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Agenda corrida (26/08/04)

Internauta,

Tudo bem? Espero que sim.

Hoje vou detalhar para vocês como é minha rotina em um domingo de corrida. Já adianto: não é fácil como alguns podem imaginar...

Você gosta de acordar cedo? E aos domingos? Pois é, eu geralmente pulo da cama às 6h. Sempre durmo em um hotel próximo ao circuito e, depois de um banho rápido, saio do quarto para tomar café da manhã: cereais, pão e bastante líquidos. Minha alimentação no dia da prova é a mais regrada possível, já que este detalhe tem muita importância ao longo do domingo.

Chego ao circuito entre 7h20 e 7h30. Cumprimento toda a equipe e rapidamente me reúno com o engenheiro para analisar o comportamento do carro e ver o que dá para fazer para deixá-lo melhor. Não tenho tempo para acompanhar os outros eventos do "racing day" - o trabalho durante todo o dia é bastante intenso.

Depois de quase ficar zonzo de tanto ver gráficos e checar tabelas, é hora de me concentrar. Olho no relógio e são 8h45. Procuro ficar totalmente quieto durante uns 15 minutos antes de entrar no carro. Sento no fundo do caminhão, perto do "elevador" que dá acesso ao solo. Neste momento, visualizo a prova e repasso todos os detalhes da estratégia que devo seguir. É um momento particular, gosto de fazê-lo totalmente sozinho, em silêncio. Sigo este trabalho mental até a hora da largada, tentando relaxar o máximo possível.

Na prova, a batalha que todos vocês conhecem: freadas fortes, tentativas de ultrapassagem, defesa de posição, ritmo forte, ritmo moderado... As corridas duram sempre em torno de 25 minutos, mas o piloto nem vê o tempo passar. Se o resultado foi bom, é hora de subir ao pódio e falar com a imprensa. Mas tudo muito rápido, pois precisamos nos concentrar novamente para a segunda prova.

Às 12h, hora do almoço no caminhão da Renault: macarrão, uma fruta de sobremesa e mais água. É impossível exagerar no garfo e correr o risco de passar mal depois (já pensou?).

Depois de comer rapidinho, volto para conversar novamente com a equipe. Fazemos uma análise da primeira etapa e tomamos decisões para a segunda corrida. Mais gráficos, mais tabelas, mais debates. Hora de se "isolar" de novo para a prova final do dia. Nesta hora, o cansaço já começa a aparecer, mas a adrenalina e a vontade de ganhar é infinitamente maior.

Já contei que tenho uma superstição? Sempre procuro entrar no carro pelo lado direito e, assim, pisar sempre com o pé direito no cockpit. Apesar de ser corintiano, não gosto de usar roupas pretas em um dia de corrida.

A segunda etapa do domingo começa por volta das 15h, quando inicio de novo minha briga por bons resultados. Assim que a prova termina, converso mais uma vez com os engenheiros para fazer um resumão de todo nosso trabalho no final de semana, desde os treinos livres. O "meeting" dura cerca de uma hora. Algumas conversas são mais tranqüilas, outras mais tensas... Mas nada que deixe o clima na equipe ruim. É claro que um bom resultado anima o ambiente, mas o contrário não acontece. Se fomos mal, o segredo é manter a calma e continuar trabalhando com todas as nossas energias.

Por falar em energias, elas ficam escassas no final do dia, lá pelas 19h, quando vou embora do circuito depois de quase 12 horas de trabalho. Se a corrida for boa, até me arrisco a jantar e comemorar o resultado com amigos e integrantes da equipe. Se não, a vontade mesmo é de ir para casa (isso quando a pista é perto) e descansar.

Sobre a rodada dupla de Brands Hatch, posso dizer que fiquei satisfeito com o resultado da primeira prova, quando larguei em sexto e terminei na mesma posição. É muito difícil brigar com pilotos ingleses em uma pista desconhecida para mim e mais do que familiar para eles. Por isso, recebi a bandeirada com a sensação de dever cumprido. Já a segunda prova foi muito mais complicada: como tive problemas com o acerto do carro nos treinos, saí mais atrás e, para piorar, minha embreagem falhou logo na largada. Aí minha corrida ficou totalmente comprometida. Em um traçado de ultrapassagens quase impossíveis (quem lembra da Fórmula Mundial lá em 2003 sabe bem do que estou falando), não tive a menor chance de evoluir na classificação. Para ajudar, em uma tentativa de ultrapassagem, fui jogado no muro. Acontece. O importante é não desanimar e seguir batalhando.

Para finalizar, quero deixar um abraço especial para todo mundo que participou do bate-papo comigo na última terça-feira (24). Adorei conversar com vocês e espero que surja uma nova oportunidade em breve.

Até Snetterton!

Gustavo Sondermann

Gustavo Sondermann, 22 anos, começou no kart aos 16. Foi vice-campeão da Copa Brasil da modalidade em 2000 e quarto no Pan-Americano de 2001. Disputou a Fórmula Renault brasileira em 2002 e 2003, transferindo-se para a similar norte-americana no começo deste ano. Ganhou em Sebring e tornou-se o primeiro brasileiro a vencer uma corrida no exterior em 2004. Deixou a categoria na vice-liderança e hoje disputa a Fórmula Renault Inglesa pela equipe Motaworld Racing.

gustavosondermann@superlicenca.com.br

 

 
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Giedo van der Garde, campeão da World Series by Renault em 2008


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