FÓRMULA 1 1991 - McLaren: Um suado tri Terminadas todas as confusões que envolveram a F1 no final dos anos 80 e começo dos 90, algumas mudanças importantes aconteceram. A mais importante delas foi a saída de Jean Marie Balestre da presidência da FIA. Extremamente desgastado com os membros da instituição, o francês não pode evitar a massacrante vitória do advogado inglês Max Mosley por 43 votos contra 19 - os votantes eram delegados representantes de países de todos os continentes. Em torno de 1970, Mosley, fundador da equipe March, se envolveu com a FOCA (hoje FOA), a associação dos construtores da F1. Rapidamente ascendeu ao posto de braço direito de Bernie Ecclestone e redigiu o Pacto de Concórdia, que acabou com a disputa entre FIA e FOCA pelo controle da categoria em 1982. Obviamente Mosley seria mais democrático e justo, e foi isso que ele demonstrou no decorrer de seus mandatos. Já nas pistas, Ayrton Senna permaneceu com Gerhard Berger ao seu lado na McLaren, enquanto Alain Prost formava com o promissor Jean Alesi uma dupla francesa na Ferrari. O inglês Nigel Mansell voltou para a Williams, que manteve Ricardo Patrese. Nelson Piquet e Roberto Moreno permaneceram na Benetton.
Ayrton venceu com facilidade a primeira prova do ano, em Phoenix, EUA. Foi pole e venceu de ponta a ponta, seguido por Prost e Piquet. Em Interlagos, na segunda etapa, a alegria da primeira vitória em casa só veio após muito sofrimento. Marcou a pole, embora a superioridade dos Williams fosse enorme. Inovações tecnológicas (como a suspensão ativa) fizeram dos carros de Mansell e Patrese máquinas muito velozes, e Senna percebeu isso logo no início da temporada. Após a largada em São Paulo, Ayrton travou um duelo com o leão, que teve problemas no câmbio e abandonou na 65ª volta. O que parecia uma vitória fácil tornou-se um drama. Perdeu a terceira, e em seguida a quarta marcha. Faltavam sete voltas para o final, e em seguida Patrese (o 3º) tirou 3 segundos de diferença. "Se fosse numa outra corrida até me controlaria mais, mas em Interlagos, com o povo em pé, me ajudando a acelerar, eu não podia jogar a toalha. Tinha de vencer, ia vencer", disse depois. Perdeu todas as marchas e ficou apenas com a sexta nas voltas finais. Em um esforço sobre-humano, conduziu a McLaren àquela que foi uma de suas mais brilhantes vitórias. Comemorou descontroladamente dentro do carro e, chegando a reta oposta, foi parado pela multidão enlouquecida que invadiu a pista. Praticamente sem forças, saiu da McLaren ajudados pelos fiscais. No pódio, mal conseguiu levantar a taça, tal o cansaço. O público, em delírio, ovacionava o ídolo. Finalmente Ayrton Senna tinha vencido em casa. "Se esse era o preço para ganhar no Brasil, foi barato. Valeu".
Sob chuva, venceu novamente em Imola, San Marino. Apesar de perder a liderança na largada para Patrese, soube esperar o momento certo para efetuar a ultrapassagem e venceu com segurança. Nessa prova, Senna ainda pode contar com os abandonos de Mansell e Prost, que envergonhou os tifosi ao rodar logo na volta de apresentação... Para completar um brilhante início de temporada, repetiu a vitória em Mônaco, marcando a 4ª vitória em 4 provas disputadas em 91. Esses resultados foram decisivos no final da temporada, pois sem eles, Ayrton não teria com segurar o crescente avanço das Williams.
A inferioridade frente aos carros de Patrese e Mansell ficou latente em Montreal, na etapa seguinte. Abandonou sem poder disputar nem uma freada sequer com os potentes Williams. Porém, contou com a sorte em outro GP que foi fundamental para o campeonato. A menos de meia volta para o fim da prova, o inglês, que liderava com grande vantagem para o segundo colocado (Piquet), teve uma quebra no câmbio e abandonou. Porém, há indícios de que Mansell deixou o carro morrer ao exagerar nas comemorações. Sem dúvida, uma barbeiragem que pode ter custado o título. Quem riu por último foi Piquet, que marcou sua última vitória na F1.
Machucado na cabeça após um acidente de jet ski (levou 10 pontos) Senna teve outro grave incidente nos treinos para o GP do México, etapa seguinte. Na sexta-feira, entrou rápido demais na famosa curva Peraltada e perdeu o controle de seu McLaren. Ficou alguns segundos de cabeça para baixo e viveu momentos de pânico. Não sofreu nada de grave, mas não pôde brigar pela pole no dia seguinte, devido a nova supremacia das Williams. Na prova, Patrese venceu, seguido por Mansell e por um esgotado Senna, que devido ao esforço de levar a McLaren ao final teve distensões musculares e fortes dores nas costas. Na França, na estréia do circuito de Magny-Cours, novamente arrastou seu carro para completar o pódio atrás de Mansell e de Prost. "É... estamos em uma fase difícil", disse, esperando uma nova versão para o já defasado motor Honda.
Uma inesperada pane seca tirou de Senna um segundo lugar no GP da Inglaterra. Como era impossível bater Mansell, que disparou rumo à outra vitória, Ayrton estava relativamente satisfeito com a posição. A uma volta do final parou, ficando atrás de Berger e Prost, com uma Ferrari muito longe do ideal. E, para alertar seus mecânicos, disse: "Se não estivermos em igualdade técnica com a Williams em três corridas, o campeonato estará perdido". Por mais incrível que possa parecer, novamente Ayrton parou por pane seca no GP da Alemanha, uma semana após a prova de Silverstone. Quando estava conformado-se com o terceiro lugar - atrás das Williams, claro - Senna abandonou a uma volta do fim, mais uma vez. Decepcionante foi ver nova vitória do leão.
O jogo mudaria a favor de Senna em Hungaroring, Hungria. McLaren e Honda sabiam que dali não podiam sair sem um resultado positivo, e fizeram grande esforço para auxiliar Ayrton. Com a pole garantida, o brasileiro soube segurar, na catimba, os Williams voadores. Freava bruscamente e forçou os desgaste dos carros de Patrese e Mansell, logo atrás. Com isso, pôde voltar ao lugar mais alto do pódio. "Essa vitória foi importantíssima para a moral da equipe", disse, com sabedoria. Para respirar ainda mais, Senna venceu de novo em Spa, Bélgica. Após duelos com Alesi e Mansell (que abandonaram) o brasileiro pôde comemorar o renascimento no campeonato. Piquet foi o terceiro e Moreno, o quarto, fez a melhor volta da prova. Infelizmente, não pôde evitar sua demissão - na etapa seguinte Moreno deu seu lugar na Benetton ao alemão Michael Schumacher.
"Fiz uma corrida para chegar", disse em Monza, etapa seguinte. Obviamente as Williams estavam melhores, e ele se contentou em chegar em segundo, 56 segundos atrás de Mansell - foram, sem dúvida, 6 pontos muito importantes. Pôde contar com a sorte em Estoril, Portugal, penúltimo GP europeu do ano. Era terceiro, atrás de Patrese e Mansell. Porém, um erro no pit stop do carro do inglês (a roda se soltou e os mecânicos a trocaram fora do espaço permitido) fez com que o leão fosse desclassificado, deixando Senna em segundo, atrás apenas do italiano.
Na Espanha, etapa seguinte, fez jogo de equipe com Berger e deixou o austríaco na ponta para tentar segurar o leão. Conseguiu, pelo menos durante a chuva, que castigou Barcelona no dia da prova. Porém, após o secamento da pista, Ayrton errou na opção de pneus e viu Mansell vencer novamente - Berger tinha abandonado. Não pôde segurar Patrese, Alesi e Prost, fechando apenas em quinto.
Foram para Suzuka, penúltima etapa, decidir o título. Mansell precisava vencer, pois estava com 16 pontos de atraso para Senna. A briga começou na luta pela pole, conquistada com louvor por Berger. O austríaco partiu na liderança e Ayrton ficou segurando o leão, em terceiro. No começo da 10ª volta, Mansell entrou na cola de Ayrton, mas não pôde evitar a perda do vácuo na entrada da primeira curva e rodou, parando apenas na caixa de brita. O campeonato estava decidido em 17 minutos. Senna era tricampeão. Motivado, foi à caça de Berger e ambos protagonizaram uma bela disputa. Ayrton roubou-lhe a liderança, mas obedeceu a um pedido de Ron Dennis e deu a vitória - a contragosto - ao austríaco. Era a recompensa pela força de Berger, que o ajudou durante todo o ano.
Na última prova do ano, em Adelaide, Austrália, uma forte chuva caiu e a prova teve apenas a metade da duração prevista. Senna, claro, foi o vencedor. Agora era tricampeão, após um ano difícil e muito disputado. Mal sabia que aquele era seu último título.
1991 - McLaren/Honda 7 Vitórias nos Estados Unidos, Brasil, São Marino, Mônaco, Hungria, Bélgica e Austrália 3 segundos lugares em Itália, Portugal e Japão 2 terceiros lugares no México e França 8 Poles Positions 2 Voltas mais Rápidas em 16 Grandes Prémios Campeão do Mundo pela terceira vez com 96 pontos
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