FÓRMULA 1 1985 - Lotus: Sofrendo e vencendo Na sua segunda temporada na F-1, Ayrton Senna estrearia na Lotus. Depois da misteriosa morte de seu fundador, Colin Chapman (em dezembro de 82), a equipe sofreu uma reestruturação profunda. Peter Warr, braço direito de Chapman desde os anos 60, era o novo chefe do time e Gerard Ducarouge - um francês que levou a Ligier a grandes momentos no fim da década de 70 - o projetista. Ou seja, Ayrton teria um bom equipamento e poderia ser mais competitivo. Porém, logo a primeira prova (no Rio de Janeiro), Senna passaria a sofrer com a fragilidade do motor Renault. Teve de parar na 41ª das 61 voltas, vítima de uma pane elétrica. E percebeu que lutaria muito com Alain Prost e Niki Lauda (McLaren), Keke Rosberg e Nigel Mansell (Williams), Nélson Piquet (Brabham), Michele Alboreto e Stefan Johansson (Ferrari). Notadamente, esse pilotos dispunham de melhor equipamento e de motores potentes, ao contrário de Ayrton.
Mas, na prova seguinte, Senna já daria um show. Sob um verdadeiro dilúvio, marcou sua primeira vitória na categoria, em Estoril, Portugal. Foi absoluto, desde a pole position até a última volta. A prova aconteceu no mesmo dia da morte do presidente do Brasil, Tancredo Neves, fato que provocou comoção nacional. Algo curioso desta prova foi a declaração de Patrick Tambay (Renault), terceiro colocado em Estoril: "Vi o diabo pelo menos três vezes durante essa corrida".
Em Ímola, San Marino, nova pole position. Mas o Renault novamente estragaria a festa. Liderou toda a prova e, a 3 voltas do fim, o motor começou a falhar, comprometendo o cálculo do combustível da Lotus e forçando Senna a parar com pane seca. "Tive vontade de encher a cara", desabafou após a corrida. Na 4ª etapa, em Mônaco, novamente o motor Renault tiraria a vitória de Ayrton. Era líder, com boa vantagem, mas a explosão do propulsor forçou o abandono na 18ª volta. No fim da prova, falou profeticamente: "Ainda vou vencer aqui". Alguém duvidaria?
Em Montreal, no Canadá - etapa seguinte - apesar da pole position, Senna novamente abandonaria, agora a 4 voltas do fim. Motivo: motor, novamente. Na prova posterior - Detroit, EUA - nova pole position, mas o desgastante circuito levou o brasileiro a um erro e ao fim da prova. "Nunca imaginei que ia sentar num F-1 obrigado a aliviar o pé para economizar combustível. Como todo mundo, eu achava que era com o pé na tábua que se ganhava corridas", desabafava Senna na 7ª etapa, em Paul Ricard, França. Ele sabia que teria de economizar o máximo possível de gasolina para fazer frente aos BMW/Brabham, os Honda/Williams e os Porsche TAG/McLaren, até 18% mais econômicos que seu Renault. Apesar de poupar, abandonou mais uma vez com a quebra do motor, na 26ª volta.
Apesar da boa prova, Senna teve de abandonar o Grande Prêmio da Inglaterra - em Silverstone - na liderança, a seis voltas do fim, vítima de nova quebra na Lotus. Problemas na suspensão também forçaram o brasileiro a parar na 27ª das 67 voltas em Hockenheim, Alemanha, prova seguinte. Até aí, Senna terminou apenas 1 prova na temporada, em Estoril - justamente onde venceu. De resto, foram 8 abandonos em 9 provas. Mas em Zeltweg, Áustria, finalmente Ayrton completaria mais uma prova. Largou em 14°, deu um show e terminou em segundo, para desespero de Michele Alboreto (Ferrari), o terceiro: "Esse brasileiro é do tipo temerário, corre com a faca nos dentes como se estivesse na Fórmula Ford", disse o italiano, revoltado.
No complicado circuito de Zandvoort (Holanda), Senna se sobressaiu sobre as dificuldades da Lotus e terminou em terceiro lugar, somando pontos importantes no campeonato. Em Monza - Itália -, apesar da pole position, um novo 3º lugar foi satisfatório, levando-se em conta a fragilidade do Renault em pistas velozes como a italiana. Em Spa-Francochamps, Senna finalmente voltou a vencer. Novamente debaixo de muita chuva, reinou no difícil circuito belga e alcançou o terceiro lugar na classificação da temporada, atrás apenas de Alain Prost (McLaren) e Alboreto, dupla que disputaria o título até a última etapa.
No Grande Prêmio da Europa (Brands Hatch, Inglaterra), Senna e Nélson Piquet (Brabham), após um batalha pela pole position, formaram a primeira dupla brasileira a dominar a primeira fila de um grid na história da F-1. No final da prova, Ayrton se contentou com o segundo lugar, pois sabia que era impossível acompanhar o ritmo do endiabrado Nigel Mansell, da Williams. Em Kyalamy (África do Sul), o Renault novamente forçou o abandono de Senna, na 8ª volta. Um novo estouro de motor em Adelaide (onde foi o pole position), na última etapa, revoltou Ayrton. Principalmente após a renovação da Lotus com o propulsores franceses para a temporada de 1985.
As 7 pole position e o terceiro lugar no campeonato foram satisfatórios. Mas todos sabiam que Senna poderia ter sido campeão.
1985 - Carro: Lotus Modelo: 97T Motor: Renault Projetista: Gerard Ducarouge Número: 12 Companheiro: Elio de Angelis (Itália) 2 vitórias (Portugal e Bélgica) 2 segundos lugares 2 terceiros lugares 7 poles positions 3 voltas mais rápidas 16 grandes prêmios 4º no Campeonato com 38 pontos
|