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FÓRMULA 1 1986 - Lotus: Na mesma...


"Iam dividir por dois o que mal dava pra um". Esse era o argumento de Ayrton Senna ao vetar a escolha do inglês Dereck Warwick como seu companheiro de Lotus - Elio de Angelis tinha se transferido para a Brabham. Achava que a escuderia não teria condições de dar um bom tratamento a dois pilotos rápidos e talentosos. Para a fanática e sempre parcial imprensa inglesa, essa postura de Senna era inadmissível, e iniciou-se aí um batalha entre o brasileiro e praticamente toda a mídia da Inglaterra. Peter Warr (chefe da equipe) rapidamente tentou uma saída amistosa e trouxe o aristocrata escocês Johnny Dumfries para o lugar de segundo piloto. Dumfries, apesar de algum destaque em categorias de acesso, apenas faria um papel secundário, mais para agradar a imprensa e os patrocinadores do que propriamente para competir com igualdade frente a Ayrton. Senna se conformou, mas queria mesmo o amigo Maurício Gugelmim - campeão inglês da F-Ford 1600 em 82, vice campeão inglês da F-Ford 2000 em 83, campeão europeu da F-Ford 2000 em 84 e campeão inglês de F-3 - como segundo piloto.

Como de costume, a primeira etapa seria no Rio de Janeiro. E a para delírio da torcida brasileira, Senna foi o pole position, Nelson Piquet (estreando na Williams) fez a melhor volta e ambos marcaram a primeira dobradinha da dupla, igualando José Carlos Pace e Emerson Fittipaldi no GP do Brasil de 1975, em Interlagos (São Paulo). Piquet venceu, mas o segundo lugar foi um bom resultado para Senna. Um emocionante coro acompanhou o Hino Nacional brasileiro em Jacarepaguá.

A prova seguinte entraria para a história. Na estréia do circuito espanhol de Jerez de la Fronteira na F-1, Senna e o leão Nigel Mansell (Williams) travaram um duelo inesquecível. A 10 voltas do fim da corrida, Ayrton surpreende Mansell e recupera a liderança perdida. Num lance arriscado, a Williams chama o inglês para os boxes, onde são trocados os pneus. Na volta a pista, Mansell está a 19 segundos de Senna, que tinha pneus extremamente desgastados. O inglês, bem ao seu estilo, reduz a diferença em pouco tempo e, a duas voltas do fim, chega no brasileiro, mas Ayrton faz o que pode e consegue se defender. Na última curva da corrida, ambos rasgam a reta lado a lado e cruzam a linha de chegada praticamente ao mesmo tempo - a vitória ficou com Senna, que chegou a 0,014 segundos a frente de Mansell. Uma vitória antológica.

Em Imola, San Marino (3ª etapa), nova pole position, porém um problema em uma roda determinou o fim da prova para Ayrton. Na corrida seguinte, em Mônaco, o máximo que Senna pode conseguir foi o terceiro lugar, atrás das potentes McLarens do motor Porsche de Alain Prost e Keke Rosberg. Fato curioso nessa prova foi que o francês Prost chegou na reta final da última curva praticamente sem combustível e parou apenas 5 metros depois da linha de chegada.

O GP belga de Spa-Franchochamps viu novamente a potência do motor Honda da Williams de Mansell, o vencedor. Senna chegou em segundo e se emocionou com a homenagem do inglês a Elio de Angelis, morto em um teste da Brabham em Paul Ricard dias antes da prova. Mansell não estourou o champagne e dedicou a vitória ao italiano, seu companheiro na Lotus entre 80 e 84, e que dividiu a mesma equipe com Senna em 85. No Canadá, Ayrton teve que se contentar com o 5° lugar, brigando com o desequilíbrio do carro. Já em Detroit, na 7ª etapa, brilhou novamente a estrela do piloto da Lotus. Abalado e chateado pela eliminação do Brasil na Copa do México pela França - e tendo que suportar todas as provocações e brincadeiras dos mecânicos franceses da Renault - Senna buscou a vitória para ir a forra. Após um pit stop forçado devido a um furo em um dos pneus, ele ultrapassou com muita categoria as duas Ferrari de Alboreto e Johansson, a Mclaren de Prost e as Ligier de René Arnoux e Jacques Lafitte. E contou com o erro de Piquet, que bateu e abandonou. Venceu fácil, e na volta de desaceleração fez, pela primeira vez, um gesto que o marcaria - comemorar a vitória com a bandeira brasileira. Nesse dia, nasceu o mito Senna para os brasileiros, desprotegidos e envergonhados pela derrota no México.

Apesar da pole position, no GP da França (Paul Ricard) Senna abandonou novamente. O motivo foi um problema na roda de seu Lotus. Em Brands Hatch, GP da Europa, as três largadas provocadas por acidentes forçaram a embreagem do carro e Ayrton novamente não completou a prova - sem antes travar uma bela disputa com os potentes Williams Honda de Mansell e Piquet. O mesmo Piquet que faria nova dobradinha brasileira com Senna em Hockenheim (10ª etapa). O que Ayrton comemorou mesmo na Alemanha foi anúncio da ida do motor Honda para a Lotus em 1987, no lugar do frágil Renault. Essa transação, inclusive, foi intermediada por ele próprio.

Na etapa seguinte, a F-1 estrearia em um país socialista. E com recorde de público: 200 mil pessoas. O local era a pista de Hungaroring (Hungria), que viu um autêntico show brasileiro. Senna foi o pole position, mas Piquet o ultrapassou no início da prova. Após o pit stop, Ayrton reassumiu a primeira posição e viu-se uma lição de pilotagem. Piquet se aproximou rapidamente, mas Senna defendia-se com muita agilidade. Era um duelo histórico. E Piquet, em uma manobra inesquecível, ultrapassou Ayrton no fim da reta dos boxes e rumou para uma bela vitória. Em Zeltweg, Áustria, o desinteresse da Renault ficou claro e Senna não passou da 13ª volta. Na 13ª etapa, em Monza, a transmissão da Lotus quebrou e o brasileiro nem largou.

Para Senna, a maior decepção da temporada foi em Estoril, Portugal. Largou na pole position, mas não teve como segurar o ímpeto do vencedor Mansell. Quando contava com os pontos da 2ª posição e via que teria gasolina suficiente para terminar a prova, um engenheiro da Lotus cometeu um erro no computador. Com isso, Senna teve uma pane seca a apenas 2 voltas do fim. Ainda chegou em quarto, mas acabaram suas chances matemáticas de brigar pelo título. Na corrida seguinte, a F-1 retornaria ao México, após 16 anos, no circuito de Hermanos Rodriguez. E Senna largaria pela 8ª vez na pole position em 86. Mas, no final, a vitória ficou com Gerhard Berger, da Benetton. Ayrton ainda foi o terceiro. Piquet, Mansell e Prost iriam para Adelaide (Austrália, última etapa) para decidir quem seria o campeão da temporada. E o inglês, que tinha mais chances, foi vítima de uma tragédia. Foi pole position, era terceiro colocado e rumava tranqüilo para o título quando um de seus pneus estourou a 500 metros depois do boxe. Abandonou e viu Prost vencer e faturar o bicampeonato, em uma corrida que Senna foi apenas coadjuvante, abandonando antes da metade da prova.

Os 55 pontos e o 4° lugar no campeonato - sem contar as 8 poles position e as 2 vitórias - foram um avanço em relação a 1985. Mas Senna sabia que poderia fazer muito mais do que isso com a saída do motor Renault e chegada do Honda, na Lotus de 1987. Era o que ele esperava.

1986 - Carro: Lotus
Modelo: 98T
Motor: Renault
Projetista: Gerard Ducarouge
Número: 12
Companheiro: Johnny Dumfries (Escócia)
2 vitórias (Espanha e Estados Unidos)
4 segundos lugares
2 terceiros lugares
8 poles positions
16 grandes prêmios
4º no Campeonato com 55 pontos

 

 
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Giedo van der Garde, campeão da World Series by Renault em 2008


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