Episódio de Fortaleza Treze dos dezoito pilotos que disputam o campeonato de Fórmula 3 Sudamericana entregaram dia 18 de agosto, antes da décima etapa, em Fortaleza, uma carta à Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e à CODASUR (Confederação Sul Americana de Automobilismo) comunicando as duas entidades sobre supostas irregularidades cometidas pela equipe Piquet Sports, que pertence ao tricampeão da Fórmula 1 Nelson Piquet.
Segundo estes pilotos, a equipe de Piquet teria realizado um treino na pista cearense de Eusébio com um carro de F3 carenado, e que Nelsinho, filho do tricampeão, teria tirado proveito desta sessão de treinos para vencer as duas provas realizadas neste final de semana.
Minutos antes da largada, com o grid já formado, esses pilotos deixaram seus cockpits e dirigiram-se ao comissário técnico Carlos Montagner, que em Eusébio representou a CBA. Alguns dos pilotos que participaram desse manifesto, dentre eles Thiago Medeiros e Hybernon Cysne, foram alvo de comentários irônicos do empresário cearense Arialdo Pinho, piloto de provas de endurance. A atitude de Arialdo teve desdobramentos cerca de uma hora após o encerramento da corrida, vencida por Nelsinho Piquet. Medeiros, preparando-se para deixar o autódromo, devolveu, de dentro de seu carro, o insulto que recebeu do empresário.
"Ele (Arialdo) veio em minha direção com bastante raiva, subitamente ele pegou uma arma e apontou para minha cabeça e pediu que eu repetisse naquele momento, o que anteriormente eu havia dito, no caso o Pajé Babão", confessou o piloto.
"Repete isso, pois aqui é terra de macho!", teria dito Arialdo Pinho. Nelson Piquet testemunhou o ocorrido e ainda teria incitado o empresário a questionar o piloto. "...é agora quero ver ele ter coragem para dizer aquilo", teria dito o tricampeão da Fórmula 1.
A reação de Pinho foi intempestiva e poderia ter terminado de maneira trágica. Ele se apossou da arma de um dos seguranças que trabalhavam no autódromo, se aproximou do carro e a apontou diretamente para a cabeça do piloto, ameaçando-o. Essa situação, felizmente, foi contornada. Pinho deixou o local.
O piloto disse que não tem provas materiais que comprovem o fato. Ele apenas tem uma testemunha que o acompanhava no mesmo carro, e que essa testemunha tinha uma máquina fotográfica, mas preferiu não acioná-la por medo de ser alvejado pelo ameaçador empresário.
Thiago procurou a Delegacia Metropolitana de Aquiraz, a mais próxima do autódromo, onde registrou a ameaça através do boletim de ocorrência número 207.718/2002.
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