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Nota sete (07/12/04)

Internauta do Superlicença,

Dezembro, mês de balanços. Comigo não é diferente: repensando tudo que fiz em 2004, chego à conclusão de que consegui alcançar metas importantes, principalmente na adaptação a lugares desconhecidos. Fosse uma escola ou universidade, acho que a temporada terminaria para mim com nota sete.

Em termos de resultados, meu ápice talvez tenha sido atingido logo em janeiro, quando fui competitivo no difícil Campeonato de Inverno da Fórmula Renault norte-americana. Ganhei em Sebring, largando na pole, e me tornei o primeiro brasileiro a vencer uma corrida no exterior em 2004. Uma curiosidade sobre esta fase do campeonato: eu corri com o dedão da mão direita quebrado, por causa de um acidente em Savannah, durante testes.

Terminei o Campeonato de Inverno em terceiro, à frente de pilotos europeus bastante conceituados. Como prêmio, pude experimentar um Super Renault V6 de 425 cavalos em Homestead. Foi uma experiência excelente, que aproveitei cada segundo.

Tive bons momentos também na temporada regular do Norte-Americano, como o segundo lugar em Mont-Tremblant, a "Spa canadense". Fui uma prova difícil, com os líderes se atacando o tempo inteiro. Sobrevivi aos incidentes e recebi a bandeira quadriculada a menos de um segundo do vencedor. Eu ocupava a vice-liderança do campeonato, mas resolvi dar mais um passo em busca de um maior aprendizado: correr na Europa, na Fórmula Renault inglesa.

Este período - junho e julho - representou algumas dificuldades para mim, como vocês puderam ler nas últimas colunas. Não foi fácil conseguir casa para alugar, me adaptar à equipe...Graças a Deus deu tudo certo em um tempo menor do que imaginava: um mês depois de minha estréia na Motaworld, conquistei uma pole e dois pódios em Knockhill, na Escócia. Até gente da Fórmula 3 veio me dar os parabéns!

Apesar de não ter sido o que eu esperava, vou contar uma passagem que ilustra bem o aprendizado que nós, pilotos jovens, experimentamos nas categorias de base. No final da temporada, meu engenheiro, o Alan Mugglestone, simplesmente não apareceu nas provas, alegando problemas pessoais. Precisei achar, sozinho, as melhores soluções para o meu carro. Passar por uma situação dessas, ainda sendo cobrado por bons resultados, não é fácil. Mesmo assim, conquistamos um convincente quarto lugar na célebre Donington Park, no encerramento da temporada.

Fazendo uma análise dos meus pontos fortes e minhas deficiências, reconheço que preciso ser mais constante, o que posso conseguir em uma equipe mais estruturada. Virtudes? Acho que a facilidade de construir um bom ambiente de trabalho é uma delas. Sempre me dei bem com meus companheiros de equipe e engenheiros, o que não é muito fácil no automobilismo. Principalmente com os ingleses, bastante reservados.

Tenho passado por um duro treinamento físico para começar 2005 com o maior pique possível. Sei que vocês estão curiosos para saber o que farei no próximo ano: minha meta é correr na World Series, mas tenho analisado propostas de algumas outras categorias. O que irei fazer, de fato? Só Deus sabe...

Um grande abraço e até breve,

Gustavo Sondermann

Gustavo Sondermann, 22 anos, começou no kart aos 16. Foi vice-campeão da Copa Brasil da modalidade em 2000 e quarto no Pan-Americano de 2001. Disputou a Fórmula Renault brasileira em 2002 e 2003, transferindo-se para a similar norte-americana no começo deste ano. Ganhou em Sebring e tornou-se o primeiro brasileiro a vencer uma corrida no exterior em 2004. Deixou a categoria na vice-liderança para disputar a Fórmula Renault Inglesa pela equipe Motaworld Racing, onde conquistou 1 pole e 2 pódios.

gustavosondermann@superlicenca.com.br

 

 
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