FÓRMULA 1 1992 - McLaren: Deus salve o leão Ayrton Senna vinha alertando o pessoal da Mclaren desde o começo de 1991: a Williams/Renault viria com um grande carro. Isso ficou comprovado na temporada do tricampeonato, talvez o título mais disputado por Ayrton. Porém, ele próprio não imaginava que em 1992 os carros de Nigel Mansell e Ricardo Patrese estivessem tão superiores aos demais. Além disso, este seria o último ano da Honda na F1, e com certeza isso seria decisivo para uma queda no rendimento da McLaren. A chave do sucesso da Williams foi o grande aparato eletrônico desenvolvido por Patrick Head desde o final dos anos 80. Ironicamente, um dos principais trunfos de Mansell e Patrese era a suspensão ativa, inicialmente desenvolvida por Senna na Lotus, em 1986 e 1987. A Williams não se precipitou e passou a investir na suspensão ativa mais tardiamente, acompanhada de uma tecnologia melhor e mais avançada. A Lotus iniciou cedo demais esse desenvolvimento, gastou os tubos e não teve retorno nenhum.
Logo em Kyalami, África do Sul, na primeira etapa de 1992, a imensa distância entre a Williams e os demais ficou à mostra. Mansell fez a pole, a melhor volta, liderou de ponta a ponta e venceu com extrema facilidade. Patrese foi o segundo e Senna o terceiro - na melhor posição possível. Alain Prost, em litígio com a Ferrari, resolveu fazer um ano sabático e virou comentarista da tv francesa. E já afinava o discurso com as francesas Elf e Renault para voltar em 1993 a bordo da Williams. Na segunda etapa, no México, a McLaren usou pela última vez o carro campeão de 91. Como no ano anterior, o desempenho de Mansell e Patrese foi absurdamente superior, restando a Senna um amargo 6º lugar no grid. Na prova, parou logo na 11ª volta. Nova vitória de Mansell, seguido por Patrese e Michael Schumacher (Benetton).
Em Interlagos, nem mesmo os 4 carros que a McLaren tinha trazido para o GP Brasil resolveram os problemas críticos do time. Nada menos do que 90 pessoas, entre pessoal da Honda e da equipe, circulavam loucamente no paddock para tentar diminuir a diferença para os Williams. Inútil. Senna se sacrificou para arrancar um terceiro lugar no grid, mas parou logo no início, vítima de uma pane geral no carro. Mansell, claro, venceu de novo. Assim como fez em Barcelona, Espanha. Lá Ayrton, novamente buscando o limite total do carro, se expôs demais e rodou várias vezes, abandonando a prova. Pelo menos em San Marino, na etapa seguinte, Senna foi o terceiro. Mansell marcou a quinta vitória seguida e com certeza já contava os dias para comemorar seu primeiro título na F1.
Mas em Mônaco, Ayrton voltaria a sentir o gosto da vitória. Mansell foi pole e liderou tranqüilamente até a 69ª volta, quando teve um pneu furado e foi obrigado a fazer um pit stop extra. Senna, o segundo, soube da parada do leão e acelerou: "Agora vou vencer!". Assumiu a ponta e berrava no rádio da McLaren: "Vou vencer, vou vencer!". Foram sete voltas de arrepiar. Nigel, com um carro nitidamente superior, rapidamente descontou a diferença que Senna abrira e colou na traseira da McLaren. Ayrton fechou a porta de todas as maneiras, e um Mansell endiabrado fazia de tudo para passar o brasileiro. As duas últimas voltas foram históricas e Senna segurou o leão, quebrando a hegemonia da Williams e vencendo pela quinta vez em Mônaco. "Nosso carro é inferior, mas hoje me senti feliz em domar o leão", disse.
Pressionado, Mansell perdeu a pole para Ayrton no Canadá, etapa seguinte. Na ânsia desesperada de ultrapassar o brasileiro, Nigel errou em uma curva e abandonou - talvez sentindo que a McLaren podia esboçar uma reação. Senna, escoltado por Berger, o segundo, rumava sem problemas rumo à vitória quando parou por problemas eletrônico. O austríaco ficou com o lugar mais alto do pódio. Na França, Ayrton mal largou. Atropelado por Schumacher, parou antes da primeira curva. Como o GP foi disputado sob forte chuva, Senna sabia que podia repetir a vitória de Mônaco. Mas viu dos boxes nova vitória de Mansell - repetida em Silverstone, onde o leão deu um show em casa, com direito a invasão de pista da ensandecida torcida inglesa. Senna bem que tentou brigar com Martin Brundle, da Benetton, mas abandonou com a caixa de câmbio quebrada. Duelou com Patrese na Alemanha, etapa seguinte, forçando o italiano ao erro e o conseqüente abandonou. Foi segundo, atrás de Mansell e à frente de Schumacher. Nessa época, já pensava em 93. Desmotivado, não queria ficar mais um ano lutando pela 3ª posição e levava em consideração a possibilidade de, durante um ano, ir fazer companhia ao amigo Emerson Fittipaldi na Fórmula Indy.
Após 3 vice-campeonatos, na Hungria, finalmente Mansell pode soltar o grito de campeão. Em uma prova dominada por Senna, o vencedor, Nigel soube se contentar com o segundo lugar, que era suficiente para levantar o título. Emocionado, fez festa com Ayrton e Berger no pódio. Chorou, gritou e comemorou um merecido campeonato. Apesar de contar com um carro absurdamente superior, Mansell teve uma garra e vontade de vencer imensas, fazendo jus ao apelido. Finalmente foi campeão, para alívio de Senna também. Afinal, agora tudo estava decidido e no restante do campeonato as corridas podiam ficar mais divertidas. A essa altura, Senna havia descartado a possibilidade de ir para a Ferrari em 93, mas flertava com a Williams e jogava com a McLaren. Queria um carro à sua altura, e negociava com as cartas que possuía. Mesmo sabendo que Mansell e Prost também estavam à espreita.
Em Spa, Bélgica, chegou a liderar algumas voltas, mas perdeu a vitória para Schumacher. Restou um apático quinto lugar. No GP da Itália, em Monza, os contorno de 1993 começavam a ser definidos. Primeiro a Honda anunciou sua retirada da categoria, para desgosto de Senna - agora, se ficasse na McLaren, teria de correr atrás de um motor. Frank Williams sucumbiu a pressão de Prost, o preferido da Renault, para 93. O francês havia assinado o contrato logo no meio de 92, e barrou qualquer possibilidade de ter Senna ou Mansell como companheiros. Nigel, furioso, anunciou sua ida para a Indy, onde guiaria um Newman/Haas - foi campeão no ano seguinte. Na pista, Senna contou com as quebras das Williams e lutou com a dupla da Benetton, Brundle e Schumacher, para vencer.
A máscara de Prost caiu em Estoril, na etapa seguinte. A Williams anunciou a contratação do francês para 1993, que teria o inexpressivo Damon Hill como companheiro. Ficou à mostra a cláusula de veto aos nomes de Mansell e Senna, que disse que correria até de graça para Frank. Situação constrangedora para a Williams, que pareceu estar sendo mandada por Prost. Na prova, novo show de Nigel, que venceu de ponta a ponta. Senna, com novos problemas, foi só o terceiro, atrás também de Berger. Em Suzuka, Ayrton queria mesmo dar a vitória a Honda em casa na sua despedida. Porém, parou logo na 3ª volta, com uma irônica quebra do motor. Mansell deu passagem a Patrese, que venceu pela última vez na carreira. Na Austrália, última etapa, Senna não conteve o ímpeto e bateu na traseira de Nigel, que se despedia da categoria. Berger venceu. Era o final do campeonato e Ayrton amargaria apenas a 4ª posição na classificação, atrás também de Schumacher. Para 1993, após tentar insistentemente com a Renault (novamente protecionista, preferiu a Ligier para ceder seus motores), Ron Dennis fechou com a Ford. Senna não havia decido para onde ir - testou também o Penske de Emerson no oval de Phoenix. Levava em consideração a possibilidade de parar um ano. Brigar com Prost, com "um carro de outro planeta" seria difícil. Após um duro 1992, não sabia o que fazer.
1992 - Mclaren/Honda 3 Vitórias no Mônaco, Hungria e Itália 1 segundo lugar na Alemanha 3 terceiros lugares na África do Sul, São Marino e Portugal 1 Pole Position 1 Voltas mais Rápidas 16 Grandes Prémios 4º no Campeonato com 50 pontos
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