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Ayrton Senna do Brasil


Olá companheiros do Superlicença!

Recebi um convite da Flavinha e da Gra para fazer uma coluna especial, em homenagem ao nosso eterno e inigualável Ayrton Senna! Algo que não seria capaz de recusar jamais, pois como deixar de prestar uma singela homenagem ao principal personagem e responsável de uma das maiores paixões da minha vida que é a F1???

Senna foi e sempre será, na minha memória (e tenho certeza que de
muitíssimos), o melhor piloto de todos os tempos, o mais completo. Meu ídolo!! Hoje, na história do automobilismo, deixar de citar Senna seria o mesmo de fazer um trabalho sobre Copas do Mundo e não citar o Brasil, o mesmo que falar em Santos e não citar Pelé, falar da Segunda Guerra Mundial e não falar sobre Hitler, falar do Descobrimento do Brasil e não citar Cabral... Não tem como deixar passar em branco!

Como fiquei encarregado de falar sobre aquele trágico e inesquecível GP de San Marino, em Imola, não tem como deixar o sentimento de lado e fazer uma análise comum, baseada só em dados... Ainda mais falando de um piloto que tinha um carisma e uma admiração como jamais se viu....

Ímola 94. Eu estava com 13 anos de idade e desde 90 já me considerava fã nº1 da F1. Não perdia um treino sequer! Não desligava a tv enquanto não acabassem de vez as transmissões. Todos os detalhes me interessavam, e sempre temos mais interesses em algo na vida. Na F1, o meu era Ayrton Senna. Não tinha como ficar impressionado com sua forma de guiar e seu jeito de ser. O certo é que lembro bem como o fim de semana trágico começou: numa sexta-feira, dia 29/04/94. Estava eu com meus pais fazendo compras à noite. Quando chego em casa, ligo a televisão e de cara vejo uma
Jordan, (na época meio que vermelha, verde e azul), literalmente decolando e batendo no muro e na proteção de pneus e virando de cabeça pra baixo. Assustei... E fiquei mais preocupado ainda quando percebi e vi a reportagem dizendo que era Rubens Barrichello (com 21 anos) e estava bastante machucado e fora do GP de San Marino. Vi Ayrton apreensivo, caminhando apressadamente, Senna visitou Barrichello no hospital e pouco falou com a imprensa, limitou-se a dizer que Rubinho estava bem. Barrichello tinha o nariz quebrado e muitas escoriações. Sábado, no treino de classificação, acontece um fato muito triste. O piloto austríaco Roland Ratzemberg bate sua Simtek violentamente no muro, na curva Villeneuve e, lamentavelmente, acaba perdendo a vida. Preocupação geral na F1. Pilotos ficam tristes e extremamente preocupados com a perda de um companheiro. Ayrton chorou bastante a perda do amigo. Inclusive Senna foi verificar o lugar da batida e chegou a ser punido pela FIA por ter ido ao local do acidente e utilizando um carro da entidade... Em casa, minha irmã dizia: "Estou com um pressentimento ruim pra essa corrida...". Ignorei e disse que falar depois que acontece é fácil. Mal sabia o que estava por vir...

Senna estava bastante inquieto, e com a expressão fechada. Não deu entrevistas e, tempos depois, descobri que o médico da F1, doutor Sid Watkins chegou a recomendar a Senna que não disputasse a prova. Mas Schumacher era líder com 20 pontos e Senna ainda não havia pontuado no campeonato depois de dois abandonos (Brasil e Japão). Uma crise já rondava a Williams e Senna negou o pedido do médico. Domingo, 1º de Maio. Há exatos 9 anos. Lembro que acordei em cima da hora e fui correndo pra sala. Apesar de todos os acontecimentos tristes e preocupantes, ainda tinha espaço pra expectativa de comemorar a primeira vitória de Senna na então super poderosa Williams. Senna largou na pole e a corrida teve um acidente sério logo na largada, quando o carro do quinto colocado, J.J.Lehto, não largou e um carro veio atrás e pegou em cheio, levantando estilhaços e pneus pelos ares. A prova continuava com o Safety Car na pista quando, na primeira volta lançada, na sexta volta da prova, na Tamburello, curva de alta, a Williams FW16 de Ayrton passa direto e bate violentamente no muro. O impacto é muito forte e vários estilhaços do carro e pneus voam pelos ares. Lembro como se fosse hoje do carro desacelerando, bem danificado. A atenção vai toda para Senna, onde as câmeras e o país inteiro espera por ele, para que ele levantasse do carro. Mas não acontece. Senna continuou imóvel no carro. A demora dos paramédicos é irritante. Senna faz um leve movimento com a cabeça, estímulo, que fez com que muitas pessoas pensassem que ele estivesse bem. Os médicos chegam, Senna, desacordado, é tirado da Williams. O momento não pode ser definido com outra palavra a não ser "angústia". A preocupação é maior quando membros da equipe médica tentam esconder o atendimento com um grande pano. Do alto do helicóptero temos uma das imagens que mais me marcou: nosso herói esticado no chão, as pernas retas e com os pés abertos separados. O corpo imóvel e com uma mancha de sangue ao lado no chão. Senna é levado para um helicóptero e vocês não imaginam como eu queria vê-lo deitado na maca, levantando o polegar dando sinal de positivo. As notícias começar a chegar, e não são nada boas. Senna é levado em estado crítico para um hospital e juntos foram as orações de todos nós brasileiros. A corrida prosseguiu, mas não tive cabeça pra acompanhar. Assistia mais esperando por notícias. A corrida acabou e, enquanto ia para casa de minha avó, o rádio noticiava que Senna estava em coma, perdera muito sangue e estava dependendo dos aparelhos. Situação realmente complicada. Silêncio no carro... Não disse uma palavra sequer durante o caminho, meu pai já dizia: "Não vai ter jeito... A coisa foi feia". Eu, assim como tantos outros brasileiros, ainda tinha esperança de receber boas notícias e lutava contra os pensamentos pessimistas. Na minha avó, família grande e reunida na frente da TV. Até que às 19:05 na Itália, 14:05 no Brasil, uma manchete da Globo confirmava a morte de Ayrton Senna da Silva. A médica dizia: "Senhores, por favor. Desde as 18h40 Senna não registra mais atividade cardíaca. Ele está morto". Era difícil acreditar. O herói estava morto, realmente difícil de acreditar. Como pode?? Meu herói... Vencedor... Imortal... Morto???

Ayrton Senna do Brasil chegara ao fim de sua carreira vitoriosa e deixou o país órfão. Chorei... Chorei como quem perde um ente querido. Chorei sem importar com o que os que estavam ao redor fossem pensar de mim, pois, com 13 anos, ainda criança, tinha dessas coisas... Após alguns momentos olho pro lado e vejo e sinto um clima como nunca vi antes e até hoje. Todos bastante emocionados, não conformando com o que acabaram de ouvir. Meu pai, companheiro de todas as corridas, veio ao meu lado e abriu os braços para um abraço, emocionado. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto... Realmente era como se um parente bem próximo estivesse nos deixando.

Ayrton Senna morreu numa data que prestigia o trabalhador brasileiro. E não existia um trabalhador igual a Senna, que desse alegria e emoção a um povo sofrido. Uma nação que tinha um herói das manhãs de domingo, que sempre honrou as cores e a bandeira brasileira.

Num dia 1º, o 1º piloto nos corações do povo brasileiro foi embora... Um piloto que de tão grande coração levou para a prova a bandeira da Áustria, na intenção de homenagear o companheiro austríaco morto no dia anterior. Atitudes como essa, de campeão e de um verdadeiro ser humano, fazem com que até hoje seja lembrado e idolatrado por um povo que tanto o amou e ainda o tem no coração. Realmente muitas alegrias registradas... Como não se emocionar com aquela imagem de Senna carregado em Interlagos, no meio da multidão e com os dois braços erguidos?

Dia 1º de Maio de 1994. O dia em que o eterno Ayrton Senna do Brasil, entrou para memória do mundo inteiro e deixou excelentes recordações para o povo brasileiro. A saudade foi tão imensa que até hoje passados 9 anos, insiste em bater nos corações de todos nós. Afinal, quem nunca ouviu a frase "depois da morte de Senna, nunca mais gostei de fórmula 1"? Senna foi um marco na vida de todos nós... Senna nos deixou e nunca presenciei uma perda tão sentida por uma nação. Essa é a primeira oportunidade que tenho de dizer em público e dessa forma: "Do fundo do coração, obrigado Ayrton! Obrigado por tudo! Nosso herói e amigo Ayrton Senna da Silva!"

Com muita saudade no coração, agradeço a todos.

Um abraço
Vanderson Basay

 

 
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Giedo van der Garde, campeão da World Series by Renault em 2008


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