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FÓRMULA 1 1993 - McLaren: Os últimos shows


Após momentos de indefinição com a McLaren, Ayrton Senna resolveu assinar um contrato apenas para a prova de abertura, na África do Sul. Não queria sofrer com em 92: "o que quero acima de tudo é voltar a pilotar, mas um carro competitivo, que me dê hipóteses de ganhar, de lutar pelo título. Uma temporada tão estéril como a de 1992, que me deixou impotente, foi demais. Quero ser competitivo", resumiu. Claro que a presença de Alain Prost no super carro da Williams o instigava e o motivava. Após reuniões com o pessoal da Marlboro e muitas tentativas a respeito de salário, Senna acertou sua ida a Kyalami.

Logo percebe que a Mclaren de 93 "tem potencial". Melhor do que 92, mas ainda longe das Williams. Prost vence fácil, e Ayrton é o segundo. Damon Hill, companheiro do francês, só fez rodar na pista. Michael Andretti, substituto de Gerhard Berger na McLaren (foi para a Ferrari) começou seu calvário como parceiro de Senna. Tanto que seria demitido antes da metade da temporada. Ayrton vem a São Paulo para o GP do Brasil sem contrato com a McLaren. Assina somente na quarta-feira anterior à prova, sem saber o show inesquecível que daria em Interlagos. Após as Williams dispararem na frente e ser punido com um stop and go, Senna vê a chuva se aproximar do autódromo. Pára antes de todos e volta na frente, atrás apenas de Hill. Prost, pateticamente, roda na reta e bate em Christian Fittipaldi (Minardi), para delírio dos torcedores. Ayrton vai atrás de Hill e lhe dá um drible lindo para assumir a ponta e vencer em casa. Além da estupenda vitória, foi nessa prova que Senna conhece Adriane Galisteu, seu último grande amor. Havia encontrado sua cara metade. Será que valeu a pena ter assinado o contrato?

Próxima prova: GP da Europa, em Donnington Park. E para desgosto de Prost, novo show de Senna. Sob chuva, larga em quinto e toma um "chega pra lá" de Michael Schumacher. Em apenas um volta, assume a liderança: primeiro, engole Schumacher logo na primeira curva. Em seguida, como se a pista estivesse seca, bate Karl Wendlinger (Sauber). Curvas depois, foi a vez de Hill, e logo depois, Prost. Momento sublime. O ano já estava ganho. Apesar de alguns problemas de combustível e pneus, rumou à vitória e à liderança do campeonato. E deu um recado a Ford, que insistia em dar a McLaren uma versão anterior do motor que cedia a Benetton: "A única chance da Ford ganhar um GP é comigo. A Ford já tem duas vitórias e lidera o campeonato depois de três provas com um carro ainda em fase de desenvolvimento e com um motor meio a um segundo mais lento por volta. Só espero que alguém na Ford se toque e ponha as coisas direitas". Fato é que, após a prova de Donnington, Frank Williams, já desgostoso da falta de vontade de Alain, procurou Senna a respeito de 94.

Em Imola, apesar da liderança na chuva (de novo), Senna não resiste a Prost, o vencedor. Abandona e começa a se conformar com a pouca chance de título. Mesmo assim, continua a trocar farpas com Flavio Briatore, da Benetton. Alain repete a vitória em Barcelona, com Ayrton em segundo tendo que segurar Schumacher e Ricardo Patrese, do time de Briatore. Mônaco, prova seguinte, poderia ver Prost deslanchar de novo, mas Ayrton foi rei - literalmente. Deixou Prost e Schumacher se engalfinharem no começo e soube esperar. O alemão parou com o motor estourado, enquanto Alain teve um penalização por queimar a largada. Senna assumiu a ponta e venceu fácil. Agora, era Rei de Mônaco, ultrapassando Graham Hill, que tinha 5 vitórias - Senna marcou a sexta e voltou à liderança da temporada.

No Canadá, largou em 8º e foi passando todo mundo: Martin Brundle (Ligier), Jean Alesi e Berger (Ferrari), Schumacher e Patrese, até chegar nas Williams, que ainda eram 1 segundo mais rápidas. Prost venceu bem e Senna, apesar do show, parou com problemas. Em Magny-Cours, Alain voltou a vencer em casa, e Ayrton (apenas o 4º colocado), assinou com a McLaren até o fim de 93. Em Silverstone, fez boa briga com Prost e Schumacher, mas um erro no cálculo de combustível fez com que chegasse apenas em 5º.

Na Alemanha, foi discreto, largando e chegando em 4º. À essa altura, porém, já estava quase assinando seu contrato com Frank Williams para 94. Já era sabido que Prost não agüentaria o tranco de ter Ayrton ao seu lado e que se aposentaria. O acordo com Frank foi mantido em sigilo para não comprometer a publicidade da Renault em cima do título de Alain, que se aproximava. Na Hungria, foi a vez de Damon Hill vencer pela primeira vez na carreira, contando com os abandonos de Senna, Prost e Schumacher. O inglês venceu de novo em Spa, Bélgica. Ayrton foi o quarto, não resistindo à força de Williams e Benetton.

Em Monza, novamente a superioridade das Williams marcou presença e Hill venceu. Prost, já mais acomodado, só somava pontos rumo ao título, que veio na etapa seguinte, em Estoril. Anunciou no sábado sua retirada da F1 e na corrida, com novo segundo lugar, comemorou o tetra. Schumacher venceu e Alain Prost, aos 38 anos e 51 vitórias, levava o caneco. Mais do que nunca, escrevia - muito merecidamente - seu nome na história.

Em 11 de outubro de 1993, a Williams anuncia a contratação de Ayrton Senna para a temporada de 1994: "É um sonho se tornando realidade. Frank foi o primeiro a dar-me uma chance na F1, em 1983, e, agora, estaremos, finalmente, juntos". Alegre e feliz, Senna sabia que o ano seria duro, com um Hill mais maduro e com Schumacher e a Benetton evoluindo. Porém, ter um carro competitivo mais uma vez já o deixava como grande favorito.

Em Suzuka, na penúltima etapa, Ayrton volta a vencer, após cinco meses de jejum. Ultrapassa o pole Prost logo no início e parte para uma fácil vitória. Sempre com sabor especial por ser no Japão, onde nutria uma relação de amor com o povo - sentimento recíproco. Estava motivado e feliz por tudo estar encaminhado e via um excelente panorama para 1994. Na Austrália, despedida do ano, marcou a única pole do ano e venceu, com a tranqüilidade habitual que tinha em um circuito de rua. No pódio, ergueu o braço de Prost e ambos abraçaram-se, novamente selando a paz. Era a última vez que o mundo via os dois gênios juntos, no pódio. Foram momentos inesquecíveis, ultrapassagens históricas, brigas, sacanagens... A F1 viu, em Senna e Prost, dois guerreiros, e nunca mais surgiriam outros iguais. Que pena.

A despedida da McLaren foi igualmente emocionante. Jo Ramirez, diretor da equipe, Ron Dennis e o pessoal da Marlboro organizaram um jantar surpresa para Senna. Foram 6 anos de parceira, alegria, desavença, vitórias e títulos. Tudo foi celebrado e Ayrton emocionou-se com os abraços de Ron e Jo, a quem mantinha uma mútua relação de admiração.

A bandeira brasileira que Ayrton balançou em Adelaide foi a última de sua carreira. Era a sua última vitória e ninguém imaginaria o que aconteceria em 1994 - drama, agonia e morte.

1993 - McLaren/Ford
5 Vitórias no Brasil, Europa, Mônaco, Japão e Austrália
2 segundos lugares em Espanha e África do Sul
1 Pole Position
1 Volta mais Rápida
16 Grandes Prémios
Vice-Campeão do Mundo com 73 pontos

 

 
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