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Superando dificuldades (11/08/04)

Internautas do SuperLicença,

Estou contente em dividir este espaço com vocês. Acompanho o noticiário do site com freqüência e passar a ter uma coluna aqui é uma honra para mim. Considero o SuperLicença como uma das melhores páginas brasileiras de automobilismo, com atualizações sempre rápidas e completas.

Vou usar esta coluna para falar um pouco da rotina de um piloto brasileiro na Inglaterra e contar algumas histórias de bastidores. Espero que gostem.

Como vocês devem acompanhar, troquei de campeonato há menos de um mês, deixando a Fórmula Renault norte-americana para correr na Fórmula Renault inglesa. Eu era o vice-líder nos Estados Unidos, mas resolvi brigar pelo meu sonho, que é disputar campeonatos na Europa. Esta mudança foi complicada para mim, já que a vida de piloto nos Estados Unidos é mais confortável. Lá, todos os contratos têm duração menor, é mais fácil para alugar um apartamento, por exemplo. Isso não acontece na Inglaterra. Hoje moro em uma casa em Rochester, a dez minutos da sede da minha equipe, a Motaworld Racing. Precisei assumir compromisso de um ano para ficar com o imóvel, o que não é exigido nos EUA.

O que tem facilitado minha vida por aqui é a chegada do meu amigo Patrick Rocha. Fomos companheiros de equipe na Giaffone aí no Brasil e temos um relacionamento muito bom. Como falei, há dificuldades para alugar casas na Inglaterra e o Patrick passou a morar comigo. Damos boas risadas e dividimos bem nossa rotina. Posso garantir que já superei a maioria das dificuldades que tive para me adaptar a um país diferente daquele que vinha morando.

Vocês devem achar que vida de piloto é moleza, mas posso garantir não é bem assim. Eu tinha um tempo maior para cuidar das minhas coisas nos EUA, já que o espaço entre uma corrida e outra era grande. Fazia cursos de idiomas, conhecia alguns restaurantes, enfim, sobrava um período do dia para lazer. Aqui na Inglaterra não: as provas são disputadas quase sempre com um intervalo de duas semanas, o que torna tudo mais agitado. Ok, os lugares aqui são muito mais próximos, os deslocamentos são bem menores que nos EUA, mas mesmo assim minha agenda está sempre cheia.

Bato cartão na equipe, estou lá todos os dias. Gosto de ficar sempre por dentro de tudo que acontece no time e aproveito para aumentar ainda mais meu contato com todo mundo, já que estou aqui há pouco tempo. Depois disso, vou cuidar da parte física, treinando em academia também todos os dias. Entre trabalho, treino e o obrigatório descanso, sobra pouco tempo. Mas não reclamo: é o que sempre quis fazer.

Sobre minhas corridas no último final de semana em Knockhill, posso falar que fiquei bastante satisfeito com o resultado. Larguei na pole na primeira corrida e cheguei em terceiro. Na segunda prova, parti em quarto e terminei em segundo, fazendo uma boa ultrapassagem sobre o Mike Conway, líder do campeonato. Como estreei na categoria há pouco mais de duas semanas, não poderia querer mais: resultados assim na fase de adaptação são mais do que animadores. Cheguei até a receber telefonemas de integrantes de algumas equipes de Fórmula 3 me dando os parabéns pelos pódios.

Outra coisa que preciso destacar é o público. Como a Fórmula Renault faz parte da programação do BTCC (o Campeonato Inglês de Turismo), os autódromos estão sempre lotados, o que torna o fim de semana ainda mais especial.

Estou cada vez mais entrosado com a Motaworld e isso tem facilitado meu trabalho. No último final de semana, eu pude trocar muitas idéias com meus engenheiros e eles me deram um carro ótimo. Tínhamos dificuldades no acerto com pneus gastos, mas, juntos, melhoramos o set up. Agora é continuar trabalhando para - quem sabe! - ganhar alguma corrida até o final do ano.

Meu próximo desafio é em Brands Hatch, um dos templos do automobilismo mundial, nos dias 21 e 22. Cá entre nós: fazer boas corridas lá teria um gostinho diferente, não? Depois das provas, conto para vocês como foi.

Grande abraço,

Gustavo Sondermann

Gustavo Sondermann, 22 anos, começou no kart aos 16. Foi vice-campeão da Copa Brasil da modalidade em 2000 e quarto no Pan-Americano de 2001. Disputou a Fórmula Renault brasileira em 2002 e 2003, transferindo-se para a similar norte-americana no começo deste ano. Ganhou em Sebring e tornou-se o primeiro brasileiro a vencer uma corrida no exterior em 2004. Deixou a categoria na vice-liderança e hoje disputa a Fórmula Renault Inglesa pela equipe Motaworld Racing.

gustavosondermann@superlicenca.com.br

 

 
ENTREVISTA EXCLUSIVA

Giedo van der Garde, campeão da World Series by Renault em 2008


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