Os anos pós-guerra (15/03/08)
Muitos que acompanharam a temporada de Fórmula 1 em 2007 associaram ela aos momentos eletrizantes vividos no ano de 1986, quando quatro pilotos disputaram o título e três chegaram na última prova do campeonato com chances de conquista. Vale lembrar também o ano de 2003, onde Michael Schumacher, Kimi Raikkonen e Juan Pablo Montoya também travaram bons duelos até o fim da temporada.
É sobre esses períodos e anos pós-guerra da Fórmula 1 que quero comentar nesta primeira coluna de 2008, antes que alguém pense que o tema é sobre alguma matéria de história dos tempos de escola.
Depois da temporada de 1986, em que Alain Prost venceu a guerra contra Piquet, Mansell e Senna, o ano de 1987 foi uma nova guerra, porém com o então bicampeão Alain Prost sem a mesma força de sua McLaren e vendo a Honda dar as cartas e dominar a temporada, empurrando as Williams de Piquet e Mansell, e também a Lotus de Senna, que por alguns momentos da temporada chegou a liderar o campeonato. Mas ao final, restando três etapas, somente Piquet e Mansell tinham chances de título, vencido pelo brasileiro.
Após a guerra de 1987, quem deu as cartas foram dois pilotos e uma equipe: Senna e Prost com suas McLarens, em título definido a favor do brasileiro em 1988 e a favor do francês em 1989. Já em 2003, após os duelos entre Michael Schumacher, Kimi e Montoya, o ano de 2004 foi de soberania do alemão com sua Ferrari.
Percebe-se que após as intensas disputas e guerras entre 3 ou 4 pilotos, o ano posterior é marcado pelo predomínio de uma equipe, como ocorrera em 1987 com as Williams, vencendo 9 das 16 provas, apesar do talento de Senna e Prost ainda darem tempero à temporada.
Em 2004, a Ferrari monopolizou praticamente toda a temporada, vencendo 15 das 18 corridas, e 13 delas com Michael Schumacher.
Agora, depois de um 2007 acirrado e decidido na última bandeirada de chegada, vemos 2008 com a possibilidade de um novo reinado da Ferrari, com um possível duelo entre o atual Campeão Mundial Kimi de gelo e o brasileiro da terra da garoa Felipe Massa, postulante a quebrar o jejum de títulos que o Brasil não vê desde 1991 com Senna.
Hamilton com a McLaren, Kovalainen no mesmo time e Alonso, de volta ao lar de Briatore na Renault, são esperanças para que a escrita de monopólios pós-guerra seja alterada, com uma nova e possível guerra. Aliás, guerra que Nelsinho Piquet iniciará um estágio para participar no futuro, quem sabe muito breve, no mesmo lar de Briatore e de Alonso, e, quem sabe, cumprindo a promessa de honrar o nome do pai com a proteção do espírito santo em vitórias e conquistas na Fórmula 1.
Quanto a Barrichello e a Honda, eu só lamento chegar ao 16º ano de sua carreira tendo como assunto a perspectiva do recorde de participações. Quem sabe Ross Brawn ponha um tempero a mais na Honda, a qual também lamento não ser a mesma com seus motores das guerras felizes de 1986 e 1987, com o pai do Nelsinho, e de 1991 do nosso último titulo de Ayrton.
Abraços a todos e uma feliz e eletrizante temporada de 2008.
Guilherme Henrique Salviano
Guilherme Henrique Salviano, 30 anos, mora em São Paulo e é fã de automobilismo desde infância, graças aos duelos de Nelson Piquet e Carlos Reutman, colecionando fotos, artigos, acompanhando e admirando a história da Fórmula 1 e outras grandes competições do esporte. A coluna é publicada todo sábado nos fins de semana de corrida de Fórmula 1.
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