FÓRMULA 1 1994 - Williams: O ano que não terminou Os problemas para a Williams e para Ayrton Senna começaram quando a FIA mudou o regulamento técnico da categoria e praticamente baniu qualquer dispositivo eletrônico dos carros. Obviamente, Frank Williams e outros chefes de equipe reclamaram e compraram a briga com Max Mosley. E isso atrasou o cronograma de testes do time, que não sabia se testava o carro "eletrônico" ou uma versão mais passiva. Foi nessa fase que a Benetton de Michael Schumacher e Flavio Briatore saiu na frente, pois iniciou um vasto programa de testes já com o carro dentro das novas especificações.
Nos primeiros testes, Senna já sentiu que teria muitas dificuldades: "Senti-me desconfortável, na posição errada. Mudamos o banco e o volante, mas mesmo assim já pedi para me darem mais espaço". O carro estava nervoso e muito instável, com vários problemas aerodinâmicos. Apesar de tudo, a expectativa era muito grande em relação a Senna e a Williams. Afinal, com um carro nitidamente inferior desde 1991, Ayrton fez frente aos "carros de outro planeta" nos anos anteriores. Porque em 94, com a união do melhor piloto com o melhor carro, não teríamos um título fácil?
Os problemas da Williams vieram à tona em Interlagos, na primeira etapa. A pole foi de Senna, mas na prova a Benetton de Schummy era superior. Ayrton segurou a liderança até o pit stop, quando o alemão assumiu a ponta após uma parada mais rápida. Meses depois, foi comprovado que a equipe de Briatore utilizava um esquema irregular no reabastecimento, e isso dava aos carros do time um tempo menor no pit stop. De volta a pista, Schumacher tinha 2,5 segundos de diferença para Senna, que se esforçava para alcançá-lo. No segundo reabastecimento, a diferença subiu para 9s. Na 59ª volta, ao sair da junção, Senna rodou e abandonou o GP: "Nada de errado com o carro, apenas um erro meu", assumiu.
A prova de Aída, no GP do Pacífico, seria um recomeço. Obviamente a posição de superioridade da Benetton estava clara, e a Williams teria que correr atrás do prejuízo. Senna foi o pole, mas na largada sofreu um toque de Mika Hakkinen (McLaren) e Nicola Larini, que substituía Alesi (machucado) na Ferrari. Fim de prova. Schumacher venceu fácil e abriu 20 pontos. O segundo colocado na classificação era Rubens Barrichello, que somava 7 pontos do 4º lugar de Interlagos e da 3ª posição em Aída.
Tudo começou mal em Imola, San Marino. Nos treinos de sexta, Rubinho bateu muito forte na Variante Bassa e teve algumas lesões. Senna pulou o muro do hospital e foi visitá-lo. Estava visivelmente perturbado. No sábado, após a pole, Ayrton viu a trágica morte de Roland Ratzemberger (Simtek), que perdeu o aerofólio traseiro, batendo fortemente na curva Villeneuve. Ayrton, muito chocado, foi ao local do acidente. Em seguida, sofreu uma repreensão da FIA por ir ao local.
"Não estou com bom pressentimento, e se pudesse não corria", falou a Adriane Galisteu ao telefone. Nitidamente estava diferente do habitual naquele domingo. Sisudo e fechado, não lembrava o Senna brincalhão e solto que os mecânicos conheciam. Ao sair com o carro, levou uma bandeira austríaca para homenagear Ratzemberger em uma possível vitória. Nas provas de 94, Ayrton descrevia a pista do GP para a tv francesa TF1. Nessa prova de Imola, ele mandou um recado especial a Alain Prost: "Uma mensagem especial para meu amigo Alain Prost: Alain, meu caro amigo, tenho saudades tuas".
Na largada, um grave acidente aconteceu no pelotão intermediário: Pedro Lamy (Larousse) bateu violentamente na traseira de J.J. Lehto (Benetton) e a prova foi interrompida, com a entrada do pace car. Na 5ª volta, foi acionada a bandeira verde a corrida recomeçou. Na volta seguinte, Senna passou pela última vez na linha de chegada, a 0,6 segundos na frente de Schumacher. Ao chegar na curva Tamburello, sua Williams passou reto e ele chocou-se violentamente com o muro. A barra de direção se soltou e penetrou na cabeça do piloto no momento do impacto.
Segue a seguir o relato do jornalista Francisco Santos: "O socorro chegou ao carro em 21 segundos e os médicos 1m10s depois do choque. Depois de tentarem tirar o capacete, os médicos colocaram o corpo de Senna no chão e, em seguida, foi efetuada uma traqueostomia. O piloto foi transportado de helicóptero, que levantou vôo para o hospital Maggiore de Bolonha, 17m02s após o acidente. Segundo o primeiro boletim clínico, lido pela Dra. Maria Teresa Fiandri, às 16h30m, Ayrton Senna apresentava "um traumatismo craniano, choque hemorrágico e coma profundo". No entanto, a equipe médica não constatou qualquer "lesão torácica ou no abdômen". A hemorragia deveu-se "ao rompimento da artéria temporal superficial". Por seu lado, o neurocirurgião que assistiu Ayrton Senna no hospital referiu que o caso dele não permitia nenhuma intervenção cirúrgica porque a lesão era "generalizada na caixa craniana". Às 18h05m, a Dra. Fiandri lê, emocionada, outro comunicado, anunciando a morte clínica de Senna. O piloto continuava ligado às máquinas de reanimação que mantinham o seu coração em funcionamento. "O eletroencefalograma de Ayrton Senna não registra nenhuma atividade. Continuamos com a ventilação pulmonar. Vamos mantê-lo vivo apenas porque a lei italiana assim exige. Não há mais esperanças", revela a Dra. Fiandri à multidão de jornalistas. As declarações causaram profunda comoção. Às 19h05m, ela regressou de novo, na porta da urgência do hospital e uma multidão debateu-se para chegar junto dela, estabelecendo-se ali uma aglomeração sem precedentes. A Dra. Fiandri pediu calma e revelou: "Às 18h40m Ayrton Senna não apresentava atividade cardíaca. Ele está morto". Muita gente chorou de novo. Não parecia verdade. A morte está sempre perto dos pilotos de Fórmula 1, mas ninguém a vê ou quer ver. No 11º andar do hospital, no centro de reanimação onde Senna se encontrava, ficaram o seu irmão, Leonardo, a assessora de imprensa, Betise Assumpção, e alguns amigos. Um comunicado da FIA anunciava às 19h30m que Ayrton Senna se encontrava em "coma profundo", que os exames revelavam que o seu cérebro estava morto e que as condições gerais estavam deteriorando-se. Às 19h55m foi anunciada a sua morte, que de acordo com o hospital, ocorreu às 18h40m. Seguiu-se ai uma série de investigações, não definitivamente concluídas até os dias de hoje.
Em todo o mundo, e principalmente no Brasil, a comoção foi generalizada. Foi embora alguém que amávamos e é duro entender isso. O que nos consola é que agora temos uma estrela nos olhando lá de cima, sempre a nos proteger. Suas ultrapassagens, shows, manobras incríveis, poles sensacionais e tudo o que ele fez ficará na nossa memória - para sempre. Para sempre Ayrton Senna do Brasil.
1994 - Williams/Renault 3 Poles-Positions no Brasil, Pacífico e São Marino 3 Grandes-Prémios
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