não tenho como fazer como o Aaron Pierce, Jay Drake , Dave Steele ou Dave Darland, pilotos mais velhos que se profissionalizaram nisso e correram na terra a vida toda.

SL – Você ainda pretende competir na IndyCar?

TM - Claro que sim! Espero que a oportunidade que apareceu no passado seja a primeira de muitas, é uma sensação incrível fazer parte do maior evento do mundo. Depende de oportunidades e para pode aproveitá-las, tem que ficar por perto. Ou então arrumar um grande patrocinador ou uma indicação da Honda. Nenhuma dessas hipóteses ainda aconteceu comigo. Tenho que trabalhar com os meios que eu conheço, mas também acho que assim estou me mantendo sempre nos pensamentos deles.


SL – A Fórmula Mundial ou a NASCAR são uma opção para o futuro?

TM - São sim, acho que com a chegada do Juan Pablo Montoya vai melhorar um pouco. Principalmente para os estrangeiro, os portões vão se abrindo. Um exemplo disso é o Max Papis que, apesar de italiano, tem se passado por americano nos últimos anos e fez umas corridas na Busch Series. Eles estão conseguindo quebrar essa barreira da NASCAR, que é um ambiente totalmente americano. Se você não se passar por um, não será aceito na "família". Basta ver como mudaram os discursos do Montoya antes e depois da estréia dele no ano passado.

Thiago Medeiros (azul) e Pablo Donos (amarelo) disputam o segundo lugar em Iowa
A CART sempre foi uma saída, mas como tudo em automobilismo depende de alguma coisa, lá mais do que nunca. Sempre tive alguns contatos, mas depende de dinheiro e isso ainda não consegui arrumar, principalmente porque a categoria não tem uma boa transmissão de TV para o Brasil. Isso dificulta mais ainda, conseguir arrumar um patrocinador que queira se destacar no mercado norte-americano mesmo sem ter o retorno esperado no Brasil.

SL – Na sua opinião, a IRL poderia dar mais apoio aos campeões da Indy Pro para que eles consigam uma vaga na IndyCar?

TM - Eu acho que sim, mas isso não depende de mim. Eles sempre me ajudaram como podem, eu nunca esperei que o Tony George fosse montar uma equipe pra mim, como ele montou pro filho dele. Sempre corri atrás das minhas coisas e consegui algumas boas oportunidades. Fazer parte das 500 Milhas do ano passado foi umas das grandes coisas que consegui. Aliás não teria conseguido se não tivesse ajuda de algumas pessoas que querem me ver andando e sabem do meu talento. Pilotos aqui em Indianápolis no mês de maio é o que não falta e eu fiquei muito feliz que o escolhido tenha sido eu.

 

 
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