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O teste de Senna na Penske


Como colunista da Cart, coube a mim a tarefa de falar sobre o teste que Ayrton Senna fez na Penske no ano de 1992, quando a equipe fazia parte da antiga Fórmula Indy.

Após não ter conseguido o título de 1992, Senna ficou decepcionado com a Fórmula 1. Sua McLaren esteve inferior à Williams de Nigel Mansell e não conseguiu impedir que o inglês conquistasse o título. Senna venceu a provas de Mônaco, Hungria e Itália, mas não foi superior ao FW14. Ao brasileiro, restou o quarto lugar no campeonato, o mais baixo desde 1987. Senna estava desapontado com a ênfase dada na Fórmula 1 à tecnologia. "Durante 1992, a Williams esteve em um mundo diferente do que todo mundo. Não importa o que você fizesse, estaria um ou dois segundos atrás. Isso é loucura, estupidez", disse o brasileiro à revista 'Road and Track'. Então, ele decidiu testar outras opções para 1993. Tinha a opção de continuar na McLaren no ano seguinte, mas com a saída da Honda, tudo era incerto. O que ele queria mesmo era pilotar para a Williams. Senna chegou a oferecer para guiar de graça para a equipe inglesa em 1993, mas sua oferta foi recusada. Acabou correndo mesmo pela McLaren. Mas antes, fez uma viagem aos Estados Unidos para explorar outras alternativas.

Senna voltou suas atenções, então, para a Fórmula Indy. Antigos campeões da Fórmula 1 haviam andado na categoria com bastante sucesso, inclusive o também brasileiro Emerson Fittipaldi. Com a ajuda do próprio Emerson, Senna testou pela equipe Penske em Firebird Raceway, Arizona, em dezembro de 1992. Como a McLaren e a Penske possuíam o mesmo patrocinador, a Marlboro, não houve problemas. O teste, claro, foi um sucesso.

Senna deu 25 voltas no circuito do Arizona. Na volta de número 20, seus tempos já eram tão competitivos quanto os dos pilotos da Fórmula Indy. Senna ficou impressionado com a dinâmica do motor Chevrolet, que equipava a Penske. "É mais dirigível. De um modo, é mais o piloto, o que é ótimo. É como eu imaginei que deveria ser porque o público não sabe se você está indo cinco segundos mais rápido ou mais lento em uma volta. A coisa mais importante é que a competição pode ser decidida pelos pilotos, não pelos carros. Acho que é nisso que a Fórmula 1 está errada, especialmente na última temporada. Tudo foi novo para mim. Eu tive que começar a dirigir com uma alavanca da engrenagem outra vez, um pedal de embreagem, com motor turbo e com os freios, que são completamente diferentes dos da Fórmula 1, não são freios de carbono. A Penske me lembrou os velhos tempos da Fórmula 1, onde o lado humano era a coisa mais importante. Hoje, a Fórmula 1 está tão sofisticada que os computadores fazem a maior parte da direção para você. Se você tem um computador esperto, você está bem. Se você tem um estúpido, você está com problemas, entende? O que eu experimentei com o carro da Indy foi que o lado humano tem um tremendo valor. E eu realmente fiquei animado com isso", disse Senna, em março de 1993, à revista 'Road and Track'.

Os boatos na época foram de que Senna não tinha a real intenção de correr na Indy e que este teste foi uma forma de pressionar a FIA para que as ajudas eletrônicas aos pilotos fosse retiradas da Fórmula 1, fato que aconteceu em 1994. Mas não importa. O que importa é que Senna deu, a todos os fãs da Cart, o gostinho de saber que o brasileiro andou em uma Penske e adorou!!!!!

Beijinhos
Flávia Mayrink

 

 
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