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KART - Primeiros e inesquecíveis passos 


Sua primeira prova de kart aconteceu no ano de 1968, em Interlagos. Senna, então com apenas 8 anos de idade, iria enfrentar adversários mais velhos, de 15 a 18 - e que já competiam. Como o grid de largada era definido por sorteio, ele, por ser o mais jovem de todos, foi o primeiro a tirar um dos papéis de um capacete improvisado de urna. Tirou o número 1 e sai na pole position - um lugar que iria ocupar muitas vezes dali para frente...

Mais leve, Senna manteve a liderança até a 35º da 40 voltas. Foi tocado por trás e saiu da pista. Consegui voltar e recuperou-se para chegar em terceiro. Seu kart, que possuía desde os 4 anos, foi construído por seu pai, Milton, um apaixonado pela velocidade.

Um ano após a estréia, Senna ganhou um novo kart, que fora feito para Emerson Fittipaldi anos antes. Porém, para competir, ele teria que esperar até 1973, quando teria 13 anos de idade, idade mínima para disputas oficiais. Enquanto o dia não chegava, Ayrton continuaria barbarizando com seu kart nas ruas de Santana, zona norte de São Paulo, onde morava a família Senna da Silva.

Sua primeira competição oficial foi o Torneio de Inverno, em julho de 1973, disputado em Interlagos. Como não podia deixar de ser, Senna venceu as duas corridas que disputou. Seu número na época era o 42, com o qual logo se identificou, inclusive passando a ser chamado assim por todo o pessoal do kart paulista da época. Ele próprio afirmou posteriormente que sentia uma relação entre esse número e a vitória - o fato é que o 42 é o número da morte, segundo uma lenda japonesa. Curioso notar que Senna venceu 41 vezes na F1...

Lucio Pascual Gascon, o "Tchê", era seu mecânico. Além de preparador, tornou-se um grande amigo e confidente durante a vida e a carreira de Ayrton - não só no kart, mas também nos monopostos. No ano seguinte (1974), conquistou o primeiro título. A partir daí, apenas o Campeonato Mundial faltou na coleção de troféus.

Apos o título Sul-Americano, em 1977, Senna foi convidado pelos irmãos Parilla - proprietários da conceituado fábrica de motores DAP - para testar no circuito de Parma-Pancrazio, na Itália. O ano era de 1978 e o brasileiro - para espanto dos Parilla - igualou o recorde da pista que era do irlandês Tierry Fulleron, piloto oficial da DAP e ex-campeão mundial. Ainda em 78, pela DAP, Senna disputou o seu primeiro Mundial, em Le Mans, na França. Bateu na bateria final e, mesmo assim, foi eleito piloto revelação. Mas sentiu que teria dificuldades para conquistar o campeonato. "Tinha tanta gente que os 20 classificados para cada um das 4 baterias semifinais eram definidos em eliminatórias de até 100 kartistas", revelou. No mesmo ano, no Mundial de Sugo, Japão, ficou em 4º lugar.

Mas as dificuldades só aumentavam sua obsessão em conquistar o título mundial. No ano seguinte, o Mundial foi em Estoril, Portugal. Seus maiores adversários eram Fulleron e o holandês Peter Koene. Na bateria decisiva, Senna largou em segundo e assumiu a frente após ultrapassar Koene. Venceu e comemorou muito.

Porém, Senna sentiria pela primeira o poder da influência política em sua carreira. Embora empatado em pontos com o brasileiro, Koene foi declarado campeão, mesmo sendo vencido por Ayrton na bateria final, que era o primeiro critério de desempate. Prevaleceu uma arrumação que computou os resultados das baterias eliminatórias na série classificatória, em que o holandês foi quatro décimos mais rápido. Pela primeira vez - de muitas - Senna ganhava e não levava.

Em 1980, nova tentativa. E nova frustração. Em Nivelles-Baulers, Bélgica, ele estava em segundo na bateria final e Marcel Gysin, um suíço que poderia lhe tirar o título, em terceiro. Outro suíço, sem chances de título, era o primeiro, e fechou Senna, permitindo ao seu compatriota Gysin ultrapassá-los e vencer. O mecânico "Tchê" ressaltou posteriormente que faltou a Senna um chefe de equipe para orientá-lo em meio à politicagem que reinou em Estoril e em Nivelles.

Embora já campeão em outras categorias, Senna tentou o título mundial em Parma, Itália (em 1980) e Kalmar, Suécia (em 81). Porém, a falta de competitividade da DAP, a quem se manteve fiel, o impediu de disputar o troféu. Não satisfeito, voltou ao Brasil após o título da Fórmula Ford 2000 e ganhou o Campeonato Brasileiro de 1982. Não ter conquistado o mundial foi uma grande frustração na carreira, segundo ele próprio.

Senna orgulhava-se de ter participado - e ganhado - desta que é a melhor escola de pilotagem: "Foi um aprendizado muito útil. E quem não usa o que aprendeu no kart na F-1 é porque não fez bem a lição ou foi reprovado".

1973 - Primeira vitória em São Paulo.
1974 - Campeão de São Paulo na categoria Junior.
1975 - Vice-Campeão do Brasil na categoria Junior e Campeão do "Nacional Italcolomy" na categoria Junior.
1976 - Campeão de São Paulo, 2º na categoria 100cc, 3º no Campeonato Brasileiro, 2º na categoria 100cc, Vencedor do "Três horas de Karting" em São Paulo e Vencedor da categoria 100cc.
1977 - Campeão da América do Sul no Uruguai na categoria Inter, Vice-Campeão do Brasil na categoria Inter, Vice-Campeão de São Paulo na categoria Inter e Vencedor do "Três horas de Karting" em São Paulo na categoria Inter.
1978 - 6º no Campeonato do Mundo em Le Mans (França) na categoria Inter, 4º no Grande Prêmio do Japão em Sugo na categoria Inter, Campeão do Brasil na categoria Inter, Vencedor do "Três horas de Karting" em São Paulo na categoria Inter e Vice-Campeão de São Paulo na categoria Inter.
1979 - Vice-Campeão do Mundo em Portugal na categoria Inter, Vice-Campeão da América do Sul na Argentina na categoria Inter, Campeão de São Marino na categoria Inter, Vencedor do 1º Round do Campeonato do Brasil em Mato Grosso na categoria Inter, 2º no Grande-Prêmio da Suíça em Wholen na categoria Inter, 2º no Grande-Prémio de Itália em Parme na categoria Inter, e 10º na Taça dos Campeões em Itália na categoria Inter.
1980 - Campeão da América do Sul na categoria Inter, Campeão do Brasil na categoria Inter, e Vice-Campeão do Mundo na Bélgica na categoria 135cc.
1981 - 4º no Campeonato do Mundo em Itália na categoria 135cc, Desistência na Taça dos Campeões em Itália, e Vencedor do Grande-Prémio da Suíça em Wholen na categoria 135cc.
1982 - Vencedor do Campeonato de Porto Alegre e 14º no Campeonato do Mundo na Suécia na categoria de 135cc.

 

 
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Giedo van der Garde, campeão da World Series by Renault em 2008


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