A temporada 2008 está ficando cada vez melhor. Apesar de quatro vitórias consecutivas da Ferrari, pudemos observar que, ao longo das corridas do Bahrein, Espanha e Turquia, a diferença da equipe italiana para a McLaren e a BMW vem diminuindo. Principalmente para a McLaren. Qual de nós poderia pensar antes do início do final de semana que a Ferrari não faria uma fácil dobradinha, assim como em 2007, e que teríamos uma ultrapassagem em pista seca pela liderança de um piloto da McLaren sobre outro da Ferrari?
Felipe Massa mostrou que realmente colocou as duas primeiras corridas da temporada para trás. O erro na Austrália de nada contou porque o motor estourou mesmo, mas os pontos perdidos na Malásia devem fazer falta. Mas o mais importante é que depois disso ele colocou a cabeça no lugar e vem tendo ótimas performances ao longo das corridas. Nas últimas 3, foram 28 pontos dos 30 possíveis. Se mantiver nesta balada, se torna um candidato ao título. Nos treinos de classificação sua performance vem sendo um tanto quanto inconstantes, mas reconheço que isso se deve a uma extrema sensibilidade dos pneus Bridgestone para com o seu aquecimento. Na corrida da Turquia, ele foi perfeito. Manteve Hamilton atrás até onde pôde, mas principalmente pôde se manter à frente do mesmo antes dos primeiros pit-stops. Esta foi a chave para a sua vitória. Não vou discutir se ele deveria ter lutado mais para manter a posição, mas acho que ele fez certo. Vai arriscar entregar a vitória de bandeja para o seu companheiro de equipe que estava 11 pontos a sua frente no campeonato?
Lewis Hamilton foi, na minha opinião, o melhor piloto da corrida. Mas apenas da corrida, pois sua volta de classificação foi péssima. Ele tinha uma estratégia que o obrigava a largar na pole, caso almejasse a vitória. Mas como não conseguiu, teve que limitar os danos ao longo da corrida e seu segundo lugar foi muito acima do esperado. Ele realmente mostrou o que venho falando nas minhas colunas: o carro da McLaren é tão bom quanto o da Ferrari e isto foi provado numa pista em que, na teoria, a Ferrari faria facilmente uma dobradinha. Acho que daqui para frente Lewis será uma ameaça maior a Ferrari, e os dias de sossego da equipe de Maranello estão contados.
Heikki Kovalainen parece ter herdado o azar finlandês que jaz na equipe McLaren. Após uma performance brilhante nos treinos, quando se classificou em segundo com mais combustível que Hamilton e Massa, teve seu pneu cortado por um leve toque com Raikkonen na primeira curva. Com isso, teve que parar nos boxes e perdeu muito tempo, comprometendo sua corrida. Acho que a McLaren cometeu um erro estratégico. Heikki tinha combustível para 20/21 voltas, então acho que o mais correto seria ter trazido ele para os boxes ao final da primeira volta (quando eles estão fechados, pode-se trocar os pneus) e manter a estratégia. Com um carro com peso médio, as ultrapassagens seriam mais fáceis e os pontos quase certos. Mas fiquem atentos a esse rapaz. Ele ganhará ainda algumas corridas esse ano.
Com relação a Kimi Raikkonen eu pretendo não comentar. Um campeão do mundo não pode dar uma desculpa esfarrapada como a da asa dianteira danificada pelo toque com Heikki. Nem as fotos mais precisas indicaram qualquer dano na asa, então prefiro ignorar sua performance burocrática num final de semana em que seu companheiro o derrotou.
Já a BMW ficou de fora da luta nesta corrida, mas acho que foi apenas um evento isolado. Mônaco já deve trazê-la de volta à briga, assim como outros pilotos que terão chances de brilhar numa pista em que os carros não contam tanto: aguardem Alonso e Coulthard.
Para finalizar não poderia deixar de homenagear Rubens Barrichello: ninguém atinge uma marca destas sem ter feito muito pelo esporte e por todos os lugares que passou. Muitas vezes criticado, mas sempre um piloto forte, combativo, que nunca deixou de mostrar suas qualidades na pista. E por isso ele está aí até hoje... Assim como agradeço Senna, Piquet e Emerson pelos seus 8 títulos mundiais, Gil e Helinho e o mesmo Emerson pelas suas 5 vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis, agradeço a Barrichello pela sua incomensurável contribuição ao esporte que rende elogios de todas as partes, inclusive de Ross Brawn.
Um grande abraço e que venham as ruas do Principado.
Rodrigo Lamas
Rodrigo Lamas, 24 anos, mora no Rio de Janeiro e é engenheiro eletrônico, mestre em engenharia aeronáutica. Apaixonado por automobilismo desde criança, aceitou o desafio de escrever no SuperLicença para poder dividir com outros apaixonados sua opinião pelo esporte.
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