FÓRMULA 3 - O último passo "É, o Chico foi o único piloto que me ajudou na carreira". Ayrton Senna tinha razão. Chico Serra abriu as portas do automobilismo para Senna barbarizar nas categorias pré-Fórmula 1, e sem esse valioso aprendizado, Ayrton talvez não tivesse chegado tão longe.
Como na Fórmula Ford, Serra seria decisivo na carreira de Senna também na F3. Ao ver o amigo exultante após colar o adesivo "Ayrton da Silva" no Ralt/RT3 Toyota da West Surrey Racing, Serra disse: "O 'da Silva' não vai dar certo". Senna surpreendeu-se, mas Chico prosseguiu: "Não consigo imaginar um campeão do mundo chamado da Silva". Pasmado, Senna gaguejou: "Campeão do mundo? Campeão do mundo..." Por fim Chico afirmou: "Use Senna. É menos comum e mais sonoro". Ali nasceu o Ayrton Senna que conquistaria o mundo poucos anos depois.
Em julho de 1982, Senna teve seu primeiro contato com a F3. Ainda na FF2000, foi convidado por Eddie Jordan para um teste em Silverstone, pela Jordan Racing, e bateu o recorde do circuito. Ainda em 82, fez uma prova de F3 em Thruxton. Sem tomar conhecimento dos adversários bem mais experientes e adaptados a categoria, venceu com relativa facilidade.
Motor mais potente, chassi mais complexo, mais competitividade e pneus mais largos. A F3 exigiria tudo de Ayrton Senna como piloto de monopostos. Seria o último e decisivo degrau rumo a F1. Ciente disso, ele escolheu a equipe West Surrey Racing, do neozelandês Dick Bennetts - que lhe daria um carro em condições de disputar vitórias e o título.
As 9 vitórias nas 9 primeiras corridas deixaram isso bem claro. Tanto que após o quarto triunfo da temporada em Silverstone, a imprensa inglesa apelidou o autódromo de "Silvastone", em um trocadilho com o sobrenome do campeão. (Fato é que Senna venceu 9 vezes no circuito, computando FF1600, FF2000 e F3). E a primeira metade do campeonato ainda marcou a quebra do recorde de 8 vitórias seguidas, número pertencente a Jackie Stewart (em 1964) e Nelson Piquet (em 1978). Mas um inglês chamado Martin Brundle começaria a atrapalhar o caminho de Senna.
Nas 3 provas seguintes, Senna não pontuaria e veria Brundle vencer ambas as corridas. Em uma delas, em Snetterton, nascia uma rivalidade sem tamanho. Relembrando os tempos da FF1600, Ayrton e Brundle disputaram uma freada e o brasileiro teve que abandonar. A essa altura, todo o público e imprensa da Inglaterra vibravam ao perceber que alguém poderia derrotar o até então imbatível Senna. E esse alguém era inglês.
Alternando vitórias e compartilhando acidentes, Senna e Brundle chegaram a Thruxton, a última e decisiva etapa, em uma verdadeira guerra de nervos. Bennetts e Eddie Jordan - patrão do inglês - se digladiavam para conseguir melhores equipamentos dos fornecedores. A vantagem de Brundle na pontuação era de um ponto. Mas o regulamento previa que 3 resultados negativos teriam que ser descartados. Portanto, tanto para o inglês quanto para Senna era vencer ou vencer.
O brasileiro foi pole position e disparou. Soberano, venceu de ponta a ponta e se sagrou campeão da tradicional F3. Era o quinto título em 3 anos, e a prova definitiva que estava pronto para a F-1. Mclaren, Brabham, Williams e Toleman sabiam muito bem disso.
1983 - FÓRMULA 3 Equipe: West Surrey Carro: Ralt/Toyota RT3 20 provas 12 vitórias 2 segundos lugares 14 poles positions 14 Voltas mas Rápidas 5 abandonos Campeão inglês da Fórmula 3 com 133 pontos
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