Confira a entrevista exclusiva feita com Christian Fittipaldi, que disputou sua primeira temporada da NASCAR
O piloto brasileiro Christian Fittipaldi participou este ano pela primeira vez da temporada da NASCAR, sendo o primeiro brasileiro a competir na principal categoria do automobilismo norte-americano. Christian falou com exclusividade ao SuperLicença sobre a experiência.
SuperLicença - Qual o balanço que você faz da sua primeira temporada na NASCAR? Christian Fittipaldi - De zero a dez, foi um cinco. Digo isto pois aprendi bastante, mas, infelizmente, a nossa equipe não está conseguindo produzir equipamentos capazes de andar no pelotão da frente. Então, os resultados não foram os que eu desejava e que tenho certeza de ter a capacidade de conseguir.
SL - Quais foram as maiores dificuldades que você sentiu neste primeiro ano, tendo em vista que sua carreira sempre foi direcionada para monopostos? CF - É tudo tão completamente diferente, desde o carro até a cultura, que é praticamente como seu eu tivesse começado a correr de carro este ano
SL - Como foi a aceitação da sua entrada na NASCAR por parte dos norte-americanos? Você acredita que agora fica mais fácil para outros brasileiros tentarem o mesmo caminho ou ainda é uma categoria fechada para os estrangeiros? CF - Foi com indiferença. Nunca me senti nem mais e nem menos aceito do que um novato americano na categoria. Eu acho que a grande dificuldade de outros brasileiros seguirem para a NASCAR não é em função da nacionalidade, mas sim do curriculum. Os donos de equipe tendem, de uma forma geral, a dar mais valor a pilotos nas categorias de acesso a NASCAR - como por exemplo, as pistas regionais de stock, Quarter Midget, Late Model, ASA... - ao invés de Formula 1. Um piloto, de qualquer lugar que seja, aumentará muito as suas chances de chegar a NASCAR se tiver sucesso nas categorias de base aqui nos EUA.
SL - Você fez vários amigos na CART. E na NASCAR? A convivência é tão boa quanto era na CART, com um ambiente mais tranqüilo, ou é como na Fórmula 1, onde a rivalidade entre os pilotos é muito grande? CF - O ambiente é até mais tranqüilo do que na CART, porém não se esqueça que corri na CART por 8 anos e neste tempo fiz algumas boas amizades. Ainda não as tenho na NASCAR, mas com o tempo virão.
SL - Do seu ponto de vista, a Stock Car brasileira pode vir a ser um sinônimo da NASCAR aqui no Brasil, já que a imprensa a chama assim? Você tem vontade de correr na categoria? CF - Guardadas as proporções, a Stock Car no Brasil hoje já é assistida por mais gente no Brasil do que americanos assistem a NASCAR nos EUA. A real diferença é no padrão de vida dos brasileiros e dos americanos e o que isto significa comercialmente para a categoria. Por exemplo, gera-se infinitamente mais dinheiro com vendas de bonés, camisetas, contratos de televisão, vendas de ingressos, etc, na NASCAR do que na Stock Car. Porém, isto não é por ela ser mais popular do que a Stock Car, mas sim pelo americano em média ter um poder de aquisição maior do que os brasileiros. Não descartaria a hipótese de correr na Stock Car no Brasil, mas no futuro próximo quero me dedicar ao máximo e ser o primeiro estrangeiro campeão da categoria.
SL - Quais os seus planos para 2004? CF - Para 2004, pretendo chegar a um passo mais perto de meu objetivo - de ser campeão.
|