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FÓRMULA 1 1987 - Lotus: De saída


A equipe Lotus estava mudada em relação a 1986. Sai o preto da patrocinadora John Player Special e entra o amarelo da Camel. E chegava o japonês novato Satoru Nakajima no lugar de Johnny Dumfries. Além - é claro - do motor Honda, que iria dar a Ayrton Senna toda a potência e a confiabilidade que faltavam no fraco Renault de 85 e 86. Porém, o modelo 99T decepcionaria Ayrton. A suspensão ativa (um dos fatores que pesaram na escolha de Senna em permanecer na Lotus em 1987) progrediu muito pouco e o brasileiro começou a pensar em outra equipe já no começo da temporada.

Apesar das novidades, as 90 mil pessoas - recorde do circuito - que compareceram no Rio de Janeiro para a abertura do campeonato veriam o Honda super aquecer pela alta temperatura de Jacarepaguá - quase 40° graus. Senna ficou de fora e a vitória ficou com Alain Prost (McLaren), que parou 4 vezes no pit stop contra 6 de Nelson Piquet (Williams), o segundo, e de Senna. A pista estava muito quente e os pneus se desgastavam com muita rapidez. "O carro ficava bom durante cinco voltas e depois era preciso segurá-lo no braço", disse Ayrton, "mas sei que o Honda é competitivo e resistente". Em Imola, San Marino (2ª etapa), a pole position não foi suficiente para segurar Nigel Mansell e sua poderosa Williams. Restou um bom segundo lugar.

A primeira confusão da temporada seria em Spa-Francochamps, Bélgica (3ª etapa). Senna ultrapassou o pole Mansell na largada, mas o leão forçou pela esquerda de Ayrton no S da curva Stavelot e ambos abandonaram, após esse toque na primeira volta. "O Mansell não tinha a mínima chance de sucesso naquela curva", afirmou, contrariado. Fato é que o inglês invadiu os boxes da Lotus e chamou Senna para a briga. Mas os mecânicos impediram o confronto.

Na etapa seguinte, em Mônaco, Mansell e Senna novamente dividiram a primeira fila. Todos esperavam mais um round da briga mas o leão abandonou na 29ª volta. Ayrton assumiu a ponta e foi perfeito, levando a Lotus/Honda a sua primeira vitória em 1987, com direito a banho de champagne na realeza presente no pódio. Na 5ª etapa, em Detroit (EUA), nova vitória. Nem se preocupou em ultrapassar o pole position Mansell e poupou o carro. O inglês teve problemas e o brasileiro assumiu a ponta, caminhando tranqüilo para repetir a dobradinha da prova anterior com Piquet. A perfeição de Ayrton no circuito de rua norte-americano deixou eufórico o projetista da Lotus, o francês Gerard Ducarouge: "Ele é um monstro!"

Em Paul Ricard, França (6ª etapa), foi a vez de Mansell ser perfeito. Não deu chances a Piquet (o 2°), Prost (3°) e Senna (4°), que penou com a Lotus. "A minha desvantagem era tão evidente que eu sabia que, mesmo largando na pole position, faria uma corrida de chegada, procurando marcar mais pontos no campeonato", admitiu. O inglês repetiu a vitória em Silverstone (Inglaterra, 7ª etapa) e Ayrton teve que se contentar com o 3° lugar. Mas ele e o time permaneceram no circuito, testando a tão esperada suspensão ativa. "Estamos muito atrás das Williams, e as diferenças só se tiram com muito trabalho. Daí, o negócio é suar", disse o sempre aplicado Senna. Em Hockenheim (8ª etapa), a inferioridade se repetiria, assim como os problemas na Lotus. "Em nenhum momento senti o carro no chão. Com o tanque cheio, a suspensão ativa simplesmente não funcionava. O Lotus estava instável e trepidava muito", lamentou. Viu de longe a vitória de Piquet e ainda perdeu a segunda posição para Stefan Johansson (McLaren), a uma volta do fim, fechando em terceiro.

Repetiu a dobradinha de 86 na Hungria (9ª etapa), com Piquet na frente. Largou em sexto, fez uma boa prova e se beneficiou da quebra de Mansell, que era o segundo. Em Zeltweg (10ª etapa), alguns fatos transformaram o GP austríaco em uma prova inusitada. Senna atropelou um rato na sexta-feira e danificou sua Lotus, e Johansson teve um acidente tão improvável quanto o do brasileiro. O sueco da McLaren atropelou um filhote de veado e competiu com fortes dores no peito e no braço direito. Na hora da largada, novos problemas. Na primeira e na segunda tentativa, 14 carros bateram e uma nova largada foi marcada. Senna era o 7° no grid, mas deixou o motor morrer e caiu para 18°. Porém, se recuperou e terminou em 5°.

Uma outra grande atuação de Senna marcou o GP de Monza (11ª etapa). Largou em terceiro, arriscou a não parar para o pit stop - visando superar os poderosos Williams - e era líder, segurando bravamente uma Lotus completamente desequilibrada. Mas um retardatário o atrapalhou e ele não pôde evitar a rodada. Foi ultrapassado por Piquet, mas tirou 6 segundos do seu compatriota e cruzou a apenas 2 segundos do vencedor, resistindo a pressão de Mansell e Gerhard Berger (Ferrari). O austríaco marcaria sua primeira pole position do ano em Estoril, Portugal (12ª etapa), uma prova ruim para Senna. Largou em 5° e terminou num modestíssimo 7° lugar, ficando a 18 pontos do líder Piquet no campeonato. "Pode ter ficado difícil, mas não impossível. Enquanto tiver corridas e chances matemáticas, vamos brigar", disse no fim da prova.

A essa altura, as cartas para 1988 começavam a ser dadas. Senna levaria os Honda para fazer companhia a Prost na McLaren. A Williams perderia os motores Honda e Nelson Piquet, que substituiria Senna na Lotus, deixando o caminho livre para Mansell na equipe inglesa. Ricardo Patrese substituiria o brasileiro. A única equipe grande que manteria os pilotos seria a Ferrari, apostando na experiência de Michele Alboreto e no futuro de Berger. Tudo isso ficou claro após a dobradinha da Williams em Jerez de la Fronteira, Espanha (Mansell venceu e Piquet foi o 2°). Senna foi o quinto. Melhor posição do que o abandono no México (14ª etapa). Largou em 7° e arriscava tudo que podia no veloz circuito. Porém, rodou e teve o carro empurrado para uma zona de desaceleração quando ainda podia voltar para a prova. Ficou furioso e partiu para cima dos comissários de pista. E acabou sendo punido em U$ 15 mil pela FIA.

Nelson Piquet conquistou o tricampeonato na etapa seguinte, em Suzuka (Japão). Mansell - o único que poderia tirar-lhe a conquista - teve um acidente no sábado e não pôde disputar a prova. Com isso, Piquet já era campeão antes mesmo da corrida. Já Senna não largou bem - era apenas o 7° no grid - mas teve paciência e conduziu a Lotus à segunda posição, atrás apenas do vencedor Berger. Com isso, conquistou a terceira colocação no campeonato, independente da última prova em Adelaide. Despediria-se da Lotus com um belo resultado, atrás apenas dos potentes Williams/Honda e na frente das McLaren/Porsche de Prost e Johansson e da Ferrari de Alboreto e Berger. Na prova australiana, foi o 10°, mas, por irregularidades no carro, foi desclassificado. Fechou o ano e a última grande temporada da legendária Lotus na F-1. A equipe não venceria nem faria pole position em nenhuma prova depois da saída de Ayrton. Em sua passagem pelo time inglês, foram três temporadas (1985, 1986 e 1987). Em 48 corridas, venceu 6 vezes e fez 16 poles positions.

Encerrava-se um ciclo na carreira de Ayrton Senna. Agora, passava a McLaren/Honda, em um carro onde - pela primeira vez na F-1 - teria condições reais de vitórias e podia almejar o tão sonhado título. Mas primeiro teria que vencer um companheiro de equipe a altura - algo que nunca tivera - o "professor" Alain Prost.

1987 - Carro: Lotus
Modelo: 99T
Motor: Honda
Projetista: Gerard Ducarouge
Número: 12
Companheiro: Satoru Nakajima (Japão)
2 vitórias (Mônaco e Estados Unidos)
4 segundos lugares
2 terceiros lugares
1 pole position
3 voltas mais rápidas
16 grandes prêmios
3º no Campeonato com 57 pontos

 

 
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