"Nada mal para um segundo piloto" (24/07/10)
A frase do australiano Mark Webber, da Red Bull, dita no rádio para seu engenheiro após vencer o GP da Inglaterra foi polêmica, mas remeteu a memórias de grandes duelos entre os chamados “segundo pilotos” que quebraram o protocolo das equipes e igualaram a disputa interna, causando até guerra em algumas delas. Por ventura, o próprio GP da Inglaterra no longe 1986 trouxe essa clima na disputa entre Nigel Mansell e Nelson Piquet.
Muitos já devem conhecer sobre os anos de guerra dentro da Williams em 1986 e 1987 e foi justamente em uma prova inglesa que a coisa ficou mais séria entre os dois pilotos, após uma intensa disputa na pista pela liderança. Piquet, ao perseguir Mansell, quase foi jogado para fora da pista, além do inglês ter fechado a porta para o brasileiro em mais de uma ocasião. Mansell acabou vencendo a corrida e aumentando mais a guerra que já era praticamente declarada dentro da equipe.
Outro episódio envolvendo guerra interna com um australiano foi também dentro da Williams, bem antes dos tempos de Piquet e Mansell, entre o compatriota de Webber Alan Jones e o argentino Carlos Reutmann em 1981. Após ser campeão mundial em 1980, Jones era o preferido da equipe, especialmente após vencer a primeira corrida de 1981 nos Estados Unidos em Long Beach. Na etapa seguinte, no Brasil, uma ordem foi dada para Reutmann, que liderava a corrida. A preferência era para Jones assumir a ponta, mas o argentino acelerou e venceu. A raiva de Jones fez com que ele faltasse ao pódio pelo segundo lugar obtido. Coisa improvável nos tempos de hoje. Tal guerra na Williams contribuiu para o primeiro título de Piquet, campeão daquele ano com 1 ponto sobre Reutmann que, junto com Alan Jones, disputou o titulo.
Não é incomum disputas internas dentro da equipe atrapalharem o campeonato dos dois pilotos da mesma. Basta lembrar Alonso e Hamilton em 2007 na McLaren. Neste 2010, aparentemente, o inglês tem uma menos tensa com o atual campeão Jenson Button na mesma McLaren, e até agora ambos são os que mais vêm sendo favorecidos com a tensa relação na Red Bull entre Vetell e Webber.
Parece que as disputas internas sempre trazem alguma lembrança ou cenário ligado ao passado, como forma de compensação dos deuses do automobilismo. Se não com um australiano envolvido, com algum inglês ou alemão roubando a cena na intenção de ter os holofotes da equipe para si. Mas podemos ver que o destino apronta mais com as atuais disputas internas.
Abraços a todos,
Guilherme Henrique Salviano
Guilherme Henrique Salviano, 32 anos, mora em São Paulo e é fã de automobilismo desde infância, graças aos duelos de Nelson Piquet e Carlos Reutman, colecionando fotos, artigos, acompanhando e admirando a história da Fórmula 1 e outras grandes competições do esporte. A coluna é publicada todo sábado nos fins de semana de corrida de Fórmula 1.
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